Reminiscência

Revirando o disco rígido do computador (no tempo da vovó era baú), descobri essa pequena pérola escondida sob montes de entulho digital. São algumas linhas que escrevi sobre o filme “Quem quer ser um milionário?”, do diretor inglês Danny Boyle. A produção acabou arrematando 8 estatuetas em 2009, inclusive o Oscar de melhor filme.

Foi com esse texto que comecei a externar, efetivamente, minha paixão pela crítica cinematográfica. É sempre bom contextualizar. Na época, o filme tinha acabado de estreiar e a novela Caminho das Índias — sucesso de público e crítica –, escrita por Glória Perez, ainda estava fresca no imaginário popular.

Evitei fazer qualquer tipo de alteração. Então, espero que vocês me perdoem por possíveis erros (inclusive de forma), rompantes apaixonados despropositados, impressões equivocadas, análises estéticas enviesadas etc. São as linhas de quem se arrisca pela primeira vez.

Ah, sim… Graças a Deus eu continuo errando! Acredito no seguinte: a pessoa que sabe que pode errar está sempre alerta, e nunca se deixa inebriar pela soberba. Enxergar e refletir sobre meus deslizes me faz melhor a cada dia.

Espero que vocês gostem do Carlos Eduardo old school. Inocente e impetuoso. A inocência me possibilita exercitar um olhar incomum, e acabo enxergando coisas que mais ninguém enxerga; a impetuosidade não permite o meu cerceamento e me dá liberdade para ousar. Espero que essas características me acompanhem para o resto da vida.

Chega de balela! Segue o texto como foi concebido inicialmente, na íntegra:

Esqueçam o romance entre Bahuan e Maya na novela das 20h. O verdadeiro caminho das Índias – e do Oscar – é a produção “Quem quer ser um milionário?” (Slumdog millionaire, no original), do diretor inglês Danny Boyle – que evoca elementos de “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles, e do programa “Show do Milhão”, de Silvio Santos.

Após estar à frente de produções de destaque como “Trainspotting” (1996) e “Extermínio” (2003), o nome de Boyle é sempre associado à expectativa, mesmo tendo também realizado obras duvidosas, como “Caiu do céu” (2004).

A história de Jamal Malik (Dev Patel, na fase mais velha), 18 anos, morador de uma das favelas de Bombaim, que se torna a principal participante do quiz show mais famoso da Índia, é fundamentalmente uma exaltação ao amor.

Desde cedo, Jamal se apaixona por Latika (Freida Pinto, na fase mais velha) –  menina que compartilha com ele a mesma realidade sofrida da população pobre da Índia –, e sabe que ela é o seu destino, palavra esta que transpira por todos os poros da produção. Ele participa do jogo de perguntas e respostas por ela, para poder ter condições de livrá-la de uma vida degradante e de privações. Fará qualquer coisa para tê-la ao seu lado, mesmo que isso custe um desentendimento grave com seu irmão Salim (Madhur Mittal, na fase mais velha).

Mas o que pode saber um auxiliar de call center? Como ele pode ir tão longe num jogo em que médicos, advogados e pessoas que tiveram uma sorte completamente diferente da dele na vida sucumbiram? Ao longo do filme, percebemos que o que interessa não é saber as respostas, mas receber as perguntas certas. Essa pode ser toda a diferença entre o sucesso e o fracasso, e o que determina isso (adivinhem?) é algo que muitos definem como destino.

Latika (gata! Juliana Paes que se cuide) é o verdadeiro tesouro de Jamal, mais importante que qualquer prêmio. O verdadeiro amor para muitos vale ouro. E o jovem acertou na loteria antes de entrar no “Show do Milhão” indiano, só que ele ainda irá descobrir isso.


Vocês devem estar se perguntando: o rapaz ganha o prêmio máximo? Acho que a pergunta correta é: ele fica com a garota? No final, isso é tudo que mais importa para Jamal. O amor é uma necessidade, o dinheiro que vier é lucro.

Agora, vamos à pergunta de 20 milhões de Rúpias: “Slumdog millionaire” ganhará o Oscar? Provavelmente. Mas, a essa altura, a resposta (e a estatueta) não é o mais importante. O que realmente marca é a qualidade desta obra de Boyle, que mexe com as nossas emoções, arrepia até o último fio de cabelo e finca seu pé no seleto grupo de obras-primas da sétima arte. E, além de tudo isso, o filme é lindo.

Carlos Eduardo Bacellar


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2 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Filmaço!!!

2 Respostas para “Reminiscência

  1. Paulo Henrique Souto

    Pena que os as crianças do filme tenham retornado a India onde ainda vivem na miséria, algo parecido aconteceu com Pixote no Brasil, virou até filme do Joffily. Crianças não são atores , elas brincam, ator é para mais velhos, que estudaram arte dramática ou similar . Lembro de Constantin Stanslavski no seu famoso ” metodo ” ele nos ensina que para ser bom na arte de interpretar observemos as crianças no caminho da escola,em casa na rua, elas fazem de um grão de areia um castelo, ou seja criança brinca( play ) .A imprensa brasileira volta e meia enaltece crianças que aparecem na TV , errado no meu ponto de vista, é frustante.A maioria nem sabe o que quer, quando crescem preferem engenharia , ou outra profissão. abs.

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