Arquivo do mês: setembro 2010

Triângulo escaleno (pseudo)amoroso

Já é difícil dividir as atenções da pessoa amada com qualquer outro ser, animado ou inanimado. Afinal, todos nós queremos exclusividade. Imagine, então, ter que disputar o objeto de desejo com seu melhor amigo.

Esse é o argumento de “Amores imaginários” (2010), do diretor canadense Xavier Dolan, produção que integra a seção dor de cotovelo do Festival do Rio. Quem leu o primeiro parágrafo deve estar imaginando que é mais um filminho de amor não correspondido, mais um dentre milhares que jorram aos borbotões. Pois bem, imaginou errado.

Dolan, também roteirista do longa, colocou a criatividade para funcionar e resolveu brincar com a congruência dos lados de um triângulo equilátero amoroso convencional, colocando os inseparáveis amigos Francis (o próprio Dolan) e Marie (Monia Chokri) em cantos opostos do ringue na disputa pelo coração de Nicolas (Niels Schneider), Adônis que incendeia a libido (e a imaginação) dos dois.

O detalhe é que Francis é gay, fato que fará com que a mulherada repense seriamente a opção de manter um amigo homossexual tão próximo do seu microcosmo de interesses amorosos.

O trio acaba se aproximando e criando elos ambíguos – mutantes dentro da escala que vai da paixão ao ódio − em torno da figura andrógina e maldosamente lúdica de Nicolas.

Ignorados por seu objeto de desejo (que parecer tripudiar dos sentimentos da dupla), Francis e Marie disputam um jogo de antropofagia sentimental – caracterizado pelo silêncio malicioso, intrigas e sutilezas egoístas, pelo menos até o momento em que máscara estoica cai, e o decoro é mandado às favas − carregado de projeções e obsessões, e colocam sua amizade em risco por uma idealização ilusória.

Emulando a fotografia almodovariana, e moldando sua direção de arte com elementos de temática kitsch e vintage, o realizador canadense procura criar uma assinatura estética própria. Atores talentosos e afinados, diálogos inteligentes e carregados de bom-humor (encorpados no patético), encenação bipolar (oscilando da depressão à euforia, variação típica dos apaixonados).

“Amores…” mistura o estouro de cores de “Volver” (Almodóvar, 2006) + a melancolia e a direção de arte de “Hora de voltar” (Zach Braff, 2004) + a espirituosidade e a criatividade narrativa ao retratar o tema rejeição de “500 dias com ela” (Marc Webb, 2009) e emplaca seu tratado (inusitado) acerca do pé na bunda em língua francesa.

Focando suas lentes nos lados desse triângulo (pseudo)amoroso escaleno, de ângulos indecifráveis pela geometria sentimental subjetiva de cada um dos protagonistas, o incipiente diretor não transcende, mas desperta a atenção da crítica e do público.

Interessou-se? A última sessão do filme no Festival foi exibida no último dia 26. A culpa não é minha… Estava ocupado assistindo aos filmes.

Agora só resta rezar para que “Amores…”  seja distribuído por aqui.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. A trilha sonora é outro componente que singulariza o clima da produção. Os personagens oscilam da desesperança à expectativa, voltando ao estado depressivo, numa ciranda de autossabotagem, na suavidade explosiva de “Bang Bang”, interpretada por Dalida. Saiba mais sobre a trilha aqui.

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#FestivaldoRio – 140 caracteres dos primeiros 5 dias!

“Pinto no lixo”.  É assim que os cinéfilos cariocas se sentem em seu carnaval fora de época – o Festival do Rio. “A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho” e aproveita cada uma das 300 “micaretas” a nosso dispor.  E o resultado você conhece nas microresenhas (do Twitter) logo abaixo. Tem de tudo.  Coisa de “Doidos por Cinema”. E de “pinto no lixo”.

#FestivaldoRio Em ‘Comer, Rezar, Amar’ come-se bastante, reza-se o suficiente, mas amar mesmo, viu, ninguém ama. Next, Joolia.
#FestivaldoRio Em ‘A Mulher Sem Piano’, a senhorinha, tadinha, ficou sem piano. E eu, sem paciência.
#FestivaldoRio ‘Cortina de Fumaça’ é um doc cujo diretor resolveu fazer porque, de súbito, se interessou pelo problema das drogazzzzzzz
‘A Empregada’ é o primeiro GRANDE filme do #FestivaldoRio. Narrativa e estética compactuando com perfeição. Imperdível.
#FestivaldoRio ‘Sinto sua falta’ não faz jus ao filme, mais um drama centrado na ditadura argentina. Nunca acontece.
#FestivaldoRio dúvida: ou “buraco negro/l’autre monde” é uma obra-prima ou é uma bomba pretensiosa !
#FestivaldoRio A cabine ontem de COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO foi ótima!Vale a pena ver este documentário,histórias de quem vive a realidade!
#FestivaldoRio SINTO SUA FALTA: Javier (15 anos) é forçado a deixar a Argentina por causa da ditadura militar dos anos 70.Filme perfeito!
#FestivaldoRio “À oeste de Plutão” retrata bem o jeito blasé que os adolescentes lidam com o mundo!!! Pra variar, gostei muito e indico!
O canadense A ÚLTIMA FUGA foi uma otima surpresa.Discute a questão de se tornar velho e indejado. Viver ou morrer? #ficaadica #FestivaldoRio
‘Cartas do Deserto’ até que tem seu charme! #FestivaldoRio
‘Kedma’ é um filme tenso, mas desta vez a tensão ficou por conta das muitas reclamações contra o ar-condicionado! #megafrio #FestivaldoRio
Faltou ao final de ‘Além da Estrada’ uma cartela do tipo “Visitem o Uruguai, comprem Omo e Qualy”. #FestivaldoRio
‘Essential Killing’ é um belo exercício de estilo. Excepcional trabalho de som e Gallo na garra. #FestivaldoRio
@tiagodearagao

#FestivaldoRio Zona Sur: retrato ficcional da aristocracia falida boliviana. Sem uma forte narrativa, o filme magnificamente observa.
Mulher Sem Piano com ótimos enquadramtos, força nas imagens e poucas falas. Ótimo filme sobre mulher que decide mudar sua rotina. #FestivaldoRio
#FestivaldoRio Fragmentos de Godard: O diretor, figura inquieta e inquietante, faz valer o filme. Só ele. Vindo da Le Fresnoy, esperava mais.
Foge da classificação comum “José&Pilar”.  Emocionante, viceral, essencial como o mestre. #FestivaldoRio
“A oeste de plutao” e +1 bom canadense,retratando o universo adolescente de quebec. Em alguns momentos me lembrou gus van sant #FestivaldoRio
“Mine Vaganti”, ótimo filme italiano. A criativa e poética sequência final me lembrou Fellini. Muito bonito. #FestivaldoRio
#FestivaldoRio Zhang Yimou cria faroeste kurosawiano que imbrica ganância, poder e traição num quebra-cabeça de dissimulações e humor negro.
“Minhas mães e meu pai” se saiu bem+do q eu esperava. Apesar dos cliches o filme aborda lucidamente o relacionamento gay familia #FestivaldoRio
#FestivaldoRio Chanchada de Zhang Yimou refere-se tanto aos Coen quanto a ele próprio (Ju Dou, Lanternas, Adagas). Diversão ocasional.
#FestivaldoRio Vi “José & Pilar” na cadeira atrás de Pilar e do diretor. Ela sorria docemente para a tela. Alguns choravam, não vi motivo.
@carmattos

#FestivaldoRio O argumento pode ser um fiapo, mas RISCADO faz um belo tecido de atuações, música e fotografia. Odeon em estado de graça.
#FestivaldoRio ‘Amores imaginários’ foca nos lados de triângulo (pseudo)amoroso escaleno de ângulos indecifráveis pela geometria sentimental.
#FestivaldoRio ‘The kids are all right’ desmistifica rotina de família não convencional:inteligente e bem-humorado. Dramas são assexuados.
#FestivaldoRio “Mario Filho” tem Nelson Rodrigues, João Maximo, apologia ao futebol brasileiro e O jornalista. É muita coisa.
#FestivaldoRio “Vips” é 5X Wagner Moura genial em um roteiro foda de Bráulio Mantovani com produção da O2. Falar o que mais? VEJA!
“Rio Sonata”: documentário simples, que te faz lembrar que o Rio é muito lindo e que a voz de Nana Caymmi é apaixonante! #FestivaldoRio
Tio Bonmee virou uma assombração no #FestivaldoRio Ninguém sabe, ninguém viu.
‘Elvis & Madona’ é o primeiro momento vergonha alheia do #FestivaldoRio. Tudo dá errado, e os protagonistas não são menos que péssimos.
‘Rio Sonata’ é doc quadradão que se deslumbra tanto com o Rio que se esquece da Nana Caymmi. Dá pro gasto. #FestivaldoRio
Cansei dos filmes turcos. Esse “Ayla” foi a gota dagua. Dramas novelescos nao estou podendo #FestivaldoRio
#FestivaldoRio “Memória Cubana”: me surpreendi positivamente c/o doc que mostra toda a genialidade de santiago alvarez e o trabalho do icaic.
Acabo de assistir o italiano “Ovelha Negra”, A. Celestini. De forma lírica ele conta a vida de um esquizofrênico. Bom filme! #FestivaldoRio
Vi “Minhas mães e meu pai”. O tema ultra contemporâneo retratado de forma divertida e sensível. Super recomendo! #FestivaldoRio
‘a woman, a gun and a noodle shop’ super fun, direção ótima, adaptação legal dos irmãos coen – apesar d personagens caricatos #FestivaldoRio
Vi também o nacional “Riscado” no Odeon. ADOREI! Retrato fiel da realidade de quem busca reconhecimento por meio da arte. #FestivaldoRio
Ontem vi “A boca do lobo”. Confesso que não gostei. Acho que a obra poderia ter sido resumida a um curta. #FestivaldoRio
#FestivaldoRio 180º: O filme contava com os elemento certos p/ um bom desenvolvimento, uma boa idéia de roteiro entrelaçado… mas perdeu-se
Minhas Mães e Meu Pai é um filme ‘inho’: bonitinho, engraçadinho, quadradinho, bem atuadinho. destaque pra Annette Bening #festivaldorio

Riscado é um dos filmes mais cruéis do cinema brasileiro recente. Um grande roteiro, uma grande atriz. De fazer chorar.  #FestivaldoRio
Complexo: Universo Paralelo é mais uma visão chapada da favela, com todos os clichês presentes, apesar da visão ‘externa’ #FestivaldoRio
Diário de uma Busca é uma jornada tão pessoal em busca do passado que fica difícil acomparnhar por vezes. E é longo d+. #FestivaldoRio
E será que com o divertido “Elvis e Madona” nasce o gênero do “queer cinema” no circuito comercial brasileiro? #FestivaldoRio

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Dramas humanos não distinguem opção sexual

Nas planilhas Excel de quem transita pelo circuito do Festival do Rio, disposto a conferir o máximo de filmes possível, uma das produções obrigatórias é “The kids are all right” (no original).

A diretora californiana Lisa Cholodenko, que tem o currículo recheado de experiências com séries de televisão, aproveitou o fascínio da atriz Julianne Moore por projetos mais autorais e a cooptou para, ao lado de Annette Bening, desmistificar os dramas de um casal de lésbicas às voltas com os desafios de criar uma família (dita) não convencional.

“Pães” de Joni (Mia Wasikowska), de 18 anos, e Laser (Josh Hutcherson), de 15, ambos concebidos por inseminação artificial, Nic (Annette) e Jules (Julianne) são pegas de calcinha na mão quando os filhos resolvem conhecer Paul, o pai biológico, digo, doador do sêmen que os gerou, interpretado por Mark Ruffalo.

À força de sua postura descolada e um estilo de vida desencanado e liberal, Paul conquista seus “filhos” e obriga Nic e Jules a lidarem com a eventualidade de um elemento estranho no seio da família.

O macho-alfa vivido por Paul é o composto trinitrotoluênico que adiciona testosterona ao excesso de estrogênio e explode as camadas superficiais de compostura, revelando as inseguranças do casal homossexual. Inseguranças universais.

O refinamento deste drama, temperado com humor inteligente, é percebido na composição emocional dos personagens; e na forma como interagem uns com os outros. Nic e Jules trafegam pelo ciúme, preocupação, desejo, excitação, frustração… Sentimentos que acometem qualquer ser humano.

E aí é que está… Lisa Cholodenko confirma que o preconceito é algo tão ultrapassado que passa longe da construção moral e comportamental daquele núcleo familiar. Sem esquematismos ou estereótipos, Julianne Moore e Annette Bening retransmutam o (que não deveria ser) extraordinário para o (que sempre foi) ordinário de forma orgânica.

O brilhantismo reside aí: duas pessoas que se amam tentando criar seus filhos da melhor maneira, sem nem sequer se darem conta de que suas atitudes não são (graças a Deus!) condicionadas por rótulos estúpidos – às vezes o pior preconceito é o alimentado pelo sujeito paciente. Família disfuncional sim, mas como a minha e a sua, ponto final.

As dificuldades na construção e manutenção de um relacionamento – e a convulsão emocional inerente − são assexuadas.

Confira as próximas sessões do filme no Festival aqui.

E não quero ninguém aperreado caso não consiga ingresso. “The kids are all right” já tem distribuição garantida. E não só ele. Veja quais são os outros filmes que reservaram seu espaço no mercado exibidor nacional aqui (todo crédito para a jornalista Erika Azevedo, do jornal O Globo). Alguém disse ufa?

Carlos Eduardo Bacellar

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Estética tarantiniana influencia Ana Luiza Azevedo

Não, não é uma cena de “À prova de morte” (2007), de Quentin Tarantino. Felizmente o para-brisa da foto não pertence à célula de tortura do carro do psicótico Stuntman Mike.

A imagem, pinçada de “Antes que o mundo acabe”, novo longa da diretora Ana Luiza Azevedo, sublinha (mesmo que de forma acidental), na prosaica viagem de três adolescentes pelas estradas do Rio Grande do Sul, o fetiche que obceca Tarantino, aproximando os dois realizadores de uma forma inusitada.

Você, que pensou em um filme e projetou sua preocupação no outro, pode respirar aliviado. A viagem não terá como resultado corpos desmembrados, somente corações despedaçados.

Podólatras de plantão, eu vi os delicados pezinhos da atriz Bianca Menti primeiro.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. No meio do turbilhão do Festival do Rio, estou correndo de uma sala de cinema para outra. Assim que um filme me marcar fundo, colocarei as impressões aqui. Até agora conferi excelentes produções, mas nada que me levasse ao êxtase.

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#FestivaldoRio em 140 caracteres

Cinéfilos e twitteiros de plantão, uni-vos!

O registro do Festival do Rio não deve passar em branco. Sendo assim, de hoje até o dia 07 de outubro (e quiçá na repescagem também), publicaremos aqui no blog as “microresenhas” de 140 caracteres dos filmes programados no Festival.

E qual a melhor parte disto? Você também pode participar desta “doideira” pela sétima arte.

Bora ocupar o cyberespaço do #FestivaldoRio com a gente?

Siga as instruções:

Sempre que assistir a um dos 300 filmes do Festival, “tuíte” sobre ele iniciando seu ponto de vista com #FestivaldoRio. A triagem dos tweets com esta tag (#FestivaldoRio) será feita diariamente e entraremos em contato com você para publicarmos a sua microresenha.

Fácil, não? É só botar a cuca pra funcionar em 140 caracteres e o resto a gente faz.

Agora, se você faz o tipinho ansioso (como meu companheiro de blog CEB),  mande um lembrete sobre a sua microresenha publicada para o twitter @doidoscine e logo falaremos com você. Isto pode agilizar o processo. 🙂

Os primeiros filmes contemplados são (*):

#FestivaldoRio “A woman, a gun and a noodle shop” tá no caminho do meio dos Coen. Há bizarrice que dá vontade de rir. E é bem filmado pacas.
#FestivaldoRio “Nossa Vida Exposta” é tão exposta que eu saí do cinema assustada. Nossa vida é um BBB horripilante.
#FestivaldoRio “A Suprema Felicidade” é feito de supremas angústias, pessoas refém de escolhas. Pena que o pout-pourri estético atrapalha.

(*) Razão: é mais fácil pedir permissão de publicação a mim mesma. 😛

E tô aguardando as microresenhas de vocês. BORA!

Helena Sroulevich

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Filmes que os Doidos destacam na programação do Festival do Rio 2010

Cinéfilos, chegou a hora! Hoje tem início o Festival do Rio 2010. Maior celebração da sétima arte em solo carioca, o Festival atrairá a atenção de todos que são apaixonados por cinema para o Rio de Janeiro, de hoje até o seu encerramento, no dia 7 de outubro.

Os Doidos não vão ficar de fora da bagunça, óbvio. Namorando os dotes dos mais de 300 filmes que integram esta edição do Festival, divididos em 19 mostras, nós selecionamos algumas produções que consideramos imperdíveis. Algumas delas já foram contempladas com textos no blog, que podem ser acessados pelos links em destaque. Vamos aos filmes:

“Amores imaginários” (Xavier Dolan)

“Arquitetos do poder” (Vicente Ferraz e Alessandra Aldé)

“Budrus” (da corajosa e encantadora cineasta Julia Bacha, musa do blog)

A beleza da realizadora do mobilizador “Budrus”: a Julia Bacha faria a gente (a gente = Carlos Eduardo Bacellar) entrar de cabeça, e desarmado, no meio do conflito entre israelenses e palestinos só para defendê-la do perigo. Somente ela ganha foto aqui (prerrogativa do responsável pelo texto final deste post). Galanteios à parte, o filme é excepcional. Duro, mas comovente.

Ah, sim… A lista… Voltando…

“Carancho” (Pablo Trapero)

“Como esquecer” (Malu De Martino)

“Cópia fiel” (Abbas Kiarostami)

“The Cove” (Louie Psihoyos) Oscar de melhor documentário

“O garoto de Liverpool” (Sam Taylor Wood)

“José Martí: o olho do canário” (Fernando Perez)

“José & Pilar” (Miguel Gonçalves Mendes)

“Líbano” (Samuel Maoz)

“Lope” (Andrucha Waddington)

“Machete” (Robert Rodriguez e Ethan Maniquis)

“Malu de bicicleta” (Flávio Tambellini)

“Mário Filho, o criador de multidões” (Oscar Maron Filho)

“Minhas mães e meu pai” (Lisa Cholodenko)

“Nossa vida exposta” (Ondi Timoner)

“Os representantes” (Felipe Lacerda)

“Route irish” (Ken Loach)

“Scott Pilgrim contra o mundo” (Edgar Wright)

“Somewhere” (Sofia Coppola) Leão de Ouro em Veneza

“A suprema felicidade” (Arnaldo Jabor)

“Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas” (Apichatpong Weerasethakul) Palma de Ouro em Cannes

“Turnê” (Mathieu Amalric)

“O último comandante” (Vicente Ferraz, Isabel Martinez Artavia)

“O último trem para casa” (Lixin Fan)

“A vida durante a guerra” (Todd Solondz!!! Diretor de “Bem-vindo à casa de bonecas” e “Felicidade”)

“Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” (Woody Allen)

“A woman, a gun and a noodle shop” (Zhang Yimou)

Com toda certeza vamos nos esbarrar no meio da loucura dessa maratona, no caminho de uma sala para a outra. Bons filmes (e que sejam muitos!) para todos!

Carlos Eduardo e Helena

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Robert De Niro fora de controle

Atenção, produtores! Vocês ganharam mais um concorrente. Calma, gente… Somente na ficção. Robert De Niro acaba de chegar à locadora mais próxima de sua casa na pele do produtor de cinema Ben.

“Fora de controle” (2008)“A noite americana” (Truffaut, 1973) que, desta vez, coloca os holofotes sobre os produtores –, dirigido pelo americano Barry Levinson, acompanha duas semanas da atribulada rotina de Ben (para não dizer enlouquecida).

Tendo que chupar cana e assoviar ao mesmo tempo para dar conta dos abacaxis que precisa descascar no trabalho e, ao mesmo tempo (por isso eles sempre possuem mais de um celular), gerenciar seus relacionamentos pessoais, ele é o estereótipo do pau para toda obra, ligado 24h no ritmo 220V, que atua nos bastidores para que as coisas aconteçam.

Além de negociar com chefes de grandes estúdios, lidar com agentes problemáticos, diretores perturbados e gerenciar o ego de astros temperamentais, Ben precisa enfrentar encrencas mais prosaicas, como resolver sua relação com as ex-mulheres e se envolver na criação dos filhos.

A produção aposta num elenco estrelar para alavancar as locações: além de De Niro, atuam no filme Sean Penn, Catherine Keener, John Turturro, Robin Wright Penn, Stanley Tucci, Kristen Stewart (ela mesmo, a Bella Swan), Michael Wincott e Bruce Willis (encarnando ele mesmo).

É uma comédia inteligente, com toques de drama e humor negro, que aposta no carisma de seus astros, principalmente De Niro (impecável!), para desmistificar o glamour que há na imagem tapete vermelho que temos dos produtores.

Como no filme de Truffaut, nós compreendemos (em parte) como uma realização consegue ser erigida, mesmo que tudo saia errado. Os produtores escrevem errado por linhas tortas, mas a indústria precisa entender aquela caligrafia canhestra para manter as engrenagens rodando. Eles mordem o osso e realizam o tipo de trabalho que ninguém mais está disposto a encarar.

Agora eu entendo por que a Helena sempre chega atrasada nos almoços que nós marcamos. E aprendi a decifrar o código dos produtores.

Estou chegando quer dizer, na linguagem desta fauna hiperacelerada, que eles ainda nem saíram do escritório e você ainda vai ficar plantado pelo menos 1h. Caso você insista, e o celular esteja desligado, isso é uma maneira elegante de eles dizerem para você parar de encher o saco. A desculpinha para o atraso? O trânsito caótico, mesmo que seja num domingo, dentro de um feriado prolongado.

Carlos Eduardo Bacellar

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