O Bonequinho viu…

E eu também. Na página 6 do “Segundo Caderno” de “O Globo” de hoje, o espaço dedicado a “A saga Crepúsculo: Eclipse” assusta. Das 204 salas comerciais de cinema existentes no estado do Rio de Janeiro, os vampiros da Paris Filmes nos esperam em 78 delas, ocupando quase 40% do mercado.

Vampiros concentrados. Com a praia comprometida no inverno, o jeito é investir o domingão em algum shopping center espalhado pelo estado. Combinando segurança, praça de alimentação, estacionamento e supercinemas, torna-se A opção do carioca quando o assunto é diversão nas férias de julho. Raciocínio compartilhado pela Paris Filmes. A estratégia da distribuidora foi concentrar o lançamento do vampiresco “A saga Crepúsculo: Eclipse” mordendo a jugular de TODOS os Multiplex (complexo de cinemas) de shopping centers do estado.

Pescoço bom é pescoço mordido. No Cinemark Downtown, o título pode ser conferido em metade das salas disponíveis, ou seja, 6. No UCI New York City Center, o filme está em 8 das 18. Quatro é o número de salas ocupadas pela obra no Cinemark Carioca (Vicente de Carvalho), no Multiplex Caxias Shopping e no UCI Kinoplex (Del Castilho). No Shopping Iguatemi (Vila Isabel), no Cinesystem Bangu, no West Shopping (Campo Grande), no Via Parque da Barra da Tijuca, no Kinoplex Grande Rio (São João do Meriti),  no Cinemark Botafogo, no Kinoplex Nova América (Del Castilho) ou no Shopping Tijuca, a mordida compromete 3 salas de cada um destes complexos. Já o Madureira Shopping, o Rio Sul (Botafogo), o Cinemark Plaza Shopping (Niterói) e o Box Cinemas São Gonçalo Shopping contam com duas cópias da saga em cada.  Demais complexos de cinema em shoppings têm exibições em APENAS uma de suas salas.

Na próxima terça-feira, o jornal deve publicar o resultado de bilheteria do filme neste fim de semana de estreia. Alguém duvida do estouro que será?  Com estes ingredientes de mercado, não precisamos (alô, Carlinhos!) nem nos dar ao trabalho de escrever resenhas da obra. Se as férias de verão foram da Fox com “Avatar” e “Alvim e os Esquilos 2”, no Independence Day,  quem faz a festa é a Paris.

Helena Sroulevich

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10 Comentários

Arquivado em Helena Sroulevich

10 Respostas para “O Bonequinho viu…

  1. Helena, eu ainda tenho algum bom-senso, né?!
    Beijos!
    CEB

  2. Paulo Henrique Souto

    Helena cherrie, desde de sempre os Caubóis e depois os Rambos, ocupam nossas salas, antes, no meu tempo de Embrafilme tinha lei de obrigatoriedade de 150 dias para filmes Brasileiros, hoje, me parece são 29 dias, ninguém cumpre , pagam multa e fica por isso mesmo. O que falta é vontade politica, e veja que o numero de salas reduziu , e muito…Homem Aranha , etc etc , e agora os filmes da Globo, ocupam o pouco espaço que temos (?? ?) Você, uma grande , pesquisadora procure o número de filmes que estão nas prateleias, premiados nos festivais e quetais. E os documentários então? Alguns ótimos, só passam no Rio SP , BH e poucas
    capitais, em horarios picados que afugenta público, morrem na praia na primeira semana.
    E lembro ainda que exibições em festivais(mais de 100 no pais) não formam platéia, quem vai a festival é cinéfilo por natureza. E vamos em frente que logo, logo a vem Silvestre Stalone , o Rambo dos anos 80 ,agora”diretor”, com filme ruim e sua boca torta , ocupar centenas de salas Brasil afora.
    Bjs.
    bjs…

  3. Carlinhos, claro que você tem bom senso. E eu não sei disso? 🙂

    Paulo Henrique, este papo de mercado dá pano pra manga… Há muitas coisas que eu queria comentar, como parte de uma reflexão maior, mas deixei passar. Estou querendo ouvir o que pessoas, como você, sentem quando vêem esta realidade do circuito comercial estampada na cara.

    Beijos aos 2!

  4. carmattos

    Pois é, meu bem, pra que resenha, né?
    Nem eles precisam de mim, nem eu deles.
    Beijos, Carlinhos

  5. … me assusta é ter gente pra lotar todas essas salas. Há todo o discurso de que gosto não se discute, mas tudo tem limite (será mesmo?); ou espera-se que tenha.

    Beijos

  6. Pois é, “Script”… 🙂 Eu tô me coçando pra te responder aqui. Costumo refletir bastante sobre os “porquês” do mercado, mas estou temerosa de colocar mais minhocas na sua cabeça. Risos… Ao que me parece, a aposta do distribuidor, no caso, a Paris Filmes, é, de certa forma, influenciar o gosto do público de cinema sim. Como há uma preferência (revelada) do consumidor de cinema por produtos estrangeiros (há pesquisas de consumo de cinema que revelam estes dados), estamos em época de férias escolares e universitárias e a média etária do público frequentador é de 14-29 anos, filmes como “Eclipse” tendem a se tornar um estouro de mercado; principalmente se tiverem um volumoso lançamento e uma grande presença nas salas (e shoppings, como escrevi acima). Seria o encontro da demanda com a oferta. Pelo menos, minha visão passa muito por aí. E a tua? Beijos!

  7. Perdi meu comentário… Isso não é legal.

    Enfim, o que ia dizer é que o sucesso desse tipo de campanha se deve ao terreno fertilizado com muitoooo adubo que ela encontra.

    Beijos

  8. Não é legal mesmo perder comentários. É isso mesmo. E bota adubo (cópias) nas salas de cinema! Bjs.

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