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Top 30: livros

arvore de natal livros

10 é pouco, 20 é bom, mas 30 nunca é de mais quando se trata de livros. Aí vai minha lista com os 30 melhores publicados no Brasil em 2013:

1Q84 – livros 2 e 3, de Haruki Murakami (Alfaguara);

1889, de Laurentino Gomes (Globo Livros);

Bling Ring: a gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales (Intrínseca);

Carlos Lacerda: a república das abelhas, de Rodrigo Lacerda (Companhia das Letras);

Deixa comigo, de Mario Levrero (Rocco);

A eclosão do Twitter: uma aventura de dinheiro, poder, amizade e traição, de Nick Bilton (Portfolio-Penguin);

O evangelho segundo Hitler, de Marcos Peres (Record);

Exploradores do abismo, de Enrique Vila-Matas (Cosac Naify);

Getúlio 1930-1945: do governo provisório à ditadura do Estado Novo, de Lira Neto (Companhia das Letras);

Grande irmão, de Lionel Shriver (Intrínseca);

O herói discreto, de Mario Vargas Llosa (Alfaguara);

Inferno, de Dan Brown (Arqueiro);

A informação, de James Gleick (Companhia das Letras);

Isso é arte? – 150 anos de arte moderna do Impressionismo até hoje, de Will Gompertz (Zahar);

O jantar, de Herman Koch (Intrínseca);

Jim Morrison: ninguém sai vivo daqui, de Jerry Hopkins e Danny Sugerman (Novo Século);

Jony Ive: o gênio por trás dos grandes produtos da Apple, de Leander Kahney (Portfolio-Penguin);

Lívia e o cemitério africano, de Alberto Martins (Editora 34);

A maçã envenenada, de Michel Laub (Companhia das Letras);

Malcolm X: uma vida de reinvenções, de Manning Marable (Companhia das Letras);

Marvel Comics: a história secreta, de Sean Howe (Leya);

Mavericks: a onda sinistra, de Mark Kreidler (Zahar);

Novembro de 63, de Stephen King (Suma de Letras);

O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman (Intrínseca);

A prisão da fé, de Lawrence Wright (Companhia das Letras);

Pulphead: o outro lado da América, de John Jeremiah Sullivan (Companhia das Letras);

Reprodução, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras);

Vozes anoitecidas, Mia Couto (Companhia das Letras);

Toda poesia, de Paulo Leminski (Companhia das Letras).

book_better tha a movie

Aproveita para namorar essa lista enquanto termino o Top 10 dos filmes.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s Ainda dá tempo de passar numa livraria antes do Natal.

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televisao sem programacao

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fevereiro 24, 2013 · 1:50 am

Cola para Lincoln

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Neste mundo atribulado, em que o trabalho nunca nos deixa e onde o Twitter, termômetro midiático, dá a reação aos últimos acontecimentos (não raro enquanto eles ainda se desenrolam) antes mesmo de a notícia “institucionalizada” chegar, queremos tudo bem resumido, bem mastigado. Queremos a cola da prova que vai nos dizer como vai ser o dia de amanhã. E nessa correria toda, pouco tempo sobra para pensar no passado.

Que relevância tem então um filme sobre um presidente americano, morto faz 147 anos? Um filme que, ao contrário de um “Apocalypse Now” (Francis Ford Coppola, 1979) ou “Platoon” (Oliver Stone, 1986), foca nos mínimos detalhes de uma batalha legislativa e não nos campos de batalha de verdade, da Guerra Civil Americana (1861-1865)? Um filme que ao contrário de “E O Vento Levou” (dirigido por Victor Fleming juntamente com mais dois realizadores não creditados, George Cukor e Sam Wood, 1939), não nos dá um romance arrebatador no centro da trama, mas apenas alguns relances de um amor muito mais complicado?

Em um análise de crítico de cinema, o “Lincoln” de Steven Spielberg parece se encaixar em uma leva de filmes de uma Hollywood que parece estar amadurecendo e trazendo uma visão de mundo menos ingênua também. Desde o “The Hurt Locker” (2008) e o “Zero Dark Thirty” – a hora mais escura para Osama bin Laden, ainda por estrear no Brasil –, da Kathryn Bigelow, passando pelo “Argo” (2012), do Ben Affleck, e talvez até incluindo o “Avatar” (2009), de James Cameron, um sociólogo poderia dizer que são expressões do povo americano digerindo e tentando entender as guerras desta virada de século. Tentando achar um tempinho pra refletir sobre o passado e tirar lições para o futuro, descontadas as distorções e os exageros ufanistas.

Que lições traz o “Lincoln” de Spielberg e o Lincoln de verdade pra nós brasileiros? Desculpe, mas aqui você não vai achar a cola. Seria simples dizer que esse talvez seja o melhor filme do Spielberg desde “Minority Report” (2002), “O resgate do soldado Ryan” (1998) ou a “A Lista de Schindler” (1993) – aquele que for seu preferido. E há argumentos para afirmar isso. E seria simples dizer que o Lincoln de verdade é ídolo de personalidades tão distintas quanto Marx e Trotsky, Walt Whitman e Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Jawaharlal Nehru, George W. Bush e Barack Obama. Tudo verdade.

Mas o que mais importa é dizer: Vai lá, do teu jeito, vale a pena conhecer o Lincoln. Não vai ser fácil, não vai ser tudo mastigadinho não. Mas eu aposto que você vai achar um amigo que, do passado, no presente e para o futuro tem muito a nos dizer.

Para saber mais sobre Abraham Lincoln

Livros:

Team of Rivals, biografia de Lincoln de Doris Kearns Goodwin, livro que inspirou o filme – traz muito mais detalhes da vida pessoal, da política e da equipe política de brilhantes, mas contenciosos rivais, que Lincoln criou e gerenciou durante seu governo.

A versão em português da biografia de Lincoln é uma versão resumida do livro original. Acaba de chegar às livrarias pela Record. Segundo a Folha, as 944 páginas da edição em inglês, no trabalho de edição, passaram para 320. A editora diz que a versão foi feita pela autora.

Battle Cry of Freedom, do historiador James McPherson é um clássico e até hoje serve como padrão, o melhor livro que em um volume resume a Guerra Civil Americana e a influência do Lincoln.

Lincoln’s Sword, de Douglas Wilson, foca no poder das palavras do ex-presidente, mais eficientes que a “espada” do título do livro.

Lincoln, de Herbert Donald Howard, é a outra biografia clássica de Lincoln.

The Lincolns: Portrait of a Marriage, de Daniel Mark Epstein, foca na vida pessoal de Lincoln e, particularmente, na sua conturbada relação com a esposa Mary, que alguns hoje diriam ser bipolar; e corrupta, desviando dinheiro dos jardineiros da Casa Branca para pagar por suas extravagantes compras em Nova Iorque e Filadélfia (Philadelphia para os conservadores). Por outro lado, o amor de Mary e do presidente Lincoln por seus filhos também fica muito claro.

Finalmente, se você gostou de alguns dos coadjuvantes do filme, vale a pena investigar a vida de verdade deles. Aqui algumas sugestões: Seward, Lincoln’s Indispensable Man, de Walter Stahr; Giants, the Parallel Lives of Frederick Douglass and Abraham Lincoln, de John Stauffer; The Man Who Saved the Union, Ulysses Grant in War and Peace, de H. W. Brands.

Filmes:

O filme “Young Mr. Lincoln” (1939) é outro clássico do cinema, de um jovem diretor John Ford e com Henry Fonda no papel principal. Infelizmente, ele geralmente é esquecido por ter sido lançado em 1939, “Ano de Ouro” de Hollywood. Foi obrigado a disputar atenção com clássicos de ainda maior impacto, como “Gone with the wind”, “Mr. Smith Goes to Washington” (Frank Capra), “The Wizard of Oz” (de Victor Fleming em codireção com os apócrifos George Cukor, Mervyn LeRoy, Norman Taurog e King Vidor), “Stagecoach” (do próprio John Ford), “Wuthering Heights” (William Wyler), “Goodbye Mr. Chips” (Sam Wood e o negligenciado Sidney Franklin), “Ninotchka” (Ernst Lubitsch) e “Of Mice and Men” (Lewis Milestone).

Abe Lincoln in Illinois” (John Cromwell, 1940) consolidou a imagem do Lincoln para a geração que lutou a Segunda Guerra Mundial. Depois disso, o presidente demorou a voltar às telonas. Gore Vidal escreveu uma peça sobre Lincoln que acabou virando uma minissérie de TV em 1988, com Sam Waterston e Mary Tyler Moore nos papéis principais. Finalmente, Robert Redford, em 2010, dirigiu “The Conspirator”, sobre um dos possíveis envolvidos no assassinato do ex-presidente.

Viagens:

Em Washington, D. C., não deixe de visitar o Lincoln Memorial, monumento em homenagem ao ex-presidente, com sua famosa estátua sentada em uma poltrona e seus dizeres em volta; e o recentemente reformado Ford Theatre, hoje museu, onde o presidente foi assassinado.

E a três horas de carro de Chicago ou duas horas de St. Louis, vale a pena conhecer a até hoje ainda pacata Springfield, Illinois, capital do estado onde Lincoln viveu grande parte de sua vida, fez carreira de advogado, se casou, teve filhos e ingressou na política. A casa onde o Lincoln morava faz parte de um bairro histórico bem preservado e a Abraham Lincoln Presidential Library não só é uma biblioteca, mas, sim, um museu muito bem bolado, com algumas exibições no patamar de Disney.

Spencer Finch — Correspondente do @doidoscine na Filadélfia, pai do Lucas, leitor voraz, amante de cinema e primo de @cebacellar

Trailer_”Lincoln”

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Os melhores e, claro, os piores filmes de 2012

A espera acabou. Eis as listas que não poderiam deixar de figurar no @doidoscine nos estertores deste ano…

Os 10 melhores filmes de 2012:

cinema palmas

1) “O hobbit – uma jornada inesperada”, de Peter Jackson > crítica

1) “A separação”, de Asghar Fahradi > crítica

2) “A invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese > crítica

3) “Drive”, de Nicolas Winding Refn > crítica

4) “Intocáveis”, de Olivier Nakache e Eric Toledano > crítica

5) “Caminho para o nada”, de Monte Hellman

6) “Shame”, de Steve McQueen > crítica

7) “Pina”, de Wim Wenders > crítica

8) “O artista”, de Michel Hazanavicius > crítica

9) “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson > crítica

10) “Argo”, de Ben Affleck > crítica

Alguns dos filmes que escaparam pelos poros do filtro estético, mas têm qualidades (o que dá uma noção de quanto é angustiante a escolha):

A Dark theater hall showing the seats

Os Vingadores”, de Joss Whedon

A vida de Pi”, de Ang Lee

As vantagens de ser invisível”, de Stephen Chbosky > crítica

This must be the place”, de Paolo Sorrentino

The girl with the dragon tattoo”, de David Fincher > crítica

A tentação”, de Matthew Chapman > crítica

Na terra de amor e ódio”, de Angelina Jolie > crítica

Ted”, de Seth MacFarlane

Tão forte e tão perto”, de Stephen Daldry > crítica

Sombras da noite”, de Tim Burton > crítica

Sudoeste”, de Eduardo Nunes > crítica

Slovenian girl”, de Damjan Kozole

Skyfall”, de Sam Mendes

Sete dias com Marilyn”, de Simon Curtis > crítica

Ruby Sparks: a namorada perfeita”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris > crítica

Rota irlandesa”, de Ken Loach > crítica

Românticos anônimos”, de Jean-Pierre Améris > crítica

Romance de formação”, de Julia De Simone > crítica

Raul – o início, o meio e o fim”, de Walter Carvalho

O porto”, de Aki Kaurismäki > crítica

Poder paranormal”, de Rodrigo Cortés

A perseguição”, de Joe Carnahan

Para Roma, com amor”, de Woody Allen > crítica

Paraísos artificiais”, de Marcos Prado > crítica

As palavras”, de Brian Klugman e Lee Sternthal

No”, de Pablo Larraín

A negociação”, de Nicholas Jarecki

“As neves do Kilimanjaro”, de Robert Guédiguian

“A música segundo Tom Jobim”, de Nelson Pereira dos Santos

O monge”, de Dominik Moll

O moinho e a cruz”, de Lech Majewski

Um método perigoso”, de David Cronenberg > crítica

Magic Mike”, de Steven Soderbergh

O legado Bourne”, de Tony Gilroy

L’Apollonide os amores da casa de tolerância”, de Bertrand Bonello

Jovens adultos”, de Jason Reitman > crítica

“Isto não é um filme”, de Jafar Panahi

Infância clandestina”, de Benjamín Ávila > crítica

O impossível”, de Juan Antonio Bayona

Hotel Transilvânia”, de Genndy Tartakovsky

O homem que mudou o jogo”, de Bennett Miller > crítica

O homem da máfia”, de Andrew Dominik

Histórias cruzadas”, de Tate Taylor > crítica

Heleno”, de José Henrique Fonseca > crítica

Hasta la vista: venha como você é”, de Geoffrey Enthoven

Habemus Papam”, de Nanni Moretti > crítica

A guerra está declarada”, de Valérie Donzelli

Frankenweenie”, de Tim Burton

“Febre do Rato”, de Claudio Assis

O espião que sabia demais”, de Tomas Alfredson > crítica

O espetacular Homem-Aranha”, de Marc Webb > crítica

Na estrada”, de Walter Salles > crítica

Entre o amor e a paixão”, de Sarah Polley > crítica

Elles”, de Malgorzata Szumowska

Elefante branco”, de Pablo Trapero > crítica

Deus da carnificina”, de Roman Polanski

O ditador”, de Larry Charles

Os descendentes”, de Alexander Payne > crítica

Cosmópolis”, de David Cronenberg > crítica

Conspiração americana”, de Robert Redford

Busca implacável 2”, de Olivier Megaton

Batman: o cavaleiro das trevas ressurge”, de Christopher Nolan > crítica

Apenas uma noite”, de Massy Tadjedin > crítica

Amor e dor”, de Ye Lou

Um alguém apaixonado”, de Abbas Kiarostami > crítica: Carlos Eduardo Bacellar crítica: Claudia Furiati

Albert Nobbs”, de Rodrigo García

360”, de Fernando Meirelles > crítica

Agora vamos à lista menos glamurosa, não obstante muito mais divertida de elaborar. 

Os piores de 2012:

cinema_show de horror

Ouro: “Fausto”, de Aleksandr Sokurov > quebra de recorde olímpico; o recorde mundial continua com “Tio Boonmee que pode recordar suas vidas passadas” (2010), do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul

Prata: “Minha felicidade”, de Sergei Loznitsa > crítica

Bronze: “Holy motors”, de Leos Carax > crítica

A piada sul-coreana de mau gosto de 2012: menção horrorosa para o insuportável “Hahaha”, de Sang-soo Hong

Carlos Eduardo Bacellar

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Os melhores livros de 2012

cinema x livro

Você deve estar se perguntando: onde está a lista com os melhores filmes de 2012? O ano ainda não acabou, e hoje é dia de estreias. Tudo em seu tempo… Enquanto isso, vai se divertindo com a lista dos 20 melhores livros publicados no Brasil este ano, além de duas menções honrosas para primorosos trabalhos de tradução e uma sacanagem com a Helena. Infelizmente, apesar dos esforços, o blog não conseguiu entrar em contato com o crítico literário Rodrigo Gurgel, o famigerado Jurado C do Jabuti 2012, que deu nota zero para a escritora Ana Maria Machado e mudou a história da premiação. Sem o auxílio de Gurgel, que catapultou Nihonjin (Benvirá), de Oscar Nakasato, para a estante de obras localizada na frente das livrarias, tivemos que nos virar da forma que foi possível. Tentaremos não fazer feio. Vamos aos escolhidos:

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan (Intrínseca)

A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (Cia. das Letras)

Serena, de Ian McEwan (Cia. das Letras)

Paris: a festa continuou, de Alan Riding (Cia. das Letras)

A noite da arma, de David Carr (Record)

Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães (Cia. das Letras)

Getúlio 1882-1930: dos anos de formação à conquista do poder, de Lira Neto (Cia. das Letras)

Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, de David Foster Wallace (Cia. das Letras)

Exclusiva, de Annalena Mcafee (Cia. das Letras)

Os ena­moramentos, de Javier Marías (Cia. das Letras)

O espírito da prosa: uma autobiografia literária, de Cristovão Tezza (Record)

O diabo na água benta, de Robert Darnton (Cia. das Letras)

Diálogos impossíveis, de Luis Fernando Verissimo (Objetiva)

Deixa ela entrar, de John Ajvide Lindqvist (Globo Livros)

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño (Cia. das Letras)

A borra do café, de Mario Benedetti (Alfaguarra)

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Cia. das Letras)

Ar de Dylan, de Enrique Vila-Matas (Cosac Naify)

Amsterdam, Ian McEwan (Cia. das Letras)

1Q84 — Livro 1, de Haruki Murakami (Alfaguara)

Ops… Vai escapar o 21… Stieg Larsson: a verdadeira história do criador da Trilogia Millennium, de Jan-Erik Pettersson (Cia. das Letras)

Menção honrosa para as traduções de:

Ulysses, de James Joyce (Penguin-Companhia), por Caetano W. Galindo

Guerra e Paz, de Liev Tolstói (Cosac Naify), por Rubens Figueiredo

O livro que Helena Sroulevich gostaria de ver na lista:

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe (Cosac Naify) – segundo Paulo Werneck, editor da Ilustríssima, Mãe é o “lisboeta bacana que causou sensação em Paraty”.

Carlos Eduardo Bacellar

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Errata

War on your mind

Fonte: weheartit.com

Um leitor (ou leitora) do blog discordou da minha crítica de “Holy motors”, o que é ótimo, e encontrou uma contradição no meu texto, o que é excelente. Por causa de um erro meu, provocado pelo atropelamento da coerência pelo pensamento revolto, eu disse que “Os amantes do círculo polar” (1998), do diretor espanhol Julio Medem teria servido de matriz para “Sangue ruim” (1986), do francês Leos Carax. Tal situação só seria possível se Carax fosse vidente, já que o filme de Medem foi lançado mais de uma década depois. A falha na construção do raciocínio foi apontada por (AKA) baudelaire — alcunha que remete ao poeta francês Charles Pierre Baudelaire, o que é no mínimo irônico.

Ambos, Carax e Medem, são caudatários do diretor italiano Federico Fellini (1920-1993) e de suas atmosferas feéricas, que transitam entre sonho e realidade. Medem se empenhou em refinar seus poemas audiovisuais de modo a criar uma assinatura estética própria, apostando na interseção entre fantasia/imaginação e o prosaico, enquanto Carax criou pastiches num exercício de antropofagia cinematográfica.

Além de sublinhar a contradição em que incorri, baudelaire, rebatendo meu texto, fez comentários relevantes acerca do diretor de “Boy meets girl” (1984) e de sua relação com Paris, e expôs brevemente sua posição sobre originalidade, autoralidade e identidade. Resolvi importar a troca de ideias do poscênio onde se encontravam os comentários de “Holy motors” e trazê-la para a ribalta. Este post funciona como errata – peço desculpas aos leitores – e, espero, abre um tópico para mais discussões construtivas, que explorem tanto o filme em questão como outras realizações. Por favor, apareçam, baudelaires!

Transcrevo nossa troca de mensagens abaixo:

leos carax é um dos cineastas franceses das últimas três décadas que mais consistentemente desenvolveu uma obra e um estilo que, para não partilhar de seus parâmetros à cerca de originalidade, pelo menos se serviram de matriz e influência para muitos outros cineastas. discordo que originalidade seja parâmetro de valoração estética, estilística, que um autor deva seguir caminho próprio. já é terreno esgotado essa discussão a cerca de autoria, sobretudo no cinema, uma arte eminentemente coletiva. e dizer que os amantes da ponte neuf é um filme que bebe do neorealismo é ignorar sua feitura numa Paris pessoal (marcadamente influenciada por um repertório cinefílico do diretor) e construída em estúdio! quer dizer, trata-se muito mais de uma Paris impressionista e antinaturalista, que uma Paris exposta em carne crua.

a parte isso, não entendi como mauvais sang pode ter sofrido influência, ou melhor, ter tentado reproduzir uma ‘narrativa poética’ de um filme posterior em mais de 10 anos. não sei o que quis dizer com isso…

ps.: não vi holy motors, ainda, e acho que a questão da crise de identidade supostamente debatida no filme multiplica ainda mais os horizontes do sujeito que, todos sabemos, é fragmentário, consiste numa multidão, e negar isso ou diagnosticá-lo como uma crise, um problema, não passa de falta de criatividade.” (baudelarie)

Minha resposta:

Opa! Discussão de alto nível! Discordo que a questão da autoria esteja esgotada. Vai de encontro a tudo que espero do cinema. Quando vejo o trabalho de diretores como Nuri Bilge Ceylan, Fatih Akin, Tarantino, Abbas Kiarostami, entre outros, recuso-me a acreditar que o coletivo eclipsou o individual. Posso concordar que Carax romantiza Paris, da mesma forma que Woody Allen idealizou sua Nova Iorque em “Manhattan” (1979), para ficar no exemplo mais óbvio. Ele arquiteta, como você bem disse, uma Paris “impressionista e antinaturalista”, uma cidade luz muito pessoal – erigida em sonhos, não em concreto e aço. Essa reflexão não nega toda temática neorrealista que grita por trás da encenação. Fico irritado com a obsessão de Carax pela ponte Neuf e pela ereção de Denis Lavant. Com relação à comparação entre “Mauvais Sang” (1986) e “Os amantes do círculo polar”, você tem razão, é uma contradição. Meu pensamento revolto se precipitou sobre a coerência. Ambos os diretores, Carax e Medem, bebem na fonte de um italiano chamado Federico Fellini. O relizador espanhol reverteu sua narrativa poética, delineada por elementos feéricos, em projetos de beleza singular. Já Carax não consegue nada mais do que um pastiche da obra felliniana, apostando naquele reme-reme de almas fadadas à segregação num ambiente urbano e cultural que salienta os contrastes sociais e emocionais. Nunca neguei esse “deslizamento do sujeito”, como bem disse meu amigo e crítico Luiz Fernando Gallego, nem o classifiquei como crise, já que constitui o mosaico de que somos feitos. Só que Carax não multiplica, e sim fatora, decompondo suas identidades em simulacros de outras fontes.

Assim como demonstrado por um dos personagens de “Os amantes do círculo polar”, pode ser que haja alguma presciência na obra do francês. Ele, bem como o tailandês Apichatpong Weerasethakul, estaria à frente de seu tempo. Grande parte da crítica acredita nisso. Eu não. Ninguém está totalmente certo nem totalmente errado, pois estamos falando de arte – e arte é disenso. Só o futuro dirá quem conseguiu focar com mais acuidade os elementos significativos (negativos ou positivos) da proposta estética de Carax.

Saliento que a minha opinião é só mais uma opinião, e não a opinião.

Quero deixar registrado que respeito suas opiniões, todas relevantes, e reconheço meus tropeços. Assista ao filme para podermos conversar mais.

Apareça sempre. O blog precisa de mais comentários como o seu.

 Carlos Eduardo Bacellar

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Goodfella!

Hoje é aniversário do diretor Martin Scorsese. Parabéns para o mestre! Que continue fazendo por muito anos filmes incríveis.

Carlos Eduardo Bacellar

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