Arquivo do mês: janeiro 2012

Missão dada é missão cumprida


Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é repórter da Revista Millennium; que vê seu prestígio ruir após ser condenado por difamação. Buscando restabelecer sua idoneidade, o jornalista aceita o convite do empresário Henrik Vanger (o rouba-cenas, Christopher Plummer) e muda-se temporariamente para uma cidadezinha ao norte da Suécia. A missão é investigar o caso de desaparecimento da sobrinha Harriet.

Dias e noites são necessários para que Mikael reúna provas. A disputa de poder na família Vanger, sua aparente simpatia ao Nazismo e alusões ao Antigo Testamento presentes em uma caderneta deixada por Harriet parecem ser a chave para desvendar o mistério em torno de seu sumiço. Mas Mikael empaca. Lisbeth Salander (a merecidamente indicada ao Oscar Rooney Mara), competente hacker, outrora recrutada por Henrik para reunir informações sobre a vida de Mikael,  é então convocada a unir-se ao detetive. E junto a ele, esclarece o caso Harriet e desmascara um serial killer de mulheres judias. Missão cumprida.

Acostumado com pistas e armadilhas a la 007, Daniel Craig faz Mikael Blomkvist com um “pé nas costas”. E não surpreende. David Fincher tem brilho: melhora a versão sueca cheia de hiatos de roteiro com montagem rítmica e trilha sonora “suor frio nas mãos”. Já Rooney Mara é mais que eficaz na “punk por fora, menina frágil por dentro” Lisbeth. De armadura robusta, sóbria, cheia de tatoos & piercings, beirando a mulher desinteressante, ela enfrenta todos para, na verdade, enfrentar a si própria.

Helena Sroulevich

p.s. Lisbeth descobre seu sex appeal na relação com Mikael. E a improbabilidade deste “casal”, elemento narrativo da Trilogia Larsson, é algo que Fincher não deu conta de explicar: a relação dos dois em tela beira o grotesco. Mas absolvo o Fincher. A “derrapada” foi por  fidelidade à obra.


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Estética de inflexões

Na literatura da americana Kaui Hart Hemmings, o cineasta Alexander Payne, compatriota da escritora, encontrou a essência de sua cinematografia: a inflexão. “As confissões de Schmidt” (2002) e “Sideways” (2004), marcos na obra de Payne, refletem a preocupação com esse conceito, que o diretor vem depurando diligentemente ao longo de seus trabalhos.

No filme de 2002, Jack Nicholson interpreta Warren Schmidt, um sujeito que precisa se readaptar ao ser desnorteado pela aposentadoria, pela morte da esposa e pelo casamento da ex-filhinha do papai com um fracassado. A bordo de um motorhome, Schmidt parte numa viagem pelos Estados Unidos à procura de algo que lhe dê algum sentido.

Em “Sideways”, sua obra-prima, produção com a qual ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, Paul Giamatti encarna o professor e escritor (ainda não publicado) Miles. Inepto emocionalmente, aspirante a enólogo e atraiçoado por uma timidez embaraçosa, Miles precisa lidar com um divórcio mal resolvido e a frustração profissional neste road movie etílico, no qual acompanha o amigo Jack (Thomas Haden Church) numa despedida de solteiro pelos vinhedos da Califórnia que descamba para uma orgia dionisiana.

Sim, viagens são uma constante, pois elas ejetam figuras (mais) perturbadas (ainda) pelas vicissitudes de sua zona de conforto. Alexander Payne aposta em tipos solitários, párias sociais, para trajar de drama comédias de costumes cujo estofo é o ocaso da classe média americana – que implode em seus conflitos, neuroses, inseguranças, arrivismos, hipocrisias e desequalizações.

Em “Os descendentes” (The descendants, no original), baseado no romance homônimo de Kaui Hart Hemmings, o mais novo estudo sociológico de Payne acerca dos efeitos de inflexões sobre um núcleo familiar, George Clooney (o homem que não tem a parte superior dos lábios e mesmo assim arrebenta) foi o escolhido para ser o catalisador das aflições que movimentam a trama.

O ator, na pele de Matt King, integrante de uma família de herdeiros de terras no Havaí, precisa reencontrar o caminho até suas filhas, Alexandra (Shailene “Nossa, nossa/Assim você me mata/Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego” Woodley) – a personagem de Evan Rachel Wood em “Thirteen” (2003) traduz bem a personalidade da moça – e Scottie (a nova Pequena Miss Sunshine Amara Miller), quando a mãe das meninas, Elizabeth (Patricia Hastie), sofre um acidente de barco e é condenada a um estado permanente de coma. A senhora King havia tomado providências legais para, no caso de qualquer acidente de desenlaces irreversíveis, não ser mantida viva artificialmente.

Além da necessidade de se reconciliar afetivamente com suas filhas, expurgando suas faltas como pai num novo reajustamento familiar, e confortá-las na dor da perda, Matt precisa gerenciar a venda de uma enorme região de terras virgens, de propriedade da família King, numa das ilhas havaianas. O clã King espera ansiosamente pelo desfecho do negócio, que enriquecerá a todos. Como dor de cabeça pouca é bobagem – e para reforçar novamente que Payne tem uma louca obsessão por rupturas –, Matt descobre que sua mulher estava tendo um caso. Nesse momento, o cronômetro regressivo do autocontrole e da integridade do marido corno acelera em direção ao ponto zero de tolerância. De quem ele esperava suporte, recebe desilusão.

Por meio dos personagens “ausentes” – a esposa que morre subitamente (“As confissões de Schmidt”), o fantasma da ex-mulher (“Sideways”) e a companheira em coma (“Os descendentes”) –, que transitam, à revelia, por todo espectro emocional que vai do amor ao ódio no inventário da consciência, Payne força seus protagonistas a reavaliar seus valores num estado de tensão emergencial. Cingidos pela decepção inesperada, sufocam na própria ignorância. Sem o chão, eles precisam aprender a caminhar no slackline que balança ao sabor das necessidades, ou sucumbir…

Depois dos papéis em “Syriana” (2005), “Amor sem escalas” (2009) e “Tudo pelo poder” (2011), George Clooney adiciona à sua carreira mais um personagem de profundidade psicológica, que desafia sua capacidade dramática com um tipo turvo, pendulando do heroísmo à vilania, da glória à perdição, da virtude ao vício. Quando as câmeras focam em Clooney, ele transparece um desencanto mais por se sentir anacrônico do que por alguma falha de caráter consciente. Chacoalhado pelas circunstâncias, Matt King se equilibra, sobre uma bússola de valores enviesados, entre qualidades e defeitos que lhe dão o tom de sua fragilidade. Pode render mais um Oscar a Clooney.

O filme, roteirizado por Payne, Nat Faxon e Jim Rash, passa longe do brilhantismo de “Sideways” – tavez por ser um pouco menos do mesmo –, mas merce ser visto. Produto do cinema atávico de Alexander Payne, “Os descendentes” brinca de malabarismo com sonhos construídos e desfeitos ao longo da existência. E deixa uma mensagem de esperança, assinatura de próprio punho do realizador. Não por condescendência ou pieguice, mas na medida em que a vida precisa encontrar um jeito de continuar, mesmo torta.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Atenção para uma ponta do mito do surfe de ondas grandes Laird Hamilton, no papel de Troy. Nas palavras da lenda Greg Noll, Hamilton é o maior surfista de ondas grandes que o mundo já viu. Ele não está exagerando… Um dos destaques do documentário Riding Giants (2004), de Stacy Peralta, o americano Laird surfou, em 2000, no pico de Teahupoo (Tahiti), aquela que foi considerada a onda do século XX – uma bizarrice da hidrodinâmica que redefiniu as possibilidade do surfe de morras monstruosas. Acesse o vídeo dessa insanidade aqui.

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Dogville islâmico

O cinema do diretor iraniano Asghar Farhadi é uma armadilha na qual enredamos nossas fraquezas. Quanto mais os personagens se debatem na tentativa de se livrar das situações impostas, mais revelam suas iniquidades morais. O egoísmo – sempre disfarçado de altruísmo hipócrita – revela suas diversas facetas num contexto predatório de sobrevivência social. Foi assim em “Procurando Elly” (2009), filme no qual o misterioso desaparecimento de uma jovem abre a Caixa de Pandora do núcleo de personagens, e é assim em “A separação”.

Farhadi se vale da reciclagem da banalidade para construir sua cama de gato embebida em cerol, na qual os protagonistas esfacelam camadas superficiais de humanidade – aproximando-os de um estado primitivo, no qual a moralidade se torna relativa e a ordem legal se torna um empecilho à liberdade, à reputação e ao bolso.

Um episódio aparentemente prosaico, a separação de um casal, complexifica-se quando é relacionado com o futuro de uma adolescente no Irã, com um idoso que sofre de Alzheimer e com um suposto ato de agressão sofrido por uma mulher grávida que termina em tristeza.

Preocupada com o desenvolvimento da filha Termeh (Sarina Farhadi) sob o regime iraniano, Simin (Leila Hatami) sonha levá-la para o exterior. Seu marido Nader (Peyman Moadi) se recusa a deixar o país, pois seu pai, lobotomizado pelo Alzheimer, requer cuidados intensivos. Inconformada com a desavença entre seus pais, Termeh joga um xadrez afetivo arriscado para impedir a separação de fato. Em meio ao conflito familiar, Nader precisa lidar com Razieh (Sareh Bayat), contratada para cuidar de seu pai. Um desentendimento entre patrão e empregada dinamita atritos, acusações, mentiras, violências, litígios. De inflexões nos detalhes mais simples do dia a dia, o diretor sutilmente arma sua arapuca. A isca é a dúvida em sua suas mais variadas acepções. Elipses no roteiro provocam o espectador. Ele se torna cúmplice ao ser deixado momentaneamente à deriva, imerso em suas suposições e seus preconceitos.

Ao derrubar seus personagens no poço, Farhadi observa que, ao se digladiarem para ver quem alcança a superfície primeiro, eles, ironicamente, exumam comportamentos condenáveis e desrespeitam a si mesmos. Ideias antes consolidadas de bem/mal, pecado/virtude, moral/imoral, verdade/mentira, vontade/dever se embaralham numa guerra psicológica de autopreservação no cerne de cada um deles. Paradoxalmente, quanto mais escalam o poço, mais se afundam em suas próprias razões (relativas), mesmo as menos nobres. Até as motivações mais íntegras são desvirtuadas pelo fluxo inexorável de acontecimentos.

No embate retórico, a razão se perde, ou melhor, deixa de ter relevância. Não há mais que determinar quem está certo e quem está errado. Todos são vítimas das próprias escaramuças. A maior delas é Termeh – em sua formação de caráter é semeado o desencanto e a descrença.

Com uma história ancorada na matéria-prima mais instável da natureza – ou seja, em gente –, desprovida de qualquer tipo de pirotecnia vazia, “A separação” cria a condição para que a nossa mediocridade rompa o dique das aparências. Quando nós fracassamos, o cinema de Asghar Farhadi sai fortalecido.

Partindo do banal, Farhadi cria um labirinto alegórico de emoções que encerra em seus esconsos as contradições e ambiguidades da condição humana.

É cada vez mais raro sairmos de uma sala de cinema com a sensação de que ali assistimos a algo singular, que muda bruscamente o centro de gravidade de nossas convicções e, consequentemente, quem somos. “A separação” provoca essa perturbação. Um filme universal nas suas humanidades. Ninguém sai incólume. Isto é arte. Isto é cinema.

Carlos Eduardo Bacellar

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Amargor disfarçado na doçura

Para Claudia Furiati, pela ótima dica. Sou um cara esperto, mas às vezes pego no tranco. Quando ela me perguntou pela terceira vez se eu tinha assistido ao filme, entendi que era melhor correr para a sala de cinema mais próxima.

A diferença do chocolate para os outros doces é que ele traz o amargor disfarçado”, declara Angélique Delange, personagem da atriz Isabelle Carré em “Românticos anônimos”. O amargor experimentado por ela não é de ordem gastronômica. Mais subjetivo, chama-se solidão. Solidão imposta por sua falta de traquejo social, associada a uma síndrome de pânico que dispara como um alarme de incêndio quando ela se torna foco das atenções. Dirigida por Jean-Pierre Améris, a produção franco-belga conquista pela delicadeza com que é tratado o atravancamento emocional, subproduto da timidez patológica que desconcerta o casal de protagonistas.

Em busca de trabalho, a chocolateira Angélique vislumbra uma oportunidade na fábrica de chocolates do misantropo Jean-René Van Den Hugde (Benoît Poelvoorde, soberbo). O negócio está à beira da falência, e o que vier é lucro, inclusive um possível prejuízo. Angélique é a pessoa perfeita. Não para o cargo a que atendeu – ela é uma chocolateira excepcional, que esconde seus dotes com medo do reconhecimento, porém, foi contratada como vendedora –, mas para o contexto.

Jean-René sofre de inadequação parecida com a de sua nova funcionária. Sem o menor pendor para lidar com gente, ele esconde numa carcaça de austeridade um espírito sensível. Eles encontram na bizarrice ingênua do outro um rachadura por que atravessar, e a aproximação é estimulada pelos constrangimentos da, digamos…, falta de prática.

Mas a timidez tem tratamento, ora essa! Não pode ser motivo para impedir a felicidade. Angélique busca auxílio nos Emotivos Anônimos – disque 0 800 aguenta, coração! Exatamente o que você está pensando… Uma versão dos Alcoólicos Anônimos, mas para refratários à entrega, sabotados por suas disfuncionalidades sociais. Dependentes de trocas, que fogem delas com medo da decepção. Românticos incompreendidos, com nervos à flor da pele, que reprimem seus verdadeiros desejos e transparecem, nos momentos de tensão, os comportamentos mais curiosos. Como desmaiar ao admitir seu “problema”.

Já Jean-René expurga seus traumas no divã do psicanalista, que tenta soltá-lo utilizando-se de exercícios de desembaraço. A terapia de grupo com os emotivos e a fé em Freud podem dar um empurrãozinho, mas se jogar nos braços da pessoa amada pode ser uma tarefa complexa, que desafia os doze passos e o que estiver embrenhado no inconsciente mais profundo.

Nessa confusão sentimental, a paixão pelo chocolate, extravasada em verdadeiros rituais fisiológicos de fruição da gostosura – a exemplo do que era proporcionado pela talento culinário da personagem de Juliette Binoche em “Chocolate” (2000), de Lasse Hallström –, permite que Angélique e Jean-René desfrutem de sensações (verdadeiros orgasmos gastronômicos) que deveriam ser curtidas na cama, não no tacho. Sensações de que foram privados quando não conseguiram evitar a retração na concha da timidez autodestrutiva.

Nessa história de amor inusitada, que tinha tudo para dar desastrosamente errada, a paixão inocente que brota num casal maduro, gaguejando na comunicação afetiva e se acertando nos erros, encanta pela sensibilidade, traduzindo no comportamento (destrambelhado) e nos gestos (ora reticentes, ora amadoramente intensos) – de maneira divertidamente desprovida de malícia ou interesses egoístas – o que não era resolvido pelas palavras. Por sua estupenda atuação, conjugando autoconfiança, ingenuidade e doçura, sempre ao som de I have confidence (trilha sonora de “A noviça rebelde”, 1965), Isabelle Carré foi indicada ao César 2011, o Oscar francês.

Carlos Eduardo Bacellar

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Sem armas e efeitos especiais mirabolantes: só cérebro

Quantas vezes você esperou ansiosamente por um filme e acabou se decepcionando no final? Eu já caí em várias roubadas e, em dias de fúrias, tenho vontade de pedir meu suado dinheirinho de volta.

É fato que a produção de trailers também é uma indústria – já diria Amanda Woods, personagem de Cameron Diaz em “O amor não tira férias” (2006), filme de Nancy Meyers. Para satisfação de aficionados por pôsteres, uma segmentação talvez capitalista dos cinéfilos, os estúdios também apostam na habilidade dos designers gráficos para aguçar a curiosidade por uma obra. E é justamente aí em que eu e “O espião que sabia demais” nos encaixamos.

De férias em Londres, fui metralhada por pôsteres de Gary Oldman no metrô, nos ônibus, por todos os lados daquela cidade fantástica. Minha primeira reação foi: “Opa, Gary Oldman?” A segunda: “Opa, Gary Oldman como protagonista?” Pronto, estava fisgada.

Em letras minúsculas, como em anúncios publicitários, outros nomes conhecidos: Colin “Mr. Darcy” Firth, Tom Hardy, Toby Jones, Mark Strong, Benedict Cumberbatch… Quem precisa de um trailer para se convencer de que um filme vai “arrasar quarteirões?”

Esperei mais de três meses até que a produção chegasse aos cinemas brasileiros. No fim de semana de estreia, lá fui eu, com o coração apertado e milhares de perguntas na minha cabeça – E se não for tudo isso? E se eu me decepcionar? Mas é possível se decepcionar com um Gary Oldman? Um Colin Firth? Às vésperas do fim do mundo, essa resposta eu tive: não é, meus caros.

O espião que sabia demais” é um filme inteligente, comedido, como há muito tempo não se via. Os espiões mais famosos do cinema (James Bond, Ethan Hunt e Jason Bourne) renderam-se aos efeitos especiais, aos músculos excessivamente torneados, às armas. George Smiley, de Gary Oldman, não faz parte desse clubinho, graças a Deus.

Smiley é um agente do MI6, que, após ser obrigado a se aposentar, recebe a missão de descobrir quem é o agente duplo infiltrado na organização. Recebe, na verdade, a mais inglória das tarefas: investigar os seus próprios parceiros, aqueles que deveriam ser fiéis aos mesmos propósitos que os seus. Já na casa dos 60 anos, ele fala baixo, tem gestos contidos e a reconhecida elegância inglesa, com seu terno bem cortado, casaco de chuva e cachecol de lã. Mal pega em uma arma durante os 127 minutos de filme; usa somente a inteligência e a observação minuciosa. A ausência de efeitos especiais não torna o filme nem um pouquinho menos interessante, tenha certeza disso.

O nome original – Tinker Tailor Soldier Spy – é curioso e explicado ao longo do filme, adaptado de uma obra de 1974 de John le Carré. Smiley, aliás, é um velho conhecido dos ingleses. No final da década de 70, era campeão de audiência na BBC.

Tom Hardy, sempre nos papéis do bonitão brutamontes, é uma boa surpresa da produção. Benedict Cumberbatch, que pode ser visto também em “Cavalo de Guerra”, continua, pra mim, uma incógnita. Vem sendo apontado por sites e revistas internacionais como uma das principais apostas para 2012, mas não teve uma atuação que justificasse tamanha expectativa. Colin Firth, para variar, só não supera Oldman.

Falando nele, 2012 pode corrigir uma das grandes injustiças desse mundo. Oldman não tem um Oscar. Ele nunca foi nem indicado a um, algo inimaginável até para Colin Firth, como revelou o intérprete do agente Smiley em entrevista ao The Sunday Times Magazine (vou vender meu peixe e sugerir que você confira essa matéria, ou pelo menos trechos dela, no meu blog).

Às vésperas do fim do mundo, eu torço pela paz mundial e pela salvação da humanidade, sem tanto esforço e tragédia como o anunciado no filme de Roland Emmerich. Também torço por menos injustiças; pela consagração de Gary Oldman, Meryl Streep de terno (sim, porque, assim como ela, ele pode fazer qualquer filme) e de um roteiro extremamente sagaz.

Tati Lima é autora do blog @osindicados e parceira querida do Doidos

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