“The Expendables”: prós e contras indispensáveis

Prós:

1)  Sylvester Stallone conseguiu fazer com que Jason Statham realmente sorrisse diante das câmeras. Não aquele sorriso discreto, do machão que reluta em demonstrar sentimentos, mas um sorriso que expõe toda a arcada dentária de Statham. O dentista dele deve estar orgulhoso;

2)  Ressuscitaram Dolph Lundgren. Um papel medíocre, é verdade, mas pelo menos ele apareceu novamente. De tão grande, ele quase não cabe no enquadramento;

3)  Giselle Itié. Além de ostentar aquela beleza latina caliente… Bom, tenho certeza de que ela possui outros talentos;

4)  Terry Crews num papel terciário, mas psicótico. Ator que aproveitou sua ínfima participação para tentar convencer o púbico de que seu personagem precisa ser internado na mesma instituição que manteve o Dr. Hannibal Lecter enjaulado. E ele consegue;

5)  Não me lembro de um filme com tanta destruição gratuita. Quem tem o espírito trinitrotoluênico irá se fartar;

6)  Jet “Happy Feet” Li e seu complexo de inferioridade. Rende diálogos hilários e quebra nossa expectativa semeando a insegurança no imbatível mestre de artes marciais;

7)  A participação dos irmãos lutadores Antonio Rodrigo e Antonio Rogério Nogueira, mais conhecidos como Minotauro e Minotouro. Os dois guardas pretorianos que todo ditador fascista de um país de terceiro mundo gostaria de ter;

8)  A homenagem bélica de Stallone ao Velho Oeste de Sergio Leone e Clint Eastwood;

9)  A condescendência de Stallone com a figura de Dolph Lundgren. O diretor não quis estigmatizá-lo como o único mercenário fora da panela. Nobre;

10) O carisma de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis. Os dois astros brilham numa pontinha espirituosa. Se eu colocasse as mãos no que só um deles ganhou para realizar essa participação especial, não trabalhava nunca mais.

Contras:

1)  Stallone, após sucessivas plásticas e a ingestão de anabolizantes em excesso, está tão decrépito quanto seu colega Mickey Rourke. A ruína física deles agride nossas retinas. O eterno Rambo mais parece uma massa de modelar que foi batida no liquidificador. Não posso olhar para nenhum dos dois depois de almoçar;

2)  Muita testosterona e pouco estrogênio. Não é à toa que as boates no Rio cobram mais caro pela entrada dos cuecas. Infelizmente essa forma artificial de buscar o equilíbrio hormonal não tem dado muito certo. Resultado? No filme e fora dele: disputas bobas de macho, muita briga, mortes aos borbotões e nenhum sexo. Beijo na boca?! Só um, e bem mixuruca. Máquinas mortíferas precisam extravasar sua virilidade de outra forma que não transformando gente em suco de tomate;

3)  Não recomendado para menores de 16 anos?! Eu não levaria um filho menor de 21 anos para assistir a toda aquela carnificina desenfreada. Filha nem pensar. Nem que ela fosse a Lady Gaga. Pensando num programa romântico? Esqueça;

4)  Steve Austin certamente será enquadrado na lei Maria da Penha (sem falar no crime de tortura). Ele mergulhou fundo no personagem e se excedeu. Aquele “tapinha” na Giselle não foi de amor;

5)  O que dizer de Eric Roberts? Bem, digamos que eu prefiro a irmã;

6)  Randy Couture?! Ele só está ali porque deve ser amigo pessoal do Stallone. Aquela explicação sobre a origem da orelha de couve-flor é patética e completamente dispensável;

7)  Se eu fosse o diretor-ator, logicamente teria colocado como condição primeira para investir no projeto diversas cenas de beijo e sexo entre Giselle e mim;

8)  Alguém conhece um ditador que teve crise de consciência e desistiu de embolsar milhões de dólares? Peça ao David Zayas para explicar a atitude de seu personagem;

9)  Alguém interessado em ler um trabalho sério sobre a privatização militar? Leia “Blackwater − A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo” (Ed. Companhia das Letras), do jornalista americano Jeremy Scahill. Uma pérola do jornalismo investigativo;

10) Numa das cenas finais, na qual Stallone contracena com Giselle, somos acometidos por um quê de tristeza inconsciente. O ator delineia a si próprio como uma figura paterna, que não desperta mais a libido das mulheres (ou não tem pretensões mais ousadas), e marca os estertores do arquétipo stalloniano.

Carlos Eduardo Bacellar

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6 Comentários

Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Carlos Eduardo Bacellar

6 Respostas para ““The Expendables”: prós e contras indispensáveis

  1. Desisti de procurar no google a imagem dos “atores”…
    A “polêmica” extra filme seria um contra?
    Beijos…

  2. DANI

    ela mandou bem no filme melhor que que eles todos já conhecidos

  3. Pingback: Ocaso do cidadão nacional | Doidos por Cinema

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