Entre irmãos, pais, filhos, avós, periquitos e papagaios

O filme ganha vida na “morte” de Sam (Tobey Maguire). Oficial americano capturado pelos afegãos, todos, back in the USA, acreditam que ele está morto depois do choque de um helicóptero. Entre irmãos, pais, filhos, avós, periquitos e papagaios se dá o drama – sem novidades – familiar.

A guerra (doméstica ou não) está no cerne de três gerações – e acaba sendo uma questão hereditária. Sam luta pelos EUA no Afeganistão. Tommy, o irmão, vivido por Jake Gyllenhaal, é ex-detento e acaba de sair da prisão. Hank, o glorioso Sam Shepard, pai dos irmãos, remanescente do terror no Vietnã, é íntimo da morte. E a temática central se dá na desumanização de todos após experiências extremas; reproduzidas como males patológicos de pai para filho e de filho para filhas. Elas, vítimas, protagonizam violência contra o pai, um vivo morto, que substituem, conscientemente ou não, pelo uncle. O talento de Isabelle merece ser sublinhado. Bailee Madison é uma coisa de atriz mirim.

O ódio nutrido pelo cunhado desde os tempos de escola cederá lugar ao amor possível e companheiro. Orfã de pai, mãe e marido, Grace (linda, talentosíssima e ponto alto Natalie Portman), encontrará em Tommy o ombro amigo. E na imaginação, o triângulo amoroso (“entre irmãos”).

Tudo começa e termina na família. E o filme, na culpa católica. Entre irmãos, pais, filhos, avós, periquitos e papagaios, após um conflito, não há possibilidade de vida. Todos morrem. Nem que seja um pouco.

P.S. 1 A sensação dèjá vu acontece algumas dezenas de vezes, seja na nossa família, com outros personagens, é claro, ou mesmo no terreno do cinema indicado ao Oscar 2010, fundindo “O Mensageiro” a “Guerra ao Terror”. Aaarrgggghhh… Que saco!

P.S. 2 Como muito bem assinalou meu companheiro de trabalho, Raphael Vieira (registrem, pois esse nome ainda dará o que falar, um verdadeiro menino prodígio!), os EUA tem que falar da guerra nem que seja para se autojustificar… Então quer dizer que assistindo a estes filmes, a gente ajuda a alimentar a indústria… bélica? E que o Oscar-mor a “Guerra ao Terror” passa por aí? Será?

P.S. 3 A trilha sonora do filme é um pou pourri musical da maior qualidade e vale nem que seja pelos agudos do mestre – sim, Bono Vox.

P.S. 4 Carlinhos, eu vi primeiro!

Helena Sroulevich

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Arquivado em Fundo do Poço (suicídio estético), Helena Sroulevich

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