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A fita branca -e preta- de Haneke

Michael Hanake, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, conseguiu algo que há muito tempo não se vê na tela grande, provocar e encantar a audiência ao mesmo tempo.

“A Fita Branca” conta a história de um vilarejo protestante no Norte da Alemanha pré I Guerra Mundial, onde temos as relações humanas ainda muito pautadas em disciplina religiosa e moral. A trama se desenrola mostrando a intimidade das famílias daquele lugar, especialmente em como os pais disciplinam e educam seus filhos de maneira extremamente rigorosa, porém, um tanto comum àquela época.

O filme é narrado muitos anos após os eventos por um morador da vila, que por mais que seja um dos personagens ativos da trama, se encontra às margens do que acontecia dentro das casas. Por isto mesmo, ele inicia a narração alertando a platéia de que nem tudo que ele vai contar pode ser verdade, já que ele ou não presenciou os fatos ou soube somente através de outras pessoas.

Uma série de misteriosos atos violentos ocorre no vilarejo, acabando com a tranqüilidade e a paz do local. O enredo vai entregando respostas cruzadas e incompletas, como um papel rascunhado, rabiscado, rasgado… para cada evento no filme, há diversas explicações lógicas e possíveis, o diretor deixa o trabalho de encontrar as respostas para a platéia. Ao fim da película, não temos certeza para afirmar nada; e é exatamente isto que Hanake quer; que a platéia se sinta obrigada a refletir e questionar a natureza humana.

Muitos vão associar o filme à fertilização do solo para o nascimento do regime nazista na Alemanha pós I Guerra. Pode ser. A escolha do país germânico não foi a esmo, mas a história poderia ter acontecido em qualquer lugar, como o próprio diretor afirma.

A fotografia de Christian Berger é esplendida, inspirada no trabalho do fotógrafo alemão August Sander, já faturou três prêmios, inclusive NSFC, e mereceria a estatueta.

Enfim, recomendo fortemente o filme, cinco rolinhos! Aposto que sai vencedor dos dois prêmios aos quais foi indicado pela Academia.

Falando em apostas, meu próximo post será sobre o Bolão do Oscar que os três desocupados deste blog levantaram.

Edu Valverde

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Arquivado em Edu Valverde, Filmaço!!!

Gêmeas?

O olhar mais desavisado poderia confundir as duas beldades. Seriam gêmeas? Na vida real, onze anos separam as duas. Se compararmos os recentes papéis na ficção, estamos falando de décadas.

A atriz ninfeta Maria-Victoria Dragus (16), na foto em preto e branco, interpreta Klara – projeto de adolescente que vive em uma comunidade conservadora, intolerante e opressora, no período que antecede a 1ª Guerra Mundial – na nova produção do diretor alemão Michael Haneke, “A fita Branca” (2009), que acaba de debutar no circuito exibidor nacional. O filme chega e chega forte, credenciado por uma Palma de Ouro fresquinha.

Kate Bosworth (27), na foto colorida, interpretou Louis Lane na última transposição para as telas das aventuras do Super-Homem (“Superman Returns”, 2006), assinada pelo nova-iorquino Bryan Singer, e fez mais estragos no coração do homem de aço do que kryptonita. Seu último longa foi “Quebrando a banca” (2008) — “21”, no original –, do diretor australiano Robert Luketic, no qual contracenou com Kevin Spacey e Laurence Fishburne (vulgo Morpheus!!!).

Carlos Eduardo Bacellar

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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar

Cartão vermelho para a legendagem

Depois da legendagem, em Português lusitano, do episódio de estreia da última temporada de Lost, o que eu considero, no mínimo, uma falta de respeito ao telespectador brasuca, ontem foi a vez de os responsáveis por este ofício exprimirem, novamente, toda a sua “genialidade”, agora no cinema.

Acredito que eu e todos os amantes da sétima arte estávamos “secos” para conferir o novo filme do cineasta alemão Michael Haneke, “A fita branca” (“Das weisse band”, no original), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2009.

O que eu não esperava, o que ninguém esperava, haja vista a indignação geral, era que os responsáveis pela tarefa de legendar o filme fossem ter a brilhante ideia de utilizar caracteres brancos. Nota importante: num filme em preto e branco, falado em alemão, e que abusa de paisagens bucólicas cobertas de neve. Conclusão: em muitas sequências do filme, quando os tons claros estouravam, fiquei sem entender absolutamente nada. A língua germânica e o idioma Na’vi para mim são a mesma coisa. Tive que preencher as lacunas com o bom-senso e a minha imaginação.

Tal fato ainda esculacha o trabalho dos tradutores, que se esforçam tanto na tarefa árdua de trazer ao nosso entendimento o conteúdo narrativo dos produtos estrangeiros. Não era necessário levar tão ao pé da letra o título da produção.

Custava utilizar a cor amarela nos caracteres? Resolvia o problema. Que falta de sensibilidade…

Carlos Eduardo Bacellar

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Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Fundo do Poço (suicídio estético)