“Capitalismo”: gás hilariante

Michael Moore me deu a certeza: “Capitalismo” produz efeitos de gás hilariante. Combinando duas moléculas de nitrogênio a uma de oxigênio, o resultado do consumo provoca contrações involuntárias nos maxilares (região da boca, sabe?) e dá a impressão que o sujeito está rindo à toa. Só impressão. Na verdade, ele está cavando a própria cova;  e o aparente sorriso é uma forma bem humorada (cada um se defende como pode…) de anunciar a própria morte. É que o gás do riso é letal… Sacou?

Em geral, é esta a linha adotada em “Capitalismo: uma história de amor”, programado no “É Tudo Verdade”. No novo documentário, indicado ao Leão de Ouro do Festival de Veneza no ano passado, o “super-herói” Michael Moore conclama padres, troianos, despejados, endividados até o último fio de cabelo, pilotos mal pagos, artistas, grevistas, gregos, congressistas, operadores do mercado de Wall Street e quem mais tiver pela frente a salvar “Gotham City” (Nova Iorque) dos interesses inescrupulosos do mercado financeiro.

O filme é particularmente feliz na montagem (bacana) e ao reler o sonho liberal de Roosevelt na era Reagan, que transformou o American Way of Life em crise cambial, desemprego e hipotecas durante os anos Bush. Para quem gosta de Economia (ou estudou a dita, que é o meu caso), a narrativa bebe na fonte dos teóricos Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx e Milton Friedman. Porém Yes, nós temos bananas e o filme escorrega no excesso de narração, na exacerbação à vitória de Barack Obama (algo compreensível, pois os americanos – e o mundo – ainda estavam eufóricos com o novo presidente no momento de montagem do documentário) e no lado excêntrico e eloquente do personagem  – de quadrinhos – Michael Moore. Confesso: por um lado, me enche de risadas e estímulos; por outro, me cansa.

Concluindo: passível de crítica é a sugestão que o diretor faz de substituirmos Capitalismo por Democracia. Alô Mr. Moore, o primeiro é um sistema econômico e o segundo, político. Mas como tudo que almejo é viver em Democracia plena, e isto passa – necessariamente – por um entendimento  político deste conceito pelas instituições econômicas e financeiras, passo essa. E digo: não perca o filme. Você vai chorar de rir e ninguém morrerá depois de assistí-lo!

Helena Sroulevich

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1 comentário

Arquivado em Helena Sroulevich, Quase uma Brastemp

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