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Vera Formidável!

Com extrema competência, meus dois colegas de blog – Helena e Edu – já dissecaram o novo filme de Jason Reitman. Realizador dos excepcionais “Juno” e “Obrigado por fumar”, o diretor não precisa de cartões exclusivos para atiçar a libido da comunidade cinéfila.

Dito isso, quero chamar a atenção para a atuação da estonteante Vera Farmiga. Ryan Bingham, personagem vivido pelo galã bem passado George Clooney, vale-se de seu estilo de vida para criar uma aura misantropa ao redor de si, evitando criar raízes e estabelecer relações duradouras.

Tudo vai de acordo com a agenda, até encontrar Alex Goran, incorporada por Farmiga, o que obriga Ryan a realizar um pouso forçado na ilha de Lost (em fevereiro começa a nova e última temporada, imperdível!!!). Lá ele não vai encontrar monstruosidades de fumaça negra (eu preciso saber o que é aquilo!!!), escotilhas misteriosas no meio da selva, ursos polares andando no meio da mata, templos enigmáticos, nem tribos inimigas prontas para atacar a qualquer momento. Algo mais assustador o espera: o relacionamento humano e todas as contradições inerentes.

Vera Farmiga é uma predadora dos céus. Com duas safiras hipnóticas estampadas na face, utiliza todo o seu charme para estontear viajantes indefesos e fugir da falta de emoção de sua vidinha “real”. Como um Leonopteryx faminto, Farmiga caça Banshees incautos que acreditam estar no domínio da situação, voando absolutos pelos céus da América e do mundo. Aqueles dois faróis azuis – que tragam a alma de qualquer macho de plantão – serão a última coisa que executivos incautos verão antes de se espatifarem em terra firme, descobrindo que a realidade pode machucar mais do que uma queda de mais de 5 mil pés. Às vezes, viver uma ilusão nas alturas pode ser mais incrível – ou inteligente – do que encarar o que nos aguarda em solo, nas nossas relações com amantes, parentes, amigos.

Ryan, como não poderia deixar de ser diferente, se apaixona e comete um erro fatal: sem saber mais detalhes sobre Alex e sua vida pessoal, ele resolve deixar os céus de brigadeiro e começa a imaginá-la como sua co-piloto. A conexão não foi estabelecida. Sinto dizer, meninas, mas Clooney não será Toruk Macto – Rider of the last shadow. Resta a nós, pobres mortais, extravasarmos nosso recalque no texto, deitarmos a cabeça no travesseiro à noite, e imaginarmos que estaremos cavalgando Vera Farmiga no motel mais próximo, qualquer dia desses (sonhar não custa nada).

Apesar da ótima atuação de Anna Kendrick (dá um show!), sua personagem, Natalie Keeener, a mais nova aquisição da firma para a qual Clooney trabalha – que tem como negócio demitir pessoas ao redor do globo, na esteira da crise econômica mundial, já que muitos chefes cagões não têm culhões para tanto -, ela é totalmente eclipsada pelo tornado azul Farmiga. Pois é, Anna, você não está mais no Kansas, e aqui o papo é de gente grande. Experiência + corpo escultural + voz sexy + par de bilhas azuis que despertaram meus instintos mais selvagens são duros de bater. Sem esquecer que a grama do vizinho sempre é mais verde, como já diz o ditado, não é verdade? O que eu posso dizer? Não sou isento…

Breve comentário final: eu consegui me conter na sessão até o momento em que Alex admite que já teve experiências sexuais com mulheres. Ali ela acabou comigo. Foi um Deus nos acuda dentro do cinema. Tenho uma queda por meninas que gostam de meninas. Ainda bem que eu estava de jeans.

Pensamento do dia:

Meu Avatar envenenado: em qualquer cultura deste universo e de outros que possam existir, quem tem o melhor carro (ops…) – no caso do filme do James Cameron, quem tem o melhor pterodáctilo monstro assassino – sempre ganha a garota. É de lei! Até em Pandora amar a pé (ou de “carro” velho) é lenha hehehehehehehehehehe!

Carlos Eduardo Bacellar

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Amor sem Escalas

George Clooney é um cara pintoso. Até eu, que sou tradicional, tenho que assumir isso. Sempre defendi que ele daria um perfeito James Bond, diz aí.

Em “Amor sem Escalas”, George encara Ryan, um cara que, com muito orgulho, diga-se de passagem, coleciona milhas aéreas ao cruzar os Estados Unidos pela American Airlines;* prestando serviços de desligamento de profissionais em um país economicamente caótico.

Veja bem:  eu mesmo sou um cara que volta e meia pego meus vôos (de executiva néam) e simplesmente odeio este clima de ar reciclado, filas, malas, check-ins e tais – juro que me cansa. Ryan, entretanto, não só adora, como se vangloria com o fato de ter aeroportos e aeronaves como seu verdadeiro lar. Para isso, desliga-se de tudo que evoca estabilidade such as família, casa e relacionamentos em geral.

É claro que a esta altura você já sacou o turning point do filme; realizado, de forma muito bem escrita. O foco está no valor das relações humanas em nossas vidas. Como santo de casa não faz milagre (é o povo que diz, gente!), George Clooney é um cara que beira os 50 anos de idade solteiro e sem ter uma relação monogâmica duradoura, how ironic.

O filme é ótimo e recomendado. Depois de tantas comédias românticas estilo Judd Apatow, a gente fica cansado de roteiros desconexos e improvisações de boas idéias. Desta vez, muito pelo contrário, temos uma sinopse duvidosa e um filme excelente.

Creio que tem chances de ganhar alguns prêmios, como roteiro original e melhor atriz coadjuvante para Vera Farmiga, o resto seria, ahm… exagero.

*Nota: O sentimento de que se trata de um filme institucional da AA ocorre algumas dezenas de vezes durante o filme.

Edu Valverde

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Nas escalas, o amor.

“Amor sem Escalas” cruza longe o cruzeiro de comédia romântica. A tradução comercial de “Up in the Air” é catchy às mulheres (se bem que o George Clooney por si só já vale o ingresso) e aos novos casais. Se não dimensionada, subestima o potencial do interessante enredo. É repleto de metáforas, onde viver nas nuvens ou estar no ar azeita de desconexão os mais conectados.

Em contexto atual, o profissional focado Ryan Bingham (George Clooney) lucra milhas exorbitantes, enquanto demite os desafortunados pela crise americana. Fazendo o trabalho sujo, é o representante perfeito de certas empresas que lucraram (e muito) com o downturn. Em economia de crise, quem tem lábia é rei: provavelmente esteja aí a parcela creditada à comédia.

O filme sugere um Ryan bem resolvido. Típico solteiro profissional, tem proposta minimalista e desapegada. Ama seu estilo de vida e o defende com unhas e dentes em palestras motivacionais (para exportação). Tudo que tem, parece descartável ou substituível em uma próxima escala em terra firme – à exceção de seus cartões de fidelidade, verdadeiros passaportes ao luxo, dos quais se orgulha tremendamente.

O que ele ainda não sabe é que suas verdades, por mais enraizadas que estejam, terão destino questionado por mulheres: a amante, a amiga e a irmã. Na charmosa personagem Alex, de Vera Farmiga, reconhece sua alma gêmea, alguém capaz de compartilhar seu jeito de ser e que, como ele, parece só querer da vida curtição-sem-compromisso. A segunda é a recém-formada Natalie Keener (Anna Kendrick) que acredita ter aprendido na Faculdade tudo que precisava saber sobre políticas de Recursos Humanos e cortes orçamentários e, antenada, sugere demissões via webcam como parte de seu job. Nada mais apropriado quando se lida com a desgraça alheia, não é mesmo? É neste imbroglio que a relação de Natalie e Ryan se estabelece, revelando a humanidade por trás do sangue frio. E é da intimidade dividida pelos dois que Ryan percebe seu coração em pouso de emergência ao encontro da família (no casamento da irmã), lugar renegado no passado, mas que provocará verdadeiras revoluções internas em sua personalidade.

O amor está nas escalas de amadurecimento afetivo do homem Ryan. Certo do que quer, parte em busca do rumo “certo”. O que ele desconhece e nem desconfia, é que as mulheres só decolam – sem cintos – quando devidamente livres, seja por condição ou por um mínimo de retaguarda. “Amor sem Escalas” é um embarque nas relações contemporâneas repleto de significados, e deixa seus vitimados à flor da pele.

Helena Sroulevich

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