Alice (de volta) no País das Maravilhas

No início deste ano, “Sherlock Holmes”, dirigido por Guy Ritchie, chegou às telas. O Lord inglês esguio, vestindo sobretudo e cap xadrez, cedeu lugar a um detetive cartesiano e antenadíssimo dichavado entre bíceps de Van Damme e atitudes de 007. Há quem tenha odiado, mas era a nova safra repaginada que se anunciava e que hoje conta com mais um título: “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton.

O filme que acaba de estrear, livremente inspirado em contos de Lewis Carroll, revela a  (n0va) jovem Alice (Mia Wasikowska). Se no passado seguia o Coelho Branco — o de colete e relógio no bolso –, apenas impulsionada pela descoberta infantil, agora busca a auto-afirmação do começo da fase adulta. Sofrendo pressão da sociedade britânica para definir seu futuro — se casar –, segue o rastro do coelho até cair no poço. No fim da queda, (re)encontra o “País das Maravilhas”, onde a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) reina soberana na maldade enquanto sua irmã, a Rainha Branca (Anne Hathaway), e o Chapeleiro (Johnny Depp) a aguardam heroína e capaz de restaurar o Bem no mundo da fantasia.

Durante pouco mais de 1h40min, o que se vê na ousada obra de Tim Burton (grande animador e designer) é uma mistura de espetáculo visual surpreendente — mais pela Direção de Arte do que pelos efeitos 3D — com roteiro de corajosa autoralidade. Como no caso de “Sherlock Holmes”, a releitura da obra clássica vem impregnada de ação, buscando aproximar o público do que seria um super-herói contemporâneo. “Elementar, meu caro Watson”.

No mano a mano, entretanto, Guy Ritchie é mais feliz. Favorecido, principalmente, pela excepcional montagem, o “Sherlock” do século XXI convence do início ao fim. No caso de “Alice”, a personagem altiva, guerreira e senhora do seu destino que aparece no final do filme merecia um tratamento mais contundente, emotivo e até reflexivo ao longo da narrativa. Tim Burton não convence. A Alice cheia de dúvidas lá do começo da história não passa por experiências (de transformação) suficientes para torná-la tão valente no final. E quase tudo, do meio até o fim da obra, acaba sendo meio gratuito. Uma pena.

Helena Sroulevich

p.s. “Alice no País das Maravilhas” era a estreia da temporada mais aguardada por mim. O frenesi foi tamanho que garanti meu ingresso — para a primeira sessão legendada e em 3D do Arteplex –, há mais de uma semana, enquanto recebia atualizações via Twitter e Facebook de amigos sortudos que já tinham assistido ao filme no Brasil ou no exterior. Não sei se foi por conta da minha ansiedade, mas a sessão, originalmente programada às 17h30, atrasou em 1h, desafiando os funcionários do Unibanco Arteplex que não conseguiam fazer a cópia (digital) funcionar. A eles e aos impacientes que não esperaram a resolução do problema, segue o manual da Disney para projeções 3D de Alice. Divirtam-se:

http://digitalcinema.disney.com/assets/pdf/BV-AIW_Proj-Notice_FNL-MECH.pdf

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1 comentário

Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Helena Sroulevich, Quase uma Brastemp

Uma resposta para “Alice (de volta) no País das Maravilhas

  1. Carlos Eduardo Bacellar

    As últimas três linhas do seu texto dizem tudo. Deixei para comentar só agora porque, na ocasião em que você publicou o post, eu ainda não tinha visto o filme. Sua sensibilidade desmistificou algo que estava me incomodando e eu não conseguia expressar. Garota esperta! Apesar disso, Tim Burton deixou seu talento impresso ali, principalmente no que diz respeito à ambientação da trama.

    Beijos!

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