Ecos do Oscar que a imprensa escrita abafa

“[…] Os sonhos estão bastante desacreditados. Trata-se do mesmo preconceito idiota com que os céticos encaram a poesia […]”

“[…] Conhecem melhor caminho do que a poesia para alcançar o coração das mulheres[…]?”

“[…] A poesia nos chega dos lugares mais inesperados. Hoje mesmo liguei o rádio e tinha uma moça cantando. Não sei quem era. Não aprecio o estilo. Meio eletrônico. Ia mudar de estação quando um dos versos me pegou de surpresa:’Fiz minha casa no teu cangote’. Achei lindo, aquilo […]”

O “Milagrário pessoal” de José Eduardo Agualusa

Vocês alguma vez já imaginaram, ao ler o jornal, como seriam (fisicamente) as pessoas que assinam aqueles textos? Nunca bateu a curiosidade? Conversando com alguns colegas, fiquei surpreso com o estereótipo da jornalista − sim, conversas de homens giram em torno, basicamente, de carro, futebol e mulher (assuntos que ocupam 98% de nossa zona de interesses) − que eles esperam encontrar numa redação: óculos fundo de garrafa (“De tanto ler”), cabelos presos num coque ou rabo de cavalo (“Para não cair no rosto na hora em que eu estiver balançando minha cabeça de raiva”), roupas sóbrias cobrindo cada centímetro do corpo (“Decote pode tirar a atenção do entrevistado. Só utilizado quando queremos distrair o pobre coitado, achando que vai se dar bem, na tentativa de extrairmos on de off”), pele “verde” (“Praia? O que é isso?”), ausência total de maquiagem (“Para quê? Texto precisa de batom?”), unhas quebradas, roídas e malfeitas (“De tanto teclar, extravasar o estresse da rotina frenética e de tanto faltar à manicure por causa do trabalho”), olhar arisco (“Você não está me dizendo toda a verdade!!! Acha que sou amadora?!”), cigarro na ponta dos dedos (“Todos têm o seu vício”) e muitos livros em cima da mesa de trabalho (“Clarice Lispector, basicamente”) escudando a pobre coitada do vouyerismo alheio (“Odeio meu editor!!! Bundão!”).

Eles não poderiam estar mais enganados. Redações escondem segredos. Quem se despir de preconceitos e prestar atenção, enxergará que por trás das palavras pode existir algo, hum…, surpreendente.  Respirem fundo e deem uma olhada na foto abaixo:

(*)

Não, não é uma modelo da Ford Models. Com o charme e a beleza despreocupada de Eva Green, os olhos tristes e sonhadores de Audrey Tautou em “O fabuloso destino de Amélie Poulain” (2001) e uma pitada de existencialismo na atitude, apresento-lhes xxxx, repórter do Segundo Caderno do jornal O Globo. Quem não caiu da cadeira continue comigo.

xxxx referenda o ditado − nem com mil palavras eu conseguiria traduzir a poesia da natureza imortalizada em um arquivo digital.

Mas, vocês devem estar se perguntando: qual a relação entre ela e a sétima arte? Vou chegar lá se vocês pararem de olhar para a foto e continuarem lendo o texto.

Com certeza, estamos familiarizados com os excelentes textos da repórter sobre xxxx e xxxx (especialmente) publicados com frequência no jornal. Mas, com aquele ar desinteressado estilo Zooey Deschanel não-estou-nem-aí-para-você, e olhos expressivos e desafiadores, emoldurados por olheiras que conferem a ela um charme expressionista germânico todo especial, xxxx xxxx guarda muitas surpresas. E uma inteligência e sensibilidade que podem ser medidas pela qualidade do seu trabalho. Seu feito, que esclareço a seguir, está longe de ser algo inesperado.

Além da beleza, que já garantiria escalação no elenco de qualquer produção hollywoodiana e prêmios, a beldade da foto levou o bolão interno do Oscar no jornal este ano.

Ela não tomou conhecimento de referências na crítica cinematográfica como Marcelo Janot, André Miranda, Tom Leão; nem  meu sensei faixa vermelha oitavo Dan, Rodrigo dos Reis da Fonseca, conseguiu superá-la nas apostas – só para ficar entre alguns dos Bonequinhos. Em algum de meus posts anteriores, eu disse que as mulheres iriam dominar o mundo. Estava falando sério (daquela vez) ;-).

Não sei quanto a vocês, mas eu já estou folheando alguns livros de arte, visitando algumas galerias, procurando me infiltrar em algum coletivo (com trabalhos medíocres, admito…) e até tentando marcar um bate-papo com a Beatriz Milhazes, que pode me dar algumas linhas para impressionar. Frases de efeito, metáforas que envolvam o universo das artes visuais, sabem como é… Mulheres inteligentes curtem esse tipo de coisa. Vai que eu topo com ela por aí… Não quero ser pego de calças curtas. E, logicamente, não vai dar para puxar papinho falando sobre o Big Brother, a franquia Crepúsculo ou acerca da minha série na academia que incrementa esses bíceps que Deus me deu.

Tenho certeza de que agora, assim como eu, vocês nunca mais irão ler as matérias assinadas pela xxxx da mesma maneira.

Encerrando este post, a rádio pirata “Doidos por cinema” dedica a música “And I love her”, dos Beatles, (à!!!) morena das xxxx do Globo. Aqui quem fala é Carlos Eduardo “Midnight Mark” Bacellar. Stick around, folks!

Ao ler a matéria de capa da revista Digital do Globo de hoje (ontem, de acordo com o relógio do blog), assinada pelo jornalista André Machado (“As redes dos sem-noção”), que trata da questão do uso indevido de informações publicadas em comunidades virtuais, não fiquei muito seguro se deveria postar no blog a foto da xxxx.

[USO INDEVIDO DE IMAGEM. Postar fotos de terceiros sem autorização pode levar a processo. O artigo 5º Inciso X da Constituição Federal diz que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material e moral] Reprodução de trecho da própria matéria.

Mas, sou destemido. Resolvi correr o risco não calculado. Amanhã ou depois, por causa deste excesso romântico de liberdade, posso ser persona non grata no Segundo Caderno. Ou correr o risco de ser alvejado com um livro de história da arte ao passar pela rua Irineu Marinho. Paciência… Não me arrependerei de nada.

Então, fica o apelo: por favor, senhorita xxxx, não nos acione judicialmente. Caso isso ocorra, não poderemos pagar as custas do processo e teremos que abandonar o blog para trabalhar no camelódromo da Uruguaiana. Tal situação deixaria órfãos de nossos textos espirituosos uma dúzia de leitores – composta basicamente de familiares – que prestigiam nosso trabalho. Tenho certeza de que tudo poderá ser resolvido amigavelmente, num chope após o expediente. Que tal?

(*) A imagem foi retirada do ar porque… Bem, porque ela foi para o ar sem autorização da xxxx, e este texto pode ter sido mal interpretado, ou mesmo repudiado, e não era o efeito pretendido. Quem escreve, e portanto se expõe, corre riscos. Espero que ela não alimente nenhum sentimento negativo a meu respeito. Este é um gesto de carinho, fruto de um encantamento, nada mais (mas, ao mesmo tempo, tudo isso). Fica o pedido de desculpas por qualquer limite ultrapassado. Quem sabe um dia as consequências desta ousadia passional, possivelmente entendida como abuso, possam ser corrigidas e ganharem outros significados?

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2 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar

2 Respostas para “Ecos do Oscar que a imprensa escrita abafa

  1. carmattos

    xxxx, marca logo esse chope porque se não rolar com o Bacellar eu também vou escrever um post no meu blog. Com todo respeito.

  2. “Mariposa apaixonada de Guadalupe”, como outrora sugeriria a Blitz, “A Rádio Atividade leva até vocês
    Mais um programa da séria série
    “Dedique uma canção a quem você ama”. Hehehe.

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