Todos os caminhos levam a Woody Allen

Ah, o amor… Para Woody Allen ele é tudo, menos decifrável. E quando me refiro a tudo, é tudo mesmo: romântico, traiçoeiro, sacana, amargo, esquizofrênico, pervertido, safado, suado, excitante, doce, envolvente… Continue ao infinito ou se perca, entregue-se às possibilidades. Allen opta pela segunda opção. Mas não sem antes analisar cada situação que, invariavelmente, o desequilibra para uma síndrome de pânico. Quando esse pacote sentimental é descomprimido naquela cabecinha perturbada, não há como ele não se deformar ao preencher os espaços cenográficos que o diretor nova-iorquino utiliza para tentar tatear as aflições do coração.

Em seu périplo pela Europa, ele chega a Roma. É lá que ele fragmenta suas inquietações sobre o amor em vários personagens, de gêneros distintos. Sim, ele tem sua porção feminina, e ela é bem mais intrigante que seu lado masculino.

Allen sabe que gostamos de boas histórias. Histórias que falem ao nosso cotidiano, mas, ao mesmo tempo, se distanciem dele por meio de absurdos e uma boa dose de esquetes que flertam com a inverossimilhança. E é por meio delas que ele se torna um escritor da comédia que é tentar ser humano. Não conseguir é sua vitória.

O nome do filme? Faz diferença? De qualquer forma está no pôster aí em cima. A trama? Não importa… É um filme de Woody Allen. Todo mundo sabe o que vai encontrar. Todo mundo vai ver, independentemente do que eu disser.

Os atores? Mais importantes são os personagens. E todos levam ao diretor. Provocado pela impossibilidade da certeza, envelopando suas crises no humor autodepreciativo, Woody Allen consegue novamente. A única certeza: boas risadas.

Carlos Eduardo Bacellar

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11 Comentários

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Quase uma Brastemp

11 Respostas para “Todos os caminhos levam a Woody Allen

  1. andrea

    Acho que ele é humano até demais, daí a única certeza de assistir seus filmes, ouvir suas histórias, e dar boas risadas – amarelas, “meia-boca”, compadecidas e auto-indulgentes, é verdade!

  2. Paulo Henrique Souto

    Wood Allen surpreende sempre,um homem feio que jamais se olhou no espelho senão com os olhos d’alma,de grande criador que é.Que faça muitos filmes,mesmo para um universo restrito, mas fiel.
    Quando falo da feiura,imagino os bullings que sofreu, e consegue enfrentar a camera, na frente e por trás, no universo onde a beleza é quem ponhe a mesa. Vou ver logo.

  3. Ainda não vi o filme e aguardo o seu lançamento com grande expectativa, depois do magnífico “Meia-Noite em Paris” as minhas apostas estão elevadas. Espero que a beleza e cada pormenor do seu trabalho, esteja também neste novo filme. Com a cidade eterna em pano de fundo, tem tudo para dar certo.

  4. Tati

    Eu gostei do filme, embora não tenha superado Meia-Noite em Paris. E me dói dizer isso, porque sou Eternamente apaixonada por Roma. Dos núcleos criados por Woody Allen, gostei mais do que ele atua. É mais divertido, mais original, um Woody. O do Benigni achei um porre – caricato demais, talvez o único papel que o Roberto! saiba fazer. Me incomoda, sabe? Tipo aquela coisa de achar que Brasil é favela, futebol e as peladonas? Acho qu o Alec Baldwin foi mal aproveitado e que o triângulo amoroso não dava liga, faltou química entre os atores, faltou Vicky-Cristina-Barcelona e olha que estamos falando de Roma. Roma! Dito isso, dou um spoiler do Os Indicados, cantar no chuveiro ficou beeeem mais divertido. Volare!

    • Tati, sabe que sempre leio suas análises com carinho. Acho que você devia escrever uma crítica sobre o filme do Allen para eu publicar aqui no Doidos. O que acha? 😉
      Mãos à obra, mulher!
      Beijos!
      CEB

      • Tati

        Obrigada, CEB. Sinto-me lisonjeada com o convite e, principalmente, por ter chamado meus comentários de “análises”. =)
        bjks

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