Amor: encontros, desencontros e dois filmes iguais!

Mulher adora uma comedinha romântica. E lá fui eu me meter a assistir a dois filmes – iguais – hoje. “Idas e Vindas do Amor” (que acaba de estreiar) e “Ah… O Amor!” só têm de diferente a nacionalidade.

“Ah… O Amor!” é italiano, cheio de personagens hiperbólicos (falam demais, gritam demais, são excessivamente melosos e dramáticos…) e assim se consideram doutores em relações amorosas. Se metem em historinhas previsíveis – crise da meia-idade com trilha sonora”Sex Bomb” (de chorar de rir!), do divórcio, da mulher apaixonada pelo padre, da briga por custódia dos filhos, dos pais confrontados com a iniciação sexual dos filhos e etc etc – e passam boa parte do filme acreditando na razão que a própria razão desconhece; como homens vítimas de mulheres coração de pedra. Será? Bom, lindinho é o romance do casal jovem que monta o quebra-cabeças do amor à distância. Ambientado entre a França e a Nova Zelândia, eles nos surpreendem, encantam, desencantam, têm a nossa torcida, deixam a gente quase no desespero para, enfim, viverem juntos para sempre. É bonito de ver o amor embalado por Creed, James Blunt e suas baladinhas que fazem o coração bater mais forte, como no – é um spoiler – encontro dos dois na escada rolante do aeroporto de Hong Kong, no final do filme. Claro que não faltaria um aeroporto. Quantas dezenas de vezes aeroportos já foram sinônimos de encontros e desencontros amorosos na história do cinema?

O casal jovem valeu o ingresso. Desperdício foi “Idas e Vindas do Amor”. Por que não me deixei influenciar pelo Ely Azeredo, crítico de “O Globo”, que dificilmente erra e já tinha aniquilado o filme esta manhã? Por quê? A tentativa foi de repetir o filme inglês (bonitinho) “Love Actually” (2003), com aeroporto, é claro, mas sem Colin Firth, Hugh Grant e Rodrigo Santoro. É um elenco de primeira, em que Anne Hathaway (a musa do Carlinhos aqui do Blog) e Jennifer Garner se destacam, enquanto ótimas atrizes como Kathy Blates e Shirley MacLaine e seus fantasmas me perseguem perguntando o que fazem ali. As obviedades se cruzam, como em “Ah… O Amor!”, e todas levam ao final feliz. A “amizade” de Julia Roberts e Bradley Cooper no avião rende um bom texto e desenlace de fazer qualquer mulher se desesperar… Assistir ao Bradley Cooper nos braços de um – é um spoiler – jogador americano é triiiste. Fiquei mal. E para completar o festival dos horrores, o filme ainda” surpreende” com um casamento indiano em pleno dia dos namorados, celebrando a infelicidade das mulheres solteiras. Se você ainda não se convenceu, see for yourself. Agora, se confia na opinião de quem vos escreve, não perca seu tempo. Mesmo.

Finais felizes merecem vida real, pois ter que engolir mesmices no cinema é chatíssimo. O tempo do amor na vida cinematográfica dura 2h ou 90 min, como Paulo Halm sugerirá em poucos dias, assim que “Histórias de Amor duram apenas 90 minutos” entrar em circuito comercial. Até lá, “filmes de amor” permanecerão iguais nos encontros e desencontros.

Helena Sroulevich

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Arquivado em Fundo do Poço (suicídio estético), Helena Sroulevich

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