O Mensageiro (ainda bem que) tem Roteiro

“O Mensageiro” chegou antes aqui no Blog. Com data de estreia para a próxima semana, o filme dirigido pelo (bom) roteirista Oren Moverman tem na história o seu ponto forte. Nada gratuita a conquista do Urso de Prata de Melhor Roteiro, em Berlim, no ano passado. Entretanto, afirmo que o Oscar 2010 de melhor roteiro original ninguém tasca do Tarantino. Não haveria absurdo maior se o melhor filme de 2009 (na minha opinião!) não ganhasse a estatueta no dia 07 de março… Alô, acadêmicos da Grande Los Angeles, o roteiro é 10 nota 10!

Voltando às notícias frias, a história começa na nomeação do sargento Will Montgomery (Ben Foster) a Mensageiro (Messenger) no exército americano. Juntamente ao quase tira da pesada Tony Stone (Woody Harrelson), será responsável pelas mensagens póstumas – frias e calculistas – às famílias de oficiais vitimados na guerra do Iraque. Trabalho ingrato. E triste: as cenas em que familiares são avisados da morte de seus parentes deixam qualquer coração em frangalhos.

Vítimas de suas histórias de vida, o foco do enredo está na maneira distoante de Tony e Will em lidar com os familiares dos mortos . Will vive assombrado por memórias e sequelas da guerra e por um contentamento descontente com o novo cargo useless. Já Tony, seu mentor, busca convencê-lo o tempo todo da sobriedade do novo cargo, mesmo em momentos de “conflito ético”, como no “encantamento” que nutre até o fim (claro que tinha que ter uma paixãozinha para apimentar a história!) pela viúva de um dos oficiais. Ponto para Samantha Morton pelo ótimo desempenho.

O Mensageiro (ainda bem que) tem Roteiro. Nota-se que o Diretor é Roteirista (roteiristas não peçam a minha cabeça!), pois peca na cinematografia global da obra. Há alguns planos-sequencia bem legais, mas, em geral, a câmera é acadêmica, ortodoxa e nada criativa (quem lê o blog já sabe da minha predileção por câmeras cheias de alma, identidade, nervosas, que jogam junto). A montagem também derrapa nos cortes e nas passagens de tempo, dificultando o entendimento do espectador, e deixando a poltrona da sala de cinema um lugar para um quase repouso… forçado.

Helena Sroulevich

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Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Helena Sroulevich

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