L’apollonide (Souvenirs de la maison close)

Odeio quando filmes sobre “garotas de programa” as tratam como coitadinhas. Odeio. O filme visita um prostíbulo do século XIX e faz pouco além de mostrá-las como órfãs da escolha de vida que fizeram. Confesso que há partes bacanas como alguns ângulos de câmera bem inusitados e um plano-sequência que me deixou perturbada. Cadê o Felipe Reinheimer, meu diretor de fotografia do momento, para eu perguntar como é que o cara fez aquilo? Cheguei à conclusão de que viajar a Cannes em carreira solo só numa excursão… Tem tanta gente com quem eu queria conversar… Saudades de todos. E vocês sabem quem são.
Agora, a minha ida ao Lumière esta manhã para assistir à projeção não ficou no marasmo. Mesmo. Com aquela espiritualidade que me é peculiar (se estou aqui, deve ter alguma razão não óbvia…), ajudei a salvar a vida de alguém. Espero, ao menos. Um senhor calvo, 60+ anos, a três cadeiras de mim, começou a se sentir mal e escorregar escada abaixo (estávamos na última fila do balcão). Pedi à vizinha para ficar atenta caso uma respiração boca-a-boca fosse necessária. Perguntei ainda se ela sabia fazer massagem cardíaca. Ela disse sim. Desci calmamente e fui buscar ajuda.
O resgate demorou 8min até o pronto-socorro aparecer. E tudo no escurinho do cinema.
Helena Sroulevich
Comentário do editor CEB: a seguir o trailer de “L’ apollonide”. Repito, o trailer do filme, não do boca-a-boca (apesar de as duas dimensões, em algumas circunstâncias, mesclarem-se, não podemos confundir, neste caso, luta pela sobrevivência com o apelo erótico da produção — no caso, visando ao comércio do corpo).

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3 Comentários

Arquivado em Fuja dessa roubada!!!, Helena Sroulevich

3 Respostas para “L’apollonide (Souvenirs de la maison close)

  1. Certamente, querida amiga, não fugirei dessa roubada. O apelo ao sexo reificado é mais forte do que qualquer racionalização estética.
    Beijos!
    CEB

  2. Helena

    Legal mesmo foi ter carimbado meu passaporte para o céu. Estava ainda agora conversando com o segurança para saber, ao menos, o nome do senhor que eu ajudei… Vida incrível. 🙂

  3. Paulo Henrique Souto

    Essa é a minha Helena, boa, boa,boa!Olhos de lince, atenta a tudo e todos. O velhinho certamente não resistiu ao plano sequencia com as profissionais do sexo…rsrs. bjs

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