O Rio é coisa de cinema!

A paisagem da Cidade Maravilhosa, a todo instante perpassada por encontros e desencontros, mudos e (aparentemente) insignificantes, inspira ideias que mereciam ser roteirizadas.

Imagine a seguinte cena, que poderia muito bem pertencer a um filme de Woody Allen (se subtrairmos a esquizofrenia):

Após extenuante dia de labuta, o personagem X resolve sublimar as frustrações, digerir os sapos que foi obrigado a engolir e oxigenar o pensamento curtindo um final de tarde na Lagoa Rodrigo de Freitas.


Chegando lá, ele se arrisca numa corrida para queimar as calorias extras que se acumularam ao longo dos anos, por culpa de sua rotina burguesa. Perdido em devaneios, nosso corredor amador avista a distância uma figura conhecida. Quando a proximidade certifica os traços de identidade, ele reconhece Cintia Howlett.

Por uma fração de segundo, no instante em que os olhos travam contato, tudo e nada ficam suspensos na interseção das incertezas entre possibilidades e impossibilidades — o compartilhamento silencioso de almas que muito provavelmente nunca se conhecerão. O momento apoteótico, elo entre quatro janelas iluminadas de viço, é fugaz.

Brilhando de suor sob os últimos tentáculos do poente, como que besuntada de óleo de amêndoas, Cintia – de short e camiseta pretos, com os cabelos presos num rabo de cavalo (sim, sou específico) − cruza com nosso corredor, que é envolvido por uma fragrância inebriante ao tangenciar o vácuo da corredora – rastro que, ao ser perturbado, o abraça como uma brisa quente na tarde fria de inverno, abalando seu equilíbrio e hipnotizando-o. O vórtice anóxico criado pelo deslocamento do corpo esguio de Cintia no espaço preenche expectativas com o doce aroma da completa ausência de nada existir.

O encanto, efêmero, dura o tempo de uma respiração, mas impregna a imaginação para sempre. Olhando novamente à frente, agora sentindo os efeitos de outro tipo de vazio, o personagem X intui que deixou naquele instante uma parte de si.


Amálgama de ficção e realidade, tal situação também renderia um excelente curta ou (falso?!) documentário.

O Rio é ou não é cinematográfico?

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Alguém pode me explicar como um mulher, mesmo toda suada, após um exercício físico puxado, pode continuar cheirando bem, como se tivesse acabado de sair de um banho com sabonete Dove?

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10 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Uncategorized

10 Respostas para “O Rio é coisa de cinema!

  1. 1)Mutação genética
    2) Amor
    3) ?

    Acredite, depende MUITO da mulher… E até do homem; dizem que o Beckham continua cheiroso depois do jogo.

    • Olha só… Isso não quer dizer que eu utilizo desodorante fora da validade, viu?
      Acho que essa história sobre o Beckham é folclore.
      Vou pedir a orientação da minha dermatologista. Rsrsrsrsrsrsrsrs!
      E, sim, acredito em você, road map of me 🙂
      Abraços!
      CEB

      • Mas eu nem cogitei essa possibilidade…
        A história do Beckham foi espalhada por jogadores de futebol… Se é ou não é, aí já não sei, mas também não me habilitaria a dar uma “fungadinha”.

  2. Gente, vamos lá!

    Sendo (virginiana) prática:

    1. Beckham (até fedorento) rola!

    2. Cintia faz Yoga comigo. Passa lá no Nirvana que te apresento pra ela. Vamos marcar um açaí na tigela com granola e banana que ela topa! Ah, mas tem que ser orgânico!

    3. Carlinhos, você descreveu um curta-metragem perfeito. Eu tenho alguns elementos a agregar. Bora rodar? Por que não iniciamos um roteiro colaborativo?

    4. Sou mais a vista da casa da mamãe. Da próxima vez, “roube” a foto que está no meu album do Facebook. Hehe.

    Beijos aos 2!

    • É bem a cara de virgem fazer listinhas… rs
      Ia responder a sua lista, mas como não é da minha conta, o melhor é ficar shiiiiiiiiiip :-#

    • Fecho contigo nos itens 2, 3 e 4. O número 1 eu deixo passar. E lembre-se: o trabalho deve ser “uma ocupação para encher o dia, mas não o coração”. Essa é da Lionel Shriver.
      De minha parte digo o seguinte: o trabalho deve ser algo que dá tangibilidade às suas aspirações, e nunca a areia movediça que irá atravancar suas paixões.
      É só o meu lado poeta querendo marcar algo com você.
      Saudades da amiga.
      Beijos!
      CEB

      • Lionel é demais. E eu perdi na Flip e na Travessa. Looser total.
        Agora, e quando o trabalho vem da alma, da essência? E aí, tatuí, como é que faz? 🙂 Meu trabalho ocupa meu coração sim. Lembra que eu, pra render, tenho que estar apaixonada? Essa droga de obstinação me persegue. Fazer o que? Mas, como boa rebelde, dou minhas escapadinhas. Posso garantir que tem gente aí que não tá reclamando não… Ah! Mistério! 😀

      • Ah, maldade… Depois a gente vai conversar melhor sobre esse mistério. Concordo com você. Seu sucesso vem da paixão com que você se entrega ao seu ofício.
        Era só uma lamúria de um amigo saudoso.
        Beijos!
        CEB

      • Pra ficar no escopo do post, marcamos um run (pela manhã) na Lagoa, nesta semana, que tal? E não me venha com xurumelas (lamúrias, no meu vocabulário!). Assim a gente vai se preparando para a chegada da “script” no Rio… Quando (finalmente) nos vir, terá certeza da mutação estilo X-MEN (ou Luciano Huck, Leandra Leal) – seres capazes de jogar nas 11 – vão ao cinema, fofocam na internet, namoram e ainda são sarados! 😉 hehe!

      • Hahahahahahaha! Fechado!
        Beijos!
        CEB

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