Poyart’s mind

A Fernando Meirelles, Marcus Baldini e, por que não?, Nando Olival – cineasta seduzido pela fartura do mercado publicitário que lapidou sua técnica e olhar produzindo comerciais –, expoentes egressos da propaganda (incubadora de novos diretores), agora se junta Afonso Poyart, o Guy Ritchie brasuca.

Com uma requintada pós-produção, que utiliza a computação gráfica para, mais do que ornar, encontrar uma linguagem de efeitos especiais que dialogue com a narrativa, estratégia com a qual o cinema brasileiro não está muito acostumado, “2 Coelhos”, primeiro longa de Poyart, é o “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000) que fala português com sotaque paulista.

O diretor mescla referências dos quadrinhos, dos videogames, das artes visuais e de (outros) nichos da cultura pop para ilustrar a cruzada mosaico do anti-herói Edgar (Fernando Alves Pinto) contra duas mazelas sociais, a bandidagem de arma na cintura e a corrupção entranhada nas esferas do poder público, toleradas pela complexa relação do toma lá da cá que desconsidera limites éticos.

Poyart, na tentativa de emular a genialidade da montagem de “Cães de aluguel” (Tarantino, 1992), desfaz o novelo com a trajetória de seus personagens visando a tecer os retalhos que compõem o roteiro – encharcado de sangue e polvilhado de pólvora. A princípio bagunçadas no tempo e no espaço, as histórias do geek Edgar, do fora da lei Maicom (Marat Descartes impondo pelo talento sua força na telona), da promotora Julia (um tesão que atende por Alessandra Negrini e tira do sério até eunuco), do deputado corrupto interpretado por Roberto Marchese e do professor universitário Walter (Caco Ciocler) ganham contornos nítidos e se encaixam na mesma trama de relações viciadas.

Como em “O invasor” (2002), de Beto Brant, determinadas alianças escusas podem cobrar mais que o risco de ser enquadrado no Código Penal. Os desvios de caráter se articulam na montagem de um fuzil apontado para as têmporas de cada um deles.

Apesar da maquiagem (supostamente) inventiva, nada ali é original. Até as meditações oníricas da personagem de Alessandra Negrini são arremedos das provações alucinógenas enfrentadas por Babydoll (Emily Browning) em “Sucker Punch – Mundo Surreal” (Zack Snyder, 2011). Um verdadeiro mash-up de expressões culturais com apelo comercial.

Entretando, munido do ferramental técnico da publicidade, sempre preocupada com a qualidade e o inusitado de formatos, o diretor cria seu ISO 9000 e abre um precedente.

Não dá para ficar indiferente ao trabalho de Poyart e toda sua equipe, que exploram com ousadia e inteligência novas possibilidades para a linguagem do cinema nacional – polarizado por alguns especialistas entre o experimentalismo autoral e as comédias televisivas vazias. No ritmo de Kings and Queens, da banda 30 Seconds to Mars,“2 Coelhos” sacode poltronas na sala escura.

O filme está saindo de cartaz no circuito carioca, mas achei que valia a pena dedicar a ele algumas palavras. Enfim…

Agora, o que eu queria realmente escrever quando pensei neste post: Alessandra Negrini, liga para mim!

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Um aperitivo do trabalho da equipe de efeitos especiais:

p.s.2 Se quiser uma palinha do making of, clique aqui.

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2 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Quase uma Brastemp

2 Respostas para “Poyart’s mind

  1. Paulo Henrique Souto

    Alessandra Negrini é Diva, viu a play boy, ela arrebenta, antes da Lapa ficar famosa ( de novo) ela fez umas fotos pelas ruas, arcos, sensacionais, ô muié gostosa sô. rsrsrsrs. Tô gostando de ler textos do cinema Brasileiro. valeu

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