Bigas Luna reifica libido em busca da panaceia contra frustrações

Interessado(a) em experiências sexuais heterodoxas? Desejos que pendem para o bizarro? Homossexualismo desenfreado? Que tal uma versão gay sadomasoquista do Javier “Anton Chigurh” Bardem?

Prepare-se! Tem tudo isso e algo mais em “Las edades de Lulú” (no original), do diretor espanhol Bigas Luna. Lançada em 1990, a produção escandaliza ao tratar sem pudores dos delírios mais enlouquecidos de dois amantes que mergulham de cabeça no hedonismo do corpo – e, consequentemente, esbarram nas perniciosidades derivadas do excesso.

A história narra a paixão de Lulu (Francesca Neri) por um homem mais velho, Pablo (Óscar Ladoire), amigo de seu irmão. O envolvimento tem início ainda na adolescência de Lulu, época de dúvidas e descobertas. De quatro por Pablo (com trocadilho), ela nutre um sentimento que mantém seu coração batendo descompassado por anos, até que consegue levá-lo para o altar.

A cumplicidade sexual do casal começa de forma inocente (com a famosa mão boba por dentro da blusa), evolui para jogos de prazer a dois mais ousados e deságua em práticas que envolvem homossexualismo, incesto e tendências sadomasoquistas. A ausência de rédeas fascina e assusta Lulu, que é atraída para uma zona de insegurança da qual não consegue se desvencilhar.

Bigas Luna radiografa as frustrações de uma mulher que encontra sua válvula de escape em determinadas modalidades de sexo. Ela descobrirá que a busca pelo prazer (seu alucinógeno), se desfrutada fora de determinados limites, pode ter como consequência resultados desastrosos. Sem saber como equilibrar racionalidade e desejo, ela impele seu corpo até a fronteira da prudência que separa o controle do descontrole.

“As idades…” seria uma versão ocidental mais amena de “O império dos sentidos” (1976), de Nagisa Oshima, se entendermos que, nos dois filmes, sexo e perigo são separados por uma linha tênue chamada autopreservação.

Merece um olhar mais cuidadoso a cena em que o travesti Ely (María Barranco) embarca num ménage à trois com Lulu e Pablo. O casal, perdido em seu próprio desejo, esquece de Ely que, exteriorizando sua solidão e o passivo de carinho de que sofre, chora ao se masturbar a pedido de Pablo, enquanto este penetra sua esposa. Mas, fora as bizarrices do sexo heterodoxo exploradas pelas lentes do cineasta espanhol, o melhor são as cenas tórridas de amor (convencional, se é que isso existe) entre Pablo e Lulu que têm com som de fundo Walk on the wild side, interpretada pelo cantor, guitarrista e compositor americano Lou Reed.

Aplausos para Bigas Luna, que faz da ousadia e da coragem instrumentos que detonam a carapaça do puritanismo hipócrita e mostra os corpos suados que pulsam por trás, inebriados de luxúria.

Ah, sim… Você deve estar se perguntando sober o Javier Bardem. Bom, assista ao filme.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Pesquisando sobre o realizador, encontrei um texto muito interessante, de autoria da Magda Miranda, no blog da Carla Marinho. Para quem interessar possa: http://purviance13.blogspot.com/2010/05/bigas-luna.html

Material não recomendado para quem não curte tico-tico no fubá:

http://www.metacafe.com/watch/2158613/francesca_neri_in_las_edades_de_lulu/

No embalo de Lou Reed:


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