Eu que não vou para onde vivem os monstros…


Qual o cinéfilo que se preza que ainda não foi correndo conferir o novo filme do diretor Spike Jonze, aclamado por produções como “Quero ser John Malkovich” e “Adaptação”? Aposto que se decepcionaram, não é?

Apesar de baseado numa obra infantil (Onde vivem os monstros, obra ilustrada de Maurice Sendak), o filme deveria refletir os conflitos por que passa o protagonista – o garotinho Max (Max Records), numa atuação pífia… posso estar sendo um pouco duro, afinal, meu padrão é Dakota Fanning na fase Macaulay Culkin-Esqueceram de mim, não na atual conjuntura focada em Deixa ela entrar versão piorada. Tal fato enganaria os mais incautos quanto à classificação do filme. Tenho certeza de que muitos aproveitaram para levar os filhos e sobrinhos ao cinema, cheios de expectativas (ou, pelo menos, com o objetivo de acalmar a criançada por alguns minutos com uma distração decente).

Na idade de “quero atenção”, o pimpolho rebelde vive conflitos com a mãe, e acaba criando um mundo imaginário que deveria refletir essas inquietações internas – e não ser somente uma fuga para uma existência pseudosolitária/afetiva -, tornando-se uma válvula de escape. Existe vasto material acerca dos significados e implicações da obra de Sendak (filosoficamente falando), que foi pouco explorado pelo diretor.

O roteiro é confuso… Não ficou claro, na construção do roteiro, o significado daqueles monstros, que deveriam refletir (simbolicamente) de forma mais clara as emoções de Max e o período conturbado pelo qual ele passa. Parece mais um show desabrido de bonecos gigantes de pelúcia do que outra coisa.

Quem espera que o universo de Max seja uma alegoria bem construída acerca da formação sentimental e afetiva do garoto, pode esquecer. Se você quer uma boa história sobre o crescimento de um menino, é melhor ler o romance “Fôlego”, do australiano Tim Winton. Não tem os monstros, mas as ondas insanas compensam a falta de pelúcia.

O filme deverá fazer sucesso entre a garotada, que adora um bichinho (quem não gosta?). A indústria de brinquedos vai se fartar. Agora, a contradição: só foram liberadas para as salas exibidoras cópias legendadas, e a classificação etária é de 10 anos. O que a minha mãe vai dizer para os alunos dela da educação infantil, que tem idades entre 3 e 6 anos? É melhor levá-los para curtir “Astro Boy”.

Galera, o filme é superestimado. Hoje em dia, é difícil ficar imune aos efeitos dos vultosos investimentos em divulgação que alavancam as mega produções americanas – o que acaba, muitas vezes (infelizmente…), influenciando a crítica também.

Para os interessados em fugas existenciais, eu aconselho se enfurnar na toca do coelho (Tim Burton vem aí!!!) ou na Terra-Média de Tolkien.

Carlos Eduardo Bacellar


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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Fundo do Poço (suicídio estético)

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