O final é um terror!

“Gostou do colar?”

Uma das produções cotadas ao Oscar deste ano é “Guerra ao terror” (lançado no Brasil diretamente em DVD), da diretora Kathryn Bigelow, ex-mulher de James Cameron. Pois é, caros leitores, um dia Kathryn entrelaçou-se a Cameron – como Neytiri fez com Jake Sully –  em alguma Árvore das Almas (fato que apimenta a premiação, concordam?). Quero que vocês me perdoem pelo excesso de avatarismo, mas não estou resistindo. Em minha opinião, “Guerra” deve levar a estatueta, repetindo o feito de “Crash”, do diretor Paul Haggis, em 2006, que também comia pelas bordas com sua verve mais autoral. Tenho a obrigação moral de adiantar aos leitores deste blog que estou prestes a postar um spoiler. Quem ainda não assistiu ao filme, pare por aqui. Digo isso só por desencargo de consciência, pois sei que a afirmação fará com que todos não resistam e leiam com voracidade.

Tal comentário foi reciclado de uma (das muitas) mensagem (ns) que enviei para o meu colega André Miranda, repórter e crítico de cinema do jornal O Globo. Aliás, o André é um santo, diga-se de passagem. A quantidade de besteiras que eu disparo para sua caixa de e-mail não está no gibi. Mas amigo é para essas coisas. Tem que aturar 🙂

“Guerra” retrata a suicida rotina de um esquadrão antibombas em missões nada recomendáveis no Iraque. Até aí, nada de sensacional. Filmes de guerra “bombam” por aí hehehehehehe. O que torna essa produção singular é o foco no aspecto humano, no que a guerra pode causar aos indivíduos. Além de desarmar explosivos, os militares têm de lidar com outros artefatos igualmente perigosos, que são os efeitos causados por situações extremas no psicológico de cada um. Palmas para o ator Jeremy Renner (que deverá concorrer a uma estatueta por sua atuação). Ele dá vida, com maestria, a um especialista em bombas do exército americano (SFC William James) que encara explosivos capazes de mandá-lo para Pandora (saiu de novo…) com a mesma picardia e ausência de espírito de autopreservação com que Dirty Harry enfrentava a choldra, munido de sua indefectível magnum 44. Bom, a crítica especializada já cansou de esmiuçar o filme.

Lá vem o spoiler… Só há um aspecto que me incomodou, e muito.

O final é completamente inverossímil para qualquer macho-alfa que se preze. Quem, em sã consciência, abandonaria a maravilhosa Evangeline Lilly, a eterna Kate de “Lost” – que faz a mulher da personagem de Renner -, e voltaria para o Iraque, arriscando a própria vida, com o intuito de desativar bombas? A personagem do ator Jeremy Renner está completamente lost (peço perdão pelo trocadilho infame). Ele estava tão acostumado aos horrores da guerra (aquilo o completava), que  ficou incomodado com o papel de marido provedor e pai de um bebê. Deve ser duro ser cobrado por Evangeline (Connie James no filme) e ter que comparecer toda noite. Vida dura…

Com todo respeito à senhora Bigelow, mas somente uma mente feminina para conceber tal final. James deveria ter continuado “furando os olhos” de Sawyer e Jack em vez de brincar de cowboy americano no inferno iraquiano.

Fica aqui também o meu pedido de desculpas ao André. Pouco tempo depois de receber esta mensagem (acredito que umas 2 semanas), ele publicou uma crítica do filme. Acredito que, na ocasião em que esse spoiler invadiu sua caixa, ele ainda não tinha visto “Guerra”. E como todo mundo que recebe uma mensagem com esse teor (proibido; não leia; segredos nunca revelados; você está adentrando os portões do inferno; passe essa mensagem para 20 pessoas, caso contrário sofrerá conseqüências graves; trago a pessoa amada em uma semana etc.), ele deve ter lido. Não sei se ele está fulo comigo… Pelo sim e pelo não, fica o registro. Foi mal, meu camarada!

Carlos Eduardo Bacellar

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