Arquivo do mês: junho 2010

Segura, coração!

“E assim descansam os dois amantes um ao lado do outro.
A quietude paira sobre sua morada; anjos serenos, seus afins,
olham-nos do espaço. E que momento feliz aquele
em que, um dia, despertarão juntos!”
(“As Afinidades Eletivas”, Goethe)

Para quem achava que “As Afinidades Eletivas” eram química na Ciência ou na obra (emblemática) de Goethe, ledo engano. Os pares Vitória e Lorde Melbourne e Albert e Vitória chegaram ao cinema do século XXI (*)  e, inevitavelmente atraídos, formaram casais. Por pouco mais de 1h40, eles “buscam-se um ao outro, atraem-se, ligam-se um ao outro e a seguir ressurgem dessa união íntima numa forma renovada e imprevista.” Segura, coração!

A Jovem Rainha Vitória, filme em cartaz, trata dos primeiros anos de ascensão ao poder da pequena regente. Despreparada e superprotegida, pobre moça indefesa,Vitória (Emily Blunt) sobe ao trono britânico, logo da morte de seu tio Guilherme IV.

Dominada pela mãe possessiva (Miranda Richardson), a heroína romântica se aproxima do primo Albert de Saxe-Coburg (Rupert Friend), Príncipe da Bélgica, antes mesmo de ser coroada. É na troca de olhares, sorrisos, passos de dança e, principalmente, correspondências (confidentes) que a intimidade entre eles se estabelece. Com Lorde Melbourne (Paul Bettany), a história é diferente. É ele, Primeiro Ministro, que se aproxima da recém empossada alteza e oferece seu “ombro amigo”. Comovida e, sobretudo, desamparada, Vitória o nomeia seu tutor político e com ele compartilha seus desafios diários.

Dividida entre dois homens conselheiros  (e por que não, dois amores!), Vitória deflagra uma grave crise institucional, que somente finda quando um deles tira seu time de campo (afinal, estamos em época de Copa do Mundo) e o outro é declarado seu amor verdadeiro. Segura, coração!

P.S. Se você achou este post muito mela cueca, perdão. Eu sou a mulherzinha do blog e constantemente digo que nasci no século errado. 😉 Talvez esteja aí a explicação.

(*) No século XX, mas precisamente em 1996, os irmãos Paolo e Vittorio Taviani fizeram uma adaptação cinematográfica carregada de Passione do romance “As Afinidades Eletivas” de Goethe. Vale conferir! Segura, coração!

Helena Sroulevich


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Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Helena Sroulevich

Não desligue o seu celular

Os festivais de cinema também se renderam ao conceito do momento: portabilidade − que vem atrelado às novas plataformas de criação e difusão de conteúdo audiovisual.

Alguém com uma ideia na cabeça e um celular ao alcance da mão? O festival de micrometragens* Cel.U.Cine vai instigá-lo a tirar o aparelho do bolso e se tornar um cineasta, em vez de ficar gastando bateria só tirando fotos e ouvindo músicas. O estímulo? Prêmios em dinheiro.

Pioneiro no Brasil, o Cel.U.Cine alimenta o desejo de promover a produção, difusão e segmentação de conteúdos audiovisuais para a mídia celular, por meio da descoberta de novos realizadores, incrementando o mercado audiovisual e estimulando a cultura de produção em novos formatos. Segundo Marco Altberg, coordenador geral do Cel.U.Cine, o festival vai ao encontro da demanda por novas mídias que estão em constante transformação.

O festival abre duas inscrições temáticas, das quais são selecionados cinco finalistas de cada fase. Um corpo de jurados composto por Selton Mello, José Wilker, Cora Rónai e Adriana Alcantra será o responsável pela escolha dos projetos.

Aproveitando o rebuliço em torno da Copa do Mundo, o tema da primeira etapa não poderia ser outro: “O mundo é uma bola – Vivemos em círculos”. As inscrições foram prorrogadas até o dia 10 de julho.

As dez realizações selecionadas concorrerão ao primeiro prêmio numa etapa final, que será realizada durante o Festival do Rio. Serão recebidos filmes desenvolvidos a partir de mídias digitais como celulares, câmeras de fotos digitais e mini-DV.

O primeiro colocado receberá R$ 15 mil, o segundo R$ 7 mil e o terceiro R$ 5 mil. As dez produções garimpadas pelo júri também ganharão telefones celulares.

Podem participar criações com duração entre trinta segundos e três minutos, de qualquer gênero, feitas por profissionais ou amadores. Os organizadores estimulam a elaboração de filmes para celular em todas as linguagens possíveis: registro da realidade, encenação ficcional, animação, formatos inusitados ou a mistura de todas elas.

No ano passado, mais de 600 micrometragens foram enviadas, e o festival premiou produções de todo Brasil, contemplando jovens realizadores e projetos coletivos.

O Cel.U.Cine, importando o conceito da própria mídia – a tão propalada portabilidade − não tem sede fixa. Bem dentro da atmosfera do que é proposto, vai até seu público, até os festivais, é um projeto itinerante. Desde sua nova formatação em 2009, firmou parceria com diversos festivais brasileiros, produzindo workshops, ações de comunicação e outras atividades.

O festival, que conta com o patrocínio exclusivo da Oi, é promovido pela Associação Revista do Cinema Brasileiro em parceria com o Oi Futuro. Essa é a terceira edição, que teve início em 2008, durante o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Mais informações no site http://www.celucine.com.br.

Carlos Eduardo Bacellar

*Para aqueles que não conhecem, ainda não existe uma definição exata para o conceito de micrometragem, mas é consenso entre a maioria dos profissionais que uma peça de até 3 minutos, filmada em celular, câmera digital ou mini-DV pode ser entendida como micro. Segundo o site da Agência Nacional de Cinema (Ancine), as outras categorias de filme são: curta- metragem – até 15 minutos de duração; média-metragem – mais de 15 minutos e até de 70 minutos de duração; longa-metragem – mais de 70 minutos de duração.


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Soporífero

Não costumo contemplar filmes de que não gosto, mas estou encarando esse tipo de trabalho como um serviço de utilidade pública. Dito isso…

Poesias, assim como o amor, não carecem de explicações ou traduções. O sentimento que flui do papel (ou de dois corações que batem no mesmo compasso) deve ser absorvido, e não interpretado. É isso que diferencia poetas de cientistas.

“Brilho de uma paixão” (2009), da diretora neozelandesa Jane Campion, subestima (e irrita) a sensibilidade do público tentando representar um belíssimo romance que floresce entre duas almas aparentemente díspares na forma de poesia explícita.

Sem desmerecer direção de arte, ambientação de época, figurino e fotografia, atributos belíssimos da produção, a encenação peca ao paramentar o romance entre o poeta John Keats (Ben Whishaw) e a bela jovem Fanny Brawne (Abbie Cornish) com as páginas pouco exploradas (na época) dos livros de Keats. O sentimento é exposto como se fosse um cisne com cauda de pavão – não aberta, revelando todo seu esplendor, mas fechada, arrastando nossa paciência.

O que acontece entre os dois não precisa ser emoldurado por versos ou rimas, mas intensificado por gestos, olhares e atitudes  que deveriam superar as convenções e desculpas morais que obrigam os pombinhos oitocentistas a se contorcerem separados.

Um sujeito que sentou ao meu lado literalmente dormiu e se pôs a roncar. Mais soporífero que o filme só mesmo a atuação da nossa seleção de futebol contra o escrete luso.

Eu me considero um cara romântico, mas a realização de Campion me lembrou uma versão letárgica e metida a inteligente da saga Crepúsculo — sem os vampiros, o que torna a coisa toda muito menos interessante.

É melhor entrar na sala ao lado para se deleitar com o silêncio pungente de “Mademoiselle Chambon”. Esse, sim, um filmaço!

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Acreditem vocês: o gato utilizado nas filmagens é mencionado nos créditos (Topper). Nada contra, mas será que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pensa em criar uma categoria para premiar a fauna artística?

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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Fuja dessa roubada!!!

Novo doc de Michael Moore na locadora mais próxima de sua casa

Dessa vez Michael Moore aponta suas lentes cínicas e ácidas para as rachaduras do sistema econômico liberal, expondo os desequilíbrios provocados pela busca desenfreada por lucros, meta cega de alguns, em detrimento do bem-estar da maior parte da sociedade.

Capitalismo: uma história de amor (2009), novo documentário do cineasta mais controverso da América, acaba de chegar às locadoras. Sem vez na agenda do circuito exibidor, está fresquinho, fresquinho na estante, esperando para conquistar sua atenção com aquela capa amarelo ovo.

O diretor de “Fahrenheit 9/11” (2004) e “Tiros em Columbine” (2002) nos faz estremecer na poltrona ao revelar a deturpação dos valores morais em sociedades de consumo — nas quais o ter é mais importante do que ser — e o esmagamento do indivíduo que se debate em desespero sobre toneladas de dólares (dos outros).

Lembrando que minha colega de blog, Helena, assistiu ao filme no último É tudo verdade e escreveu uma crítica inspirada:

https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/04/14/capitalismo-gas-hilariante/

Essa garota me enche de orgulho. Escrever no mesmo espaço que gente tão talentosa aumenta a responsabilidade.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Aproveito para agradecer a tolerância dos meus amigos que trabalham na Vídeo Estação de Botafogo. Quase sempre fico de tocaia, esperando os filmes chegarem, e não tenho a menor paciência para aguardar a catalogação dos DVDs no sistema. Se pudesse, levava o filme para casa na caixa da distribuidora. Abraços para o Gabriel, o Rogério e a Luiza. Os três levam numa boa a minha ansiedade (que, em determinadas situações, descamba para o abuso).

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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Filmaço!!!

Topografia de um Desnudo

Àqueles cinéfilos que quiserem celebrar o caldo (verde-amarelo) que daremos em Portugal na sexta-feira, a dica: “Topografia de um Desnudo”, da cineasta Teresa Aguiar, terá pré-estreia no Cine Odeon Petrobras às 19h. Isto mesmo: 25 de Junho às 19h.

Mas pré-estreia em dia de jogo do Brasil, Helena? 🙂

É isto mesmo!

E não tem desculpa para não prestigiar, galera. Até o Lima Duarte estará lá… A entrada custa R$ 10 (meia é R$ 5) e o evento, às 19h.

Se você se organizar bem (eu sou virginiana! :-), dá pra tirar onda que assistiu ao filme na pré-estreia, participou do debate e ainda viu o jogo do Brasil no telão do Cine Odeon – opção aos previamente credenciados  (detalhes no site do Grupo Estação http://www.grupoestacao.com.br). Outras boas possibilidades na região são as feijoadas (bombadas) do Teatro Rival em dias de jogo, além do Alzirão e da Arena FIFA Fun que ficam a um metrô de distância. E depois? Night na Lapa!

BORA!

Detalhes do interessante filme no site: http://www.topografideumdesnudo.com.br

A exibição do filme será seguida do debate “Imprensa, Estado e População de Rua” com os seguintes participantes: Teresa Aguiar (diretora), Ariane Porto (cineasta, atriz e produtora), Iara Cruz (membro da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro), Leonardo Cunha (defensor público, membro do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro), Marcelo Silva (militante do Movimento Nacional de População de Rua, membro do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional da população em situação de rua) e Reimont Santa Bárbara (vereador e presidente da Comissão de acompanhamento, estudo e análise da situação da população adulta de rua da Câmara Municipal do Rio de Janeiro). A moderação será de Luciano Rocco (diretor-presidente da Organização Civil de Ação Social – Revistas Ocas).

Helena Sroulevich

 

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Arquivado em Helena Sroulevich

Michael Douglas em seu dia de Dunga

A criatividade do brasileiro, com frequência, se estende para o terreno do humor escrachado, graças a Deus!

Rola pela rede paródia dos entreveros entre nosso estimado técnico e a imprensa — que utiliza como matéria-prima o filme “Um dia de fúria” (1993), do diretor Joel Schumacher. Genialmente, a criação agrega a “sensibilidade” verbal de Dunga à encenação do astro Michael Douglas. Encarnando William ‘D-Fens’ Fos…, digo, Dunga, ele externa todas as suas frustrações com a, digamos, inexorabilidade da imprensa.

Quem for sensível a vitupérios, por favor, esqueça este vídeo e acesse o blog da turma da Mônica. Não me refiro ao [P…!], Mauricio!, ok?

Carlos Eduardo Bacellar

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“The cove” de graça na Internet

Cinéfilo se defende como pode. Viva a Internet, que resolveu os problemas de distribuição.

“The cove”, documentário ganhador do Oscar 2010, sobre o qual falei num post anterior, pode ser visto em streaming no seguinte endereço: http://documentaryheaven.com/the-cove/

Já que o circuito brasileiro ainda não comprou o passe do filme (sabe-se lá a razão), fica a dica para quem estiver interessado. Vale muito a pena.

Carlos Eduardo Bacellar

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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Filmaço!!!