Encontro inusitado

Ontem fui conferir, como quem não quer nada, o filme “Os inquilinos”, do diretor paranaense Sérgio Bianchi.

Porém, o mais bacana da experiência aconteceu fora da sala de cinema. Pois é… Ainda nauseado por não ter digerido completamente algumas zebras (cruas e destemperadas) que fui obrigado a engolir assistindo à cerimônia do Oscar, tive o prazer de conhecer pessoalmente o crítico de cinema Carlos Alberto Mattos, por quem tenho grande admiração.

Até aquele momento, meu xará era apenas uma voz nos extras do documentário “Santiago” (2007), sabatinando o diretor João Moreira Salles, e algumas palavras em um e-mail simpático. Com textos que marcaram minha formação, eu o enxergava como um Na’vi de três metros de altura, que falava uma língua ininteligível e vivia num mundo próprio, o qual só alcançaria (talvez) depois de anos viajando entre centenas de filmes e livros.

Tive uma grata surpresa ao descobrir um cara aberto, simpático e menor do que eu, mas só na estatura. Quando ele analisa um filme e coloca suas impressões no papel, vira um gigante. Com gestos tranqüilos e voz mansa, o boa-praça Carlos Mattos foi um sal de frutas para a minha indigestão hollywoodiana.

Alguns comentários relevantes:

1)   Como nós, simples mortais, ele vai ao cinema. Eu imaginava que ele possuía um supercomputador em casa. No meu louco devaneio, esta máquina (provavelmente um mainframe que ocuparia todo um cômodo) teria conexão direta com os grandes estúdios e receberia, diretamente em seu HD, as principais novidades do mercado (antes mesmo de o diretor liberar seu corte final). Depois do download, o Carlos iria curtir os filmes em sua TV de LCD de 62 polegadas;

2)   Eu achava que ele só devia aparecer em público com uma daquelas camisas de piloto de Fórmula-1, toda estampada com logomarcas, só que sob o patrocínio de estúdios, locadoras, distribuidores, produtoras etc.;

3)   O papa dos documentários também faz compras na Hortifruti. Só não consigo parar de imaginá-lo escolhendo os legumes pelo melhor enquadramento em seu carrinho e fazendo a análise estética das frutas antes de comprá-las.

É difícil que exista alguém doido por cinema que não conheça o blog do Carlos Alberto Mattos (obrigatório): http://carmattos.wordpress.com/

Se este for o seu caso, caro(a) leitor(a), abandone esta página agora e dê uma espiadinha lá. Mas, por favor, volte.

O filme do Bianchi? No post acima (fui intimado – carinhosamente – pela Helena a escrever sobre o filme).

Carlos Eduardo Bacellar

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3 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar

3 Respostas para “Encontro inusitado

  1. No devaneio tiete, esqueceu o principal: vocês só são xarás porque são os dois “Carlinhos” da minha vida. E, claro, você foi ao cinema comigo! 😉

  2. carmattos

    Xará, você cometeu alguns errinhos neste post. Primeiro, não sou mais baixo que você. Estava curvado para não humilhá-lo com minha estatura descomunal. Segundo, não vou o cinema como qualquer mortal. Aquele com quem você conversou era apenas o avatar que envio para sessões de rotina. Terceiro, no Hortifruti não escolho legumes pela estética, mas pela relação entre realidade, invenção e devir que existe em cada um deles. Apesar dos equívocos, e agora depois de nos conhecermos, continuarei apreciando sua simpatia, amizade e clarividência nos textos. Obrigado pelo belo olhar sobre “Os Inquilinos” no post lá em cima. Seu texto é melhor que o filme – e essa pode bem ser uma das funções da crítica: elevar seu objeto.

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