Jeff “Bad Blake” Bridges espetacular

Mesmo não sendo grande fã de música country, algum desavisado poderia me confundir com um dos tietes do cantor e compositor Bad Blake ao topar comigo correndo como um tarado em direção à sala de cinema mais próxima para conferir “Coração louco” (2009) − “Crazy heart”, no original.

Não, não estamos falando da vida de uma figura real que foi transposta para o cinema, mas bem que poderia ser, tal o desempenho de Jeff Bridges no papel que, com toda justiça, lhe renderá o Oscar de melhor ator. Pois é, gente, a não ser que ocorra uma zebra muito feia, a estatueta é dele.

Em sua estreia no comando de uma produção, o diretor Scott Cooper é um mero mestre de cerimônias neste filme que consagra o talento de Bridges. Baseada no romance homônimo do americano Thomas Cobb, a história nos apresenta o artista country fora de validade Bad Blake (Bridges), que, em seu ocaso, luta para aproveitar o bagaço de sua antiga fama se apresentando para a terceira idade em qualquer buraco que lhe ofereça alguns dólares (e algo para molhar o bico).

Quebrado financeiramente (e fisicamente), Blake se entrega a uma vida itinerante regada a álcool e cigarro. Sua deprimente e suicida rotina se transforma quando ele conhece a jornalista Jean Craddock (Maggie Gyllenhaal, em uma atuação fascinante que rivaliza com sua performance no bizarro e perturbador “A secretária”, 2002).

A doce Jean faz o coração do velho cantor palpitar mais forte, e tenta colocar algo de good na vida desregrada de Bad. Só que o nosso cowboy decadente de voz empapada só percebe isso quando os sentimentos envolvidos estão tencionados no limite, o que acaba partindo corações e enferrujando as cordas da guitarra com lágrimas. Tal fato é um acorde mais grave que leva nosso protagonista à reflexão: Blake vai encontrar na música e na paixão razões para começar a caminhar em linha reta, sóbrio.

Com uma atuação espetacular, o veterano Bridges mergulha de cabeça na mesma fonte rejuvenescedora que inspirou Mickey Rourke no filme “O lutador” (2008). Anabolizados pela adrenalina de profissionais que cumprem seu ofício com a alma, ambos se despem de todos os pudores, preconceitos e ranços que os prendem no terreno da boa atuação para encarnar de forma visceral suas personagens e alcançar algo além.

Este papel deu novo brilho à carreira do ator californiano, da mesma forma que Werner Herzog reinventou Nicolas Cage em “Vício frenético” (2009), salvando-o da mediocridade inaceitável. Abusando da voz que seguramente garantiria a Jeff Bridges um lugar entre os finalistas do programa “American Idol”, o ator, impulsionado por todo o seu conteúdo dramático, não desafina e sai do ostracismo diretamente para a glória, arrepiando quem embarca no seu ritmo. Imperdível!

Carlos Eduardo Bacellar


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5 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Filmaço!!!

5 Respostas para “Jeff “Bad Blake” Bridges espetacular

  1. Erick Costa Fuga

    Bridges estava demais nesse filme!!

  2. Solange Pacheco de Andrade

    Eu amei este filme! Eu viajei “literalmente” na história, é muito bonita… E as músicas, então? São maravilhosas!!! eu gostaria de saber como é que eu faço prá comprar um CD da trilha sonora deste filme Crazy Heart!
    Se puder, me dêem uma dica, por favor! fico aguardando.
    Obrigada,
    Solange Pacheco

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