Arquivo do mês: abril 2010

Órfãos de Utopia, herdeiros da Barbárie

“Somos inquilinos do mundo, com várias obrigações,

inclusive a de prestar contas de cada arranhão no fim do contrato.”

(Luis Fernando Veríssimo)

Aquela caixinha de músicas do início de “Utopia e Barbárie” mexeu comigo. Em melodia suave, toca “Internacional” – canção que embalou meus sonhos de adolescência. E o passado militante estudantil e partidário. Se hoje optasse por uma trilha sonora, começaria com “Ideologia”.

Vítimas da fome, famélicos da terra, oprimidos pelo Estado (“Internacional”). Por um mundo mais justo, convocávamos todos. Nas passeatas e comícios do “Fora Collor” ou em defesa da Educação, éramos herdeiros da utopia da redemocratização depois da barbárie do regime pós-64. Tínhamos abraçado a esperança iniciada pelas “Diretas Já” de conduzir o país à Democracia. A nova utopia.

Como estudante secundarista, foram anos de intenso engajamento na “esquerda” brasileira interrompidos quando as utopias cederam lugar às barbáries. Centralismo Democrático (*) mal interpretado e disputa por espaço político nas organizações de massa fizeram com que dirigentes partidários se lembrassem muito pouco – ou quase nada – dos teóricos (das utopias) que tínhamos lido, relido e discutido juntos em inúmeros cursos de formação política. Revoltada, me afastei. Dos partidos.

Aquele garoto que ia mudar o mundo agora assiste a tudo de cima do muro (“Ideologia”). Na Universidade, percebi que a (frustrada) experiência político-partidária não era só minha. A cada disputa pelo Centro Acadêmico, pelo Diretório Central dos Estudantes ou mesmo quando a Faculdade promovia debates com candidatos em épocas de eleições, estava claro que tínhamos muito a dizer. Mas poucos, verdadeiramente, dispostos a nos ouvir, salvo se fizéssemos parte de alguma facção/agremiação. A barbárie nos afastou da utopia.

A barbárie do individualismo substituiu as utopias sócio-políticas e assim estamos há 20 anos. Em nome da utopia do bem-estar e da livre escolha, barbáries monetaristas conquistaram adeptos no mundo todo, evocando o Estado Mínimo e o processo de privatizações. Alimentaram bolsas de valores e o consumo exacerbado e hoje são responsáveis pela barbárie ambiental.

Herdeiros da barbárie, assistimos ao vulcão islandês impronunciável, aos desastres no Haiti, às marés negras nos oceanos.  E também à utopia palestina desintegrar-se em Hamas e Fatah enquanto Barack Obama recebe o Nobel da Paz enviando barbáries (tropas) estadunidenses ao Afeganistão. Órfãos de utopia, vemos “companheiros” no mensalão, ônibus incendiados em retaliação ao controle do tráfico pela polícia, a UNE afastada das questões da Educação, perdida em comportamento chapa-branca. Mas as utopias se renovam na Copa do Mundo (2014) e nas Olímpíadas (2016). Nada contra. Só um alerta: ou deixamos nossa vidinha de classe mérdia e nos responsabilizamos pelo mundo de uma vez por todas, mudando nossas atitudes e padrões de consumo, ou as instalações dos jogos serão soterradas pela próxima barbárie, perdão, enchente, antes mesmo que possamos impedir.

Helena Sroulevich

P.S. Gostei do filme. Cumpre um papel. A partir da verdadeira retrospectiva do século XX e início do XXI, Silvio Tendler me fez refletir sobre minha própria história e atitudes. Se eu tivesse que dar um bonequinho (crítica do Globo) para o filme, teria que inventar um: o bonequinho “bolado”. Me emocionei ao longo da exibição, refleti, fiquei “bolada”. Senti falta de algumas coisas, entretanto. Por que o Silvio trocou sua voz e desejo autobiográfico, algo mais pessoal, pelas palavras de Leticia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad? Por quê, Silvio? Me explica. Não entendi.Também questiono porque dedicou o documentário ao seu neto Ernesto. Nana (sua filha) que me desculpe, mas eu sei que a obra também foi para mim. Aliás, para todos, entre 18-35 anos. Que nós, em um ano de eleições presidenciais, reacendamos nossas utopias depois da assistirmos ao filme. Se você vai votar na Dilma, na Marina ou no Serra, pouco me importa. Apenas gostaria que a diferença fosse feita por nós, por nossos sonhos, por nossa vontade de mudar, pela volta da utopia.  E que nos empenhássemos no debate político. Verdadeiramente. Jovens são feitos destes sentimentos,da vontade de participação. Se você se esqueceu disto, está na hora de lembrar. Se se frustrou (meu caso), lembre-se que um ser humano sem utopias já morreu e não sabe. A opção tem que ser – sempre – pela vida, por construir um mundo melhor, por deixarmos um legado, afinal, somos inquilinos do mundo, cheios de obrigações! Vambora! E vejam o filme no cinema mais perto de você.

(*) É um conceito leninista, uma forma de organização interna, em que questões do partido são amplamente discutidas com a base.  Resolvida a questão, a vontade da maioria prevalece e deve ser acatada por todos.

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Carlos Eduardo Bacellar in Wonderland

Meu estado de espírito pede a canção Alice Underground, da Avril Lavigne. Deixo com vocês o clip da música, que mistura sequências da cantora com cenas do filme. Obscuro como as obras de Tim Burton, e  como meu ânimo hoje. Não fiquem preocupados, daqui a pouco eu melhoro.

O próprio

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Chamado à humanidade

Numa América pós-apocalíptica, pai e filho lutam para sobreviver às provações de tempos implacáveis, e rumam para a costa fugindo da desolação opressora que não parece ter fim. Seca, simples e perturbadora, essa é a premissa de uma das produções mais aguardadas do ano.

Pelas mãos do diretor australiano John Hillcoat, Viggo Mortensen  − em atuação memorável − abraça o papel de um pai desesperado que luta para que seu filho (Kodi Smit-McPhee) tenha um futuro, somente um futuro, seja ele bom ou ruim. O filme “A Estrada” (2009) chega credenciado pela força da literatura do romancista americano Cormac McCarthy, ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 2007 com o livro homônimo.

Na distopia imaginada pelo escritor não existem nomes, pois a identidade se perdeu na catástrofe e só o que resta é o instinto de sobrevivência. Hordas do que antes poderiam ser seres humanos vagam em busca de alimento, mesmo que ele seja a carne de semelhantes. Autor de obras-primas como Onde os velhos não têm vez e Meridiano de Sangue, Cormac conjuga fatalismo, superação e amadurecimento em uma história arrebatadora que tem como cerne o inexpugnável relacionamento entre pai e filho.

A trama, num primeiro momento, pode parecer uma sombria ode à desesperança, mas na verdade é um chamado à humanidade.

No longo caminho em direção ao litoral, a dupla enfrenta todo tipo de situações adversas − as quais contrapõem a bestialidade e a dureza do pai à inocência e ao altruísmo do filho. O menino é a luz que guia o progenitor para fora da caverna escura da barbárie; que impede que o pai perca completamente a chama de sanidade que existe dentro dele − lucidez que se encontra parcialmente latente por causa das contingências escurecidas com as cinzas e a fuligem de uma paisagem desacolhedora.

Destroçado pela escolha suicida da esposa (Charlize Theron), que acabou abandonando os dois nas mãos do destino incerto, o pai luta para ser a referência que o menino precisa para seguir em frente, absorvendo o necessário para continuar respirando.

Combalido tanto física como psicologicamente, ele procura se mostrar impassível, servindo como a muralha de proteção para que sua semente possa germinar e criar raízes robustas – essenciais para os dias vindouros.

Adaptado por Joe Penhall para as telas, a produção expressa alguns vislumbres do que de melhor existe nas entrelinhas da obra de Cormac. A vida que teima em seguir em frente, mesmo nos cenários mais improváveis. E a força motriz por trás disso: o amor filial, sentimento que nem toda devastação e privações conseguem exterminar. Apesar de o livro ter uma profundidade muito mais envolvente e complexa, a tarefa temerária − tanto de Hillcoat como de Penhall − de lidar com as linhas de um mestre merece nosso respeito.

Carlos Eduardo Bacellar


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Exumando a dissensão

O Caderno Prosa & Verso, do jornal O Globo, publicou, neste sábado, artigo indispensável da polivalente (a mulher é tudo: professora, escritora, crítica literária…) pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa Flora Süssekind, que coloca em xeque o exercício da crítica literária.

Flora parte da análise dos necrológicos necrológios do crítico Wilson Martins para desenvolver, com retórica rebuscada e feroz, raciocínio acerca do que entende como “o apequenamento e a perda de conteúdo significativo da discussão crítica, assim como da dimensão social da literatura no país nas últimas décadas”.

Alertando para a pasteurização da crítica literária, que procura homogenizar a arte, livrando sua exegese de possíveis formas de dissensão, ela desvela o lado perverso da função que, atrelada ao poder mercadológico, é forçada a se enquadrar à linha ideológica do padrão econômico dominante – que força o contínuo crescimento do número de exemplares, em descompasso com o alcance da produção, o faturamento das editoras e a capacidade de absorção por parte de consumidores e bibliotecas. Em decorrência disso, temos o esvaziamento do espaço de discussão, deturpado pela eugenia macabra das letras.

Transcrevo algumas palavras de Flora:

“Qual o interesse de um comentário crítico quando se pode obter muito mais visibilidade para escritores e lançamentos por meio de entrevistas, notas em colunas sociais e participações em eventos de todo tipo? Fabricam-se nomes e títulos vendáveis, vende-se, sobretudo o nome das editoras, e sua capacidade de descobrir “novos talentos” semestralmente, ao sabor das feiras literárias. E, nesse sentido, formas dissentâneas de percepção, como a crítica, se mostram particularmente incômodas. Formas personalistas e estabilizadoras, ao contrário, se esvaziadas, parecem continuar benvindas. Se adotado o perfil do colunista que “sabe ficar no seu lugar”, que funciona, com voz opiniática, e sem maiores tensões, como moldura quase invisível, inconsequente, para o que o mercado editorial ou o próprio veículo quiser referendar. Se desse lugar sem qualquer ressonância não houver condições reais de intervenção, formulação de questões relevantes e expansão do mínimo espaço público talvez ainda disponível para um exercício crítico que não se confunda inteiramente com busca de prestígio ou com um guia de consumo”.

No fim das contas, para a engrenagem do sistema capitalista girar, a magia de Harry Potter deve ser mais forte que a do Bruxo do Cosme Velho – fato que transcende o mero ato de escrever sobre. E fazendo analogia com a política, no que diz respeito à demanda: ninguém mais se interessa por debates ideológicos. No exercício de comparação, ganha o “produto” com a melhor roupagem.

A professora destacou extratos de alguns necrológicos necrológios escritos por conta da morte do célebre crítico, em janeiro último. E sobram caracteres afiados para todo mundo. As brigas entre profissionais para ver quem possui o maior membro – “Pois não há lugar para cordialidade alguma num campo cuja retração e desimportância amesquinham e tornam ainda mais cruenta a disputa por posições, pelos mínimos sinais de prestígio e por quaisquer possibilidades de autorreferendo. Daí a truculência preventiva, propositadamente categórica, emocionalizada, nada especulativa”; a inércia de pessoas que poderiam elevar a voz e apontar na direção contrária, mas se omitem por falta de colhão; a política de mercado, mais preocupada com teorias econômicas que com teorias sociais; nem o Wilson Martins (que Deus o tenha) escapou, sendo tachado de bibliotecário-arquivista de luxo, e não visto como uma figura com experiência analítica invejável. Como não poderia deixar de ser diferente, a isenção de seus textos para veículos de comunicação também foi questionada.

E o motivo de toda verborragia? O cinema, (quase) sempre ele. Aproveito o gancho para salientar o dever da crítica cinematográfica. Sei que é assunto polêmico, repleto de zonas cinza, mas profissionais que se pretendem sérios devem flanar acima de ditames mercadológicos e idiossincrasias enviesadas (olha só quem fala…). O deslumbramento deve ser comedido e técnico. Sei que as tentações são muitas, e é fácil escorregar na casca de banana que achamos ser alguma barra de chocolate.

Flora, gosto de mulheres como a senhora. Impetuosas, corajosas e que não contemporizam. Acredito que este verbo precisa ser deixado um pouco de lado pela crítica. Transigir é preciso. Se não há dissensão, não há arte. Viva a divergência! Precisamos de mais especialistas que falem para somente 3 pessoas, mas que sejam ouvidos e, com seu conhecimento, possibilitem o desenvolvimento do espírito crítico. A senhora iluminou o meu sábado com suas palavras.

O Exocet completo vocês podem conferir no blog do Prosa: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/04/24/a-critica-como-papel-de-bala-286122.asp

Carlos Eduardo “a voz que não se cala” Bacellar

p.s. Eu sabia que meu encontro fortuito com o Miguel Conde, num sebo (local bem sugestivo) da Zona Sul, era o prenúncio de que algo estava por vir. Espero que ele tenha gostado do filme “Mother” tanto quanto eu. Ah, sim, Miguel… Nunca me esqueci do “Cachorro do Vampiro de Cabul”. Você precisa exercitar com mais freqüência esse seu lado galhofeiro, meu garoto. Essa sua cara séria não me convence 😉

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Alice (de volta) no País das Maravilhas

No início deste ano, “Sherlock Holmes”, dirigido por Guy Ritchie, chegou às telas. O Lord inglês esguio, vestindo sobretudo e cap xadrez, cedeu lugar a um detetive cartesiano e antenadíssimo dichavado entre bíceps de Van Damme e atitudes de 007. Há quem tenha odiado, mas era a nova safra repaginada que se anunciava e que hoje conta com mais um título: “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton.

O filme que acaba de estrear, livremente inspirado em contos de Lewis Carroll, revela a  (n0va) jovem Alice (Mia Wasikowska). Se no passado seguia o Coelho Branco — o de colete e relógio no bolso –, apenas impulsionada pela descoberta infantil, agora busca a auto-afirmação do começo da fase adulta. Sofrendo pressão da sociedade britânica para definir seu futuro — se casar –, segue o rastro do coelho até cair no poço. No fim da queda, (re)encontra o “País das Maravilhas”, onde a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) reina soberana na maldade enquanto sua irmã, a Rainha Branca (Anne Hathaway), e o Chapeleiro (Johnny Depp) a aguardam heroína e capaz de restaurar o Bem no mundo da fantasia.

Durante pouco mais de 1h40min, o que se vê na ousada obra de Tim Burton (grande animador e designer) é uma mistura de espetáculo visual surpreendente — mais pela Direção de Arte do que pelos efeitos 3D — com roteiro de corajosa autoralidade. Como no caso de “Sherlock Holmes”, a releitura da obra clássica vem impregnada de ação, buscando aproximar o público do que seria um super-herói contemporâneo. “Elementar, meu caro Watson”.

No mano a mano, entretanto, Guy Ritchie é mais feliz. Favorecido, principalmente, pela excepcional montagem, o “Sherlock” do século XXI convence do início ao fim. No caso de “Alice”, a personagem altiva, guerreira e senhora do seu destino que aparece no final do filme merecia um tratamento mais contundente, emotivo e até reflexivo ao longo da narrativa. Tim Burton não convence. A Alice cheia de dúvidas lá do começo da história não passa por experiências (de transformação) suficientes para torná-la tão valente no final. E quase tudo, do meio até o fim da obra, acaba sendo meio gratuito. Uma pena.

Helena Sroulevich

p.s. “Alice no País das Maravilhas” era a estreia da temporada mais aguardada por mim. O frenesi foi tamanho que garanti meu ingresso — para a primeira sessão legendada e em 3D do Arteplex –, há mais de uma semana, enquanto recebia atualizações via Twitter e Facebook de amigos sortudos que já tinham assistido ao filme no Brasil ou no exterior. Não sei se foi por conta da minha ansiedade, mas a sessão, originalmente programada às 17h30, atrasou em 1h, desafiando os funcionários do Unibanco Arteplex que não conseguiam fazer a cópia (digital) funcionar. A eles e aos impacientes que não esperaram a resolução do problema, segue o manual da Disney para projeções 3D de Alice. Divirtam-se:

http://digitalcinema.disney.com/assets/pdf/BV-AIW_Proj-Notice_FNL-MECH.pdf

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Goodbye mediocridade

Talvez não seja a função precípua da sétima arte, quem sabe apenas o subproduto de pretensões estéticas?, mas é muitas vezes a emoção a responsável por tocar nosso cerne e, consequentemente, lotar salas de cinema.

Com “Goodbye Solo” (2008), o jovem diretor americano Ramin Bahrani, de 34 anos, nos evolve com a história − ao mesmo tempo simples e arrebatadora − de uma amizade inusitada que floresce nas entrelinhas do desespero no momento em que ele se choca com a esperança.

O taxista senegalês Solo (o magistral Souleymane Sy Savane), radicado nos EUA, pega em umas de suas corridas o rabugento William (Red West), um senhor que lhe faz uma proposta tentadora. Solo receberá mil dólares se, no dia 20 de outubro, levá-lo até uma região montanhosa conhecida por seus fortes ventos que, dizem, faz a neve subir da terra para o céu.

Não tarda para Solo se lembrar de que “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Intrigado com as atitudes de William, o taxista nota sinais de uma profunda depressão. Ele não consegue entender o motivo daquela tristeza, e o velho não deseja explicar quão fundo é o poço em que (acredita) se encontra. Mas nosso protagonista é tenaz e, num esforço de curiosidade, começa a montar o quebra-cabeça que impede seu mais novo amigo de enxergar um futuro.

O senegalês, não num impulso altruísta, mas humanitário, resolve mostrar ao inflexível William que a vida ainda guarda muitas alegrias. O filme pode ser entendido como a redenção de “Medo e Obsessão” (2004), do realizador alemão Wim Wenders. Desta vez a arte dá um drible no preconceito e alimenta a compreensão e o companheirismo construídos no olhar — a paranoia pela destruição se transforma na cisma com a preservação.

Solo é verborrágico e aberto, enquanto William é lacônico e enigmático. Este parece não ter ninguém; aquele se preocupa com sua família, que conta com seu auxílio e carinho. Apesar de pertencerem a universos distintos, os dois assimilam que o que realmente importa não precisa ser traduzido, nem ao menos dito, somente sentido.

Solo acaba aceitando o fato de que não pode demover William de sua vontade. E entende que, mesmo nas horas mais sombrias, um ombro amigo é mais do que necessário – não para mudar o rumo dos acontecimentos, mas, simplesmente, para estar lá.

A interação entre os dois atores é sublime, e algo difícil de ser encontrado no meio de tantas atuações rasteiras que inundam todo tipo de produção hoje em dia. Na linha de realizadores autorais americanos como Noah Baumbach, Ramin Bahrani acerta na mão e deixa suas estrelas brilharem.

Procure o filme na locadora mais próxima de sua casa. Vale cada centavo.

Carlos Eduardo Bacellar

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“Quando abrimos a mente para o impossível, encontramos a verdade”

A sugestiva frase, utilizada como título deste post, da lavra do Dr. Walter Bishop, traduz bem o universo explorado por “Fringe”, série que leva a assinatura do mestre J. J. Abrams e que se tornou a nova febre dos aficionados pelo enigmático/bizarro/inexplicável — órfãos de “Arquivo X”.

Na última semana, o programa ambientou o episódio (“Peter”) nos anos 80. Nele, um Dr. Bishop (John Noble) mais jovem interfere nas leis da física que vedam brincadeiras entre universos paralelos, e acabamos descobrindo a verdadeira origem de Peter Bishop (Joshua Jackson), filho do cientista.

A sacação dos criadores da série foi elaborar uma abertura especial à moda década perdida. Eu achei que tinha descoberto a pólvora quando vi isso, mas foi só entrar no Google para ver milhares de registros que já me deixaram mais furado que queijo suíço. De qualquer maneira, acho bacana reproduzir aqui no blog as duas sequências de abertura, que são demais! Espero que essa moda pegue. Já imaginaram?

Para quem ainda não conhece “Fringe” (provavelmente acabou de chegar de Marte), o Warner Channel exibe os episódios inéditos da série todas as terças, às 23h. Façam como eu, aproveitem o embalo para engatar direto, num só fôlego, “Lost”, “Flash Forward” e as aventuras da Divisão Fringe do FBI.

Seguem os vídeos:

Tradicional

Temática anos 80

Carlos Eduardo Bacellar

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