Uma câmera na mão, zumbis na cabeça, Elle Fanning no coração e um aracnoET à solta

Para a amiga Daniela Bertolucci, por não ter me denunciado para a Justiça. Quem sabe daqui a alguns anos?

Super 8” é um Atari embrulhado na caixa de um PS3. Nem por isso nos sentimos frustrados ou nos divertimos menos com a surpresa. Em seu segundo terceiro desafio como realizador de longas, J. J. Abrams declara sua paixão pelo cinema com cinema elevado ao quadrado. E não decepciona os fãs de seus trabalhos anteriores com a fórmula de sucesso comercial que trabalha variáveis como entretenimento puro e simples, cultura pop, questionamentos existenciais e mistérios, incrementada pela incógnita derivada das relações humanas. O filme é produzido pelo ídolo de J. J., Steven Spielberg, e leva o selo de qualidade da Amblin Entertainment.

Abrams tinha 13 anos em 1979, ano em que se passa sua ficção. Dessa forma, ele exercitou uma nostalgia fantasiosa dirigindo o talentoso elenco de atores adolescentes, cuja estrela maior é Elle Fanning. Ao mesmo tempo, prestou homenagem à arte por que se enredou e que se tornou seu ofício.

Na aventura, que evoca “Os Goonies” (1985), “Contatos imediatos de terceiro grau” (1977) e “ET: O Extraterrestre” (1982) — todo mundo já disse isso, que caído… –, um grupo de amigos, durante a produção de um filme caseiro de zumbis (registrado no formato Super 8, coqueluche nas décadas de 1960 e 1970), testemunha o descarrilamento de um trem militar. A composição estava transferindo material ultrassecreto de uma sessão da Área 51, que estava sendo desativada. As cenas do acidente impressionam: são do mesmo gabarito das colisões de veículo na highway to hell digital de “Matrix Reloaded” (2003). Em meio à destruição, um aracnoET escapa de um dos vagões e inicia o que parece configurar uma carnificina à moda “Alien: o oitavo passageiro” (1979).

A partir de então, nossos heróis teens, liderados pelo projeto de Dawson Leery Charles (Riley Griffiths), o aspirante a Rick Baker Joe Lamb (Joel Courtney) — órfão de mãe e filho de um policial atormentado pela viuvez — e a bonequinha de porcelana com cheiro de tutti frutti que atende por Alice Dainard (Elle Fanning, aquela garota pela qual você certamente cairia de quatro no ensino fundamental) — filha de um alcoólatra assombrado pelos erros do passado —, além de gerenciar os problemas e frustrações da adolescência, precisam ajudar o extraterrestre a retornar ao seu planeta, evitando que a incompreensão dos adultos provoque homicídios de primeiro grau em massa.

Utilizando a tecnologia para ressaltar o artesanal, J. J. Abrams permite que o melhor de seu filme os garotos e toda construção fílmica que os cerca brilhe. Ao explorar a metalinguagem em sua obra, registrada nos “negativos” e “positivos” de suas experiências no passado, Abrams sublima-se com o seu “Quero ser grande” (1998) ao avesso.

O que decepciona um pouco é todo enredo em torno do alien, que, (paradoxalmente) afastando-se da história dos meninos com um background rocambolesco inclusive devendo direitos autorais a “Independence Day” (1996) pelo plágio das habilidades telepatas , torna esse ramo da trama artificial, pouco crível.

Felizmente essa mácula não eclipsa em nada a narrativa dos protagonistas humanos que começam a entrar na puberdade. Eles preenchem toda ação captada pelas câmeras, mesmo em segundo plano. J. J. Abrams sabe como ninguém conjugar inadequação, dúvidas, indecisões, medos, inseguranças, traumas, descobertas, sonhos, amores… Peças do quebra-cabeça que se chama crescer. Quem gosta de cinema não tem como não gostar de “Super 8”.

 Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Elle Fanning, 13, está protegida por mais alguns anos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Portanto, afirmar que estou gamado nela, neste momento, se enquadra como pedofilia. Tenho paciência, posso esperar…

p.s.2 Recomendo o texto da amiga Patrícia Rebello, postado no blog Espírito da Colmeia. Ela também adorou “Super 8” e extravasou num post apaixonado. Ela nunca prestigia o Doidos, mesmo assim vou dar uma moral.

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