Arquivo do mês: dezembro 2013

Top 10: filmes

Aí vai minha lista com os 10 melhores filmes de 2013:

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Azul é a cor mais quente” (Abdellatif Kechiche) > crítica

A caça” (Thomas Vinterberg) > crítica

Dentro da casa” (François Ozon)

Depois de maio” (Olivier Assayas)

Django livre” (Quentin Tarantino) > crítica

O filho do outro” (Lorraine Lévy)

Gravidade” (Alfonso Cuarón)

O lugar onde tudo termina” (Derek Cianfrance)

Reality – a grande ilusão” (Matteo Garrone)

O som ao redor” (Kleber Mendonça Filho) > crítica

Lista auditada pelo Bacellar Cinema Research Institute.

Carlos Eduardo Bacellar

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Top 30: livros

arvore de natal livros

10 é pouco, 20 é bom, mas 30 nunca é de mais quando se trata de livros. Aí vai minha lista com os 30 melhores publicados no Brasil em 2013:

1Q84 – livros 2 e 3, de Haruki Murakami (Alfaguara);

1889, de Laurentino Gomes (Globo Livros);

Bling Ring: a gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales (Intrínseca);

Carlos Lacerda: a república das abelhas, de Rodrigo Lacerda (Companhia das Letras);

Deixa comigo, de Mario Levrero (Rocco);

A eclosão do Twitter: uma aventura de dinheiro, poder, amizade e traição, de Nick Bilton (Portfolio-Penguin);

O evangelho segundo Hitler, de Marcos Peres (Record);

Exploradores do abismo, de Enrique Vila-Matas (Cosac Naify);

Getúlio 1930-1945: do governo provisório à ditadura do Estado Novo, de Lira Neto (Companhia das Letras);

Grande irmão, de Lionel Shriver (Intrínseca);

O herói discreto, de Mario Vargas Llosa (Alfaguara);

Inferno, de Dan Brown (Arqueiro);

A informação, de James Gleick (Companhia das Letras);

Isso é arte? – 150 anos de arte moderna do Impressionismo até hoje, de Will Gompertz (Zahar);

O jantar, de Herman Koch (Intrínseca);

Jim Morrison: ninguém sai vivo daqui, de Jerry Hopkins e Danny Sugerman (Novo Século);

Jony Ive: o gênio por trás dos grandes produtos da Apple, de Leander Kahney (Portfolio-Penguin);

Lívia e o cemitério africano, de Alberto Martins (Editora 34);

A maçã envenenada, de Michel Laub (Companhia das Letras);

Malcolm X: uma vida de reinvenções, de Manning Marable (Companhia das Letras);

Marvel Comics: a história secreta, de Sean Howe (Leya);

Mavericks: a onda sinistra, de Mark Kreidler (Zahar);

Novembro de 63, de Stephen King (Suma de Letras);

O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman (Intrínseca);

A prisão da fé, de Lawrence Wright (Companhia das Letras);

Pulphead: o outro lado da América, de John Jeremiah Sullivan (Companhia das Letras);

Reprodução, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras);

Vozes anoitecidas, Mia Couto (Companhia das Letras);

Toda poesia, de Paulo Leminski (Companhia das Letras).

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Aproveita para namorar essa lista enquanto termino o Top 10 dos filmes.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s Ainda dá tempo de passar numa livraria antes do Natal.

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A liberdade (não) é azul

azul e a cor mais quente

O amor é abstrato demais, e indiscernível. Ele depende de nós, de como nós o percebemos e vivemos. Se nós não existíssemos, ele não existiria. E nós somos tão inconstantes… Então o amor não pode não o ser também.” (Clémentine)

Se Adèle atribuísse uma cor à liberdade, ela seria azul. Mas seu daltonismo emocional revela que essa percepção é tão falsa quanto uma propaganda de absorvente. O amor que ela nutre por Emma, a mulher dos cabelos cor de oceano, que a draga pelo tesão, não corresponde às expectativas da moral conservadora. O resultado é uma negação do que sente; uma supressão de si. O martírio de Adèle é confundir desejo com vergonha num enclausuramento de silêncio velado pelo tabu.

Com as ambiguidades que cercam de inconstância essa paixão, o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche moldou livremente para as telas as páginas da graphic novel Azul é a cor mais quente (editada aqui pela Martins Fontes), da francesa Julie Maroh, e transformou a HQ num pop-up audiovisual homônimo, permeado pela licença poética. As atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux foram escaladas para os papéis de Adèle e Emma, respectivamente – nos quadrinhos Adèle atende por Clémentine.

Uma história de amor homossexual condenada pelas convenções ortodoxas não tem nada de simples, principalmente quando envolve uma adolescente em processo de formação. Mas há algo além de um romance perturbado pelo preconceito e pela incompreensão.

azul e a cor mais quente_quadrinhos

Para Emma, sua sexualidade era um bem como outros. Um bem social e político. Para mim, é a coisa mais íntima que há”, declara Clémentine/Adèle numa passagem do texto de Maroh. A fronteira entre o público e o privado, para Adèle, se torna tão delimitada e imóvel – mas borrada pelas lágrimas de angústia – como a divisa entre o que deseja e o que pensa que deveria desejar. Emma, a Ramona Flowers que Adèle disputa com suas dúvidas, considera que a afirmação de sua opção sexual é algo a ser compartilhado e um veículo para a felicidade; uma identidade. Negação e aceitação. Polos opostos se atraem.

Adèle, num primeiro momento, em conflito, sem entender o que se passa dentro de si, tenta se enquadrar na moldura social estipulada para ela pelos outros – família, parcela careta da sociedade, amigos intransigentes. Procura se envolver com um dos gatos do colégio, pois acha que gostar de meninos é o certo – nada no amor é certo, só não amar é errado. Só que ninguém escolhe de quem vai gostar. A concepção de felicidade acaba se impondo, para o bem ou para o mal, pelas frestas que dilaceram um coração que se tolhe.

Num primeiro momento, Adèle desafia, inconscientemente, convenções castradoras: leva o carinha em que tentava se amarrar para a cama, finge um orgasmo, mete o pé na bunda do coitado, cai na balada em bares frequentados por gays – se descobre, se esconde. Envolvida com Emma, ela é assombrada pelas mesmas convenções conservadoras, entranhadas em sua constituição durante anos de lavagem cerebral – e confundida pela companheira com covardia. Adèle gosta de crianças, anseia em seu íntimo por um filho. Como, com Emma? E sua família, os amigos, os outros, o que vão pensar? Esconder por quanto tempo? Seu amor é realmente Emma? Sim, não… Esgarçada, Adèle se move com o corpo para um lado e o sentimento para outro. As cenas de entrega entre as duas deixam claro que a dissociação termina entre quatro paredes. Nada é mais certo do que aqueles momentos.

blue is the warmest color

A menstruação azul é uma forma de a publicidade conceituar um tabu e vender produtos preservando sensibilidades. Uma maneira de mascarar o real e não atingir suscetibilidades. Mas Emma não quer a mentira, ela quer a verdade: um “amor [que] se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima… nos reanima.” Um amor que a tinja de vermelho. A liberdade é vermelha. Sua maior conquista não foi se aceitar – “eu lutava tão obstinadamente contra mim mesma, contra os meus desejos, que não conseguia mais controlar o meu medo e a minha raiva, e por isso eu era tão agressiva”–, mas salvar Adèle de um mundo estabelecido sobre preconceitos e diretrizes morais absurdos.

azul e a cor mais quente III

A sensibilidade de Julie Maroh diz que a fórmula para o amor eterno é a mistura de paz e fogo. Diga isso para quem se ama, se consome, se inflama… E tem urgência do outro não para viver, mas para estar vivo.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Fernanda Lima, com seu ousado modelito plastificada em folhas douradas no sorteio da Copa, me deixou pensando um monte de sacanagem… Aproveito a masturbação mental para destacar uma passagem do texto de Luiz Carlos Merten sobre o filme “Azul é a cor mais quente”, cujo título original é “La Vie d’Adèle Chapitres 1 et 2″… Lá pelas tantas, provocado por Merten numa coletiva qualquer – “o diretor é um voyeur e tem prazer filmando as mulheres. Não filmaria cenas dessa intensidade com dois homens” –, Abdellatif Kechiche diz que tem vontade de realizar uma continuação, cujo título seria “A Vida de Adèle 3 e 4”. O objetivo é mostrar sua predileção por orgias sem discriminação de gênero: “terá uma cena de sexo entre Adèle e dois homens, e será bem gráfica”. Alguém diga para o Kechiche tentar algo mais criativo… Esse filme já foi feito pelo Lars von Trier. No original, deve ter sido intitulado “A Vida de Gainsbourg 69 e 69”, ou algo do tipo. O que pegou foi “Ninfomaníaca”. Estreia por aqui em 2014. Fuck, yeah!

p.s. 2 A fixação oral do diretor, potencializada no cinema e muito comentada pela crítica, foi extraída da graphic novel de Julie. O desejo começa pela boca.

p.s.3 Ouça a trilha sonora de “Azul é a cor mais quente”.

azul e a cor mais quente II

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