Nasce uma diretora

Helen Hunt estreia na direção de longas demonstrando o mesmo talento, maturidade e segurança que esbanja em seus trabalhos como atriz.

Em “Quando me apaixono” (“Then she found me”, no original), filme de 2007 que chega tardiamente ao circuito exibidor nacional, Helen arquiteta o estresse emocional de April Epner, professora do ensino infantil que, de uma tacada só, é abandonada pelo marido Bem (Matthew “Ferris Bueller” Broderick), sofre com a morte da mãe, descobre a verdadeira identidade de sua mãe biológica (a impagável Bette Midler) e é cortejada pelo galã cinquentão Frank (Colin Firth), que traz a tiracolo dois pimpolhos de um casamento frustrado.

Criada na religião judaica, April questiona sua fé ao tentar equilibrar suas oscilações sentimentais com as desilusões de um sonho antigo: a vontade de engravidar. Dividida entre os desejos da pele e do coração, Helen relativiza o conceito de fidelidade e ilustra com sensibilidade a angústia de uma mulher que deseja estabilizar sua vida, mas não consegue interpretar os sinais das circunstâncias e do acaso e focar no que é melhor para ela.

Utilizando como matriz um excelente roteiro – o qual Helen também assina, juntamente com Alice Arlen e Victor Levin – a diretora consegue de Colin Firth o que ele tem de melhor: o ator inglês (delira, Helena!) encarna como ninguém o papel do romântico banana que traz agregado à sua timidez o ruído de sua comunicação afetiva. Ou seja, ele se torna irresistível para a mulherada.

“A Helen Hunt até que é gatinha, mas o meu coração palpita mais forte por outra Helena — aquela dos trópicos, produtora de cinema que fala Português. Por isso aceitei o papel em ‘Love actually’ e me esforcei tanto para arranhar o idioma de Camões.”

Helen Hunt − no que talvez seja o melhor papel de sua carreira −, desgastada e crua devido à inexorabilidade do tempo e (graças a Deus!) à ausência de plásticas, desmistifica o ícone feminino hollywoodiano e traz à baila os dilemas de uma mulher de verdade, de carne e osso, que poderia muito bem ser sua vizinha. Com total domínio do olhar e da expressão corporal, a atriz encurta a distância que separa a encenação do ceticismo do público; e traduz em gestos os dilemas morais que atormentam sua personagem, tornando-a humana.

Temperando humor e drama/paixão e decepção na medida certa, “Quando…” é tragicômico e irresistível como a vida.

PQP! Eu sou doido por cinema! Pronto… Desabafei…

Carlos Eduardo Bacellar

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9 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Filmaço!!!

9 Respostas para “Nasce uma diretora

  1. Tati

    Oi, Carlos. Vi que deu RT em um tweet meu e assim cheguei ao seu blog. Muito bacana o espaço. Já linkei com o meu blog. Vamos trocar mais informação. bjs

  2. O meu desabafo é: PQP quero ter tempo de ver filme!

    Esse me interessou, vamos ver se consigo ver… E a lista só vai engordando!

  3. Uhuuuuuuuu!!!
    Foi pra mim então?
    E eu nem me chamo Aurélia, gente! 😀

    ELE É TUDO DE BOM!
    Me amarro no Colin Firth e já tô desesperada por ainda não ter conferido a obra. Essa paixão por 5xFavela (que me levou ao cinema 5x só esta semana) e pela vida de militante política estão acabando com o meu tempo…
    Ai, eu vou escapar hoje e dar um “confere” no Colin!! Juro!!
    Beijos, Carlinhos, e obrigada pela “homenagem”. Você é fooooofo! Ah… Dá meu telefone pro Colin! Hahaha!

  4. Vamos conversar sim qualquer dia desses. Só precisamos marcar… rs
    Beijos

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