O bate-bola (que deveria ter existido) entre Sofia Coppola e Debra Granik

Sofia: Oi, Debra. Nós mulheres estamos com tudo. A Bigelow ano passado colecionou estatuetas. E este ano você aparece com várias indicações ao Oscar. Parabéns.

Debra: Pois é. Você sabe bem o que é isso (diz ela, referindo-se a “Encontros e Desencontros”). Estou radiante. Ainda mais considerando um fusquinha de USD 2 milhões fazendo frente a mega produções como “O Discurso do Rei”, “Cisne Negro” e por aí vai.

Sofia: Demais. Temos é que incentivar a indústria americana independente. E é por isso que te telefonei. Me fala mais desse teu fusquinha, o filme “Inverno da Alma”.

Debra: Bom, Sofia. “Inverno da Alma” é um filme essencialmente sobre a sobrevivência. A sobrevivência da adolescente Ree, chefe de família prematura, frente à deterioração dos nexos entre as pessoas numa sociedade com duros valores éticos. E o filme revela um pouco esta mensagem: a gente busca sobreviver num mundo cão e para tal só nos resta sermos coerentes. Há uma mensagem forte de ética, de coerência, da palavra, mesmo quando as pessoas já não se reconhecem entre elas. O filme é passado nas montanhas geladas do Missouri, mas, por conta deste apelo, poderia ser em “Um Lugar Qualquer”.

Sofia: “Um Lugar Qualquer”? Mas este é exatamente o nome do meu mais recente título.

Debra: Eu soube. Mas ainda não assisti. Me fala dele.

Sofia: O filme retrata a vida de Johnny Marco, astro de Hollywood, que vive uma vida de exageros, desregrada e, por conseguinte, vazia. Ele vive um verdadeiro “Inverno da Alma”. A alma dele está a -10C, como nas montanhas geladas do Missouri, ainda que o clima seja aquele temperado californiano de Los Angeles.

Debra: Sofia, parou para pensar que talvez nós pudéssemos ter trocado os títulos dos nossos filmes?

Sofia: Pois é, a gente pode até ser boa de indicações ao Oscar, mas escolher títulos não é nosso forte. Poderíamos ter escolhido títulos melhores…

Debra: Isto está parecendo um “Epitáfio”! Ah! E agora a escolha do John Hawkes para o filme fez ainda mais sentido. Ele é o Paulo Miklos americano.

Helena Sroulevich

P.S. Este bate-bola é uma obra ficcional. Todos os direitos reservados.

P.S.1 Este post é em homenagem à minha mamãe, que, como eu, se sentiu em “Um Lugar Qualquer” após assistir a “Inverno da Alma”.

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