Arquivo da tag: anne hathaway

(1) dia com ela

And if a double-decker bus/ Crashes into us/ To die by your side/ Is such a heavenly way to die (There’s a light that never goes out The Smiths)

Peço desculpas aos leitores do blog, mas este post foi escrito pensando em quem leu “Um dia” e, assim como eu, se encantou com o livro. É para você, leitor apaixonado, que escrevo este texto. Você que, assolado por uma miríade de emoções, riu, chorou (às vezes ao mesmo tempo) e se identificou com a história de Emma Morley e Dexter Mayhew. Mesmo ciente das liberdades que roteiristas tomam ao transpor uma obra literária para o cinema, e dos perigos que corro ao comparar linguagens completamente diferentes, há marcos literários nos romances que devem ser respeitados, pois são definidores do desenrolar narrativo. Pelo menos eu penso assim. Dito isso…

*****

O maior inimigo do amor talvez seja o silêncio. Sentir e não verbalizar para a pessoa que ama pode significar a extinção de algo que ainda nem começou, mas poderia se você tivesse a coragem necessária. Muitas vezes a tentativa de abrir o jogo esbarra no azar das circunstâncias. Como uma carta que poderia ter mudado tudo, mas é extraviada pelas vicissitudes. Ei!, está esperando o quê? Ainda não te convenci? Tudo bem, é melhor você terminar de ler o que tenho a dizer primeiro…

Talvez o esquecimento dessa premissa fundamental tenha impedido “Um dia” de realizar todo seu potencial na tela grande. O que torna mais irônica essa afirmação é que o próprio autor do livro roteirizou sua obra para o cinema. Vou chegar lá… Perca mais alguns minutinhos com estas linhas e depois você terá tempo de sobra para se declarar à pessoa de que gosta.

Ficou a cargo da diretora dinamarquesa Lone Wrede Scherfig (“Educação”, 2009) a tarefa desafiadora de transpor para as telas “Um dia”, fenômeno editorial do ator, roteirista e romancista britânico David Nicholls. Com uma abordagem narrativa singular, somos arrebatados pelo relacionamento de Dexter e Emma. Eles se conhecem no dia 15 de julho de 1988, logo após a formatura, trocam intimidades e são ferroados pelas interrogações das possibilidades. Com personalidades antagônicas, os dois seguem caminhos distintos após o primeiro envolvimento, mas, nos 20 anos seguintes, precisamente na mesma data, ficamos sabendo como andam as vidas de ambos.

Quem não leu o livro — se for o seu caso, você deveria ter parado de ler este texto no primeiro parágrafo e acessado o site da livraria da Travessa, ou outro site de compras virtuais qualquer, em busca da obra — vai se perder com a montagem de Barney Pilling, que torna o encadeamento narrativo confuso. As supressões — necessárias por falta de tempo hábil para desfiar todos os acontecimentos das 410 páginas de “Um dia” em pouco mais de 100 minutos — tornam ainda mais complicado o exercício de preenchimento das elipses temporais, grande sacada do livro. Não funciona no cinema. A riqueza da literatura está nesse vácuo que suga nossa imaginação e a deixa tateando no escuro, tentando montar um quebra-cabeça com peças de outro jogo, cuja imagem desconhecemos. Nem a fotografia de Benoît Delhomme, que emoldura com sutileza e intimismo o clima de frustrações e desejos represados, consegue ofuscar as falhas.

Os fãs, que se apaixonaram pelos personagens do livro, não vão se decepcionar com a escolha dos protagonistas. Muito se disse acerca do sotaque de Anne Hathaway. Não me incomodou. Talvez se eu integrasse a aristocracia britânica… Não é o caso. Tanto ela como Jim Sturgess (“Across the universe”, 2007) no papel de Dexter, cumprem seu papel com competência. Sturgess é um promessa na qual eu apostaria algumas fichas.

Agora, o que me incomodou mesmo… Lembra-se daquele amor mencionado no segundo parágrafo, extraviado pelo azar das circunstâncias? Foi o tiro que Nicholls deu no próprio pé. Suprimindo do roteiro uma carta que poderia ter mudado tudo, mas que ficou sepultada dentro de um exemplar de Howards End, perdido num sofá de bar, e nunca chegou às mãos de sua destinatária, o roteirista/romancista retira toda a significação do marco literário que fundamenta a construção e o entendimento do seu texto. Aquela carta, ou melhor, o fato de ela nunca ter alcançado Emma, explica por que as coisas tangenciaram o mapa afetivo dos protagonistas (mudança de curso essencial para o desenrolar da história). Quando Nicholls opta por extirpá-la do roteiro, ficamos sem entender a força das descobertas do passado, os paliativos venenosos de um futuro sem significados, e a angústia do presente, dia 15 de julho, na expectativa da felicidade.

Então? Vai tomar alguma atitude? Segundo a pesquisa abaixo, 10.230 pessoas não podem estar erradas. Espero que você se inspire nela e adiante o seu lado.

Carlos Eduardo Bacellar

6 Comentários

Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Carlos Eduardo Bacellar

Transar x Gostar

É tão fácil vender “Amor e outras drogas” (2010) quanto Viagra. Anne Hathaway, na pele da personagem Maggie, com os seios à mostra praticamente o tempo todo (um viva para os roteiristas e a direção!), encanta o promíscuo Jamie, interpretado por Jake Gyllenhaal, que resolve largar a vida bandida por ela.

Decantando toda água com açúcar da história eu-quero-você-mesmo-quando-você-desistiu-de-viver-e-finge-que-não-me-quer-porque-acha-que-sabe-o-que-é-melhor-para-mim, os personagens de Anne e Jake nos fazem refletir sobre o amor.

Eles percebem, quase tarde demais, que joguinhos e máscaras vão afastá-los um do outro — justamente no tão temido momento em que tesão e sentimento convergem, formando um elo quase inquebrantável, muitas vezes assustador. E Jamie, purgando-se da devassidão com o sorriso (e todo resto) de Maggie, descobre que não quer mais transar com todas as mulheres do mundo, só com ela.

Especialista na arte da conquista, como Will Smith em “Hitch”(2005), o garanhão Jamie se perde completamente por Maggie quando o sexo fica em segundo plano, e ele entende a diferença entre transar e gostar.

Palavras… Não significam nada quando Anne Hathaway tira a roupa. Só aluguei mesmo porque me garantiram as partes dos seios de fora. Ei! Ninguém é de ferro!

Carlos Eduardo Bacellar

Deixe um comentário

Arquivado em Aprecie com Moderação (dá um caldo), Carlos Eduardo Bacellar

Em campanha por Anne “Gathaway”

Quem quer Anne Gatha…, digo, Hathaway, no elenco de “The Dark Knight Rises”, novo filme sobre o homem-morcego de Gotham City, dirigido por Christopher Nolan, levanta os braços!

\o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

Será que o coração do Batman segura o tranco?

Anne Hathaway e seu modelito “pressão 8/6 — sal debaixo da língua já!”: passarinho que anda com morcego dorme de cabeça para baixo. Será que o vestido irá resistir à força da gravidade? Tomara que não!

Carlos Eduardo Bacellar

1 comentário

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar, Uncategorized

Façam suas apostas, a lista saiu!

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood apresentou, na manhã de hoje, a lista com os indicados ao Oscar 2010. A novidade é a presença de dez filmes na disputa principal pela mais cobiçada honraria do cinema mundial.

E, como não poderia deixar de ser diferente, os apaixonados por cinema devem ter começado a elaborar suas listas de apostas. Já adianto que teremos um bolão aqui no blog. Edu e Helena, estejam comunicados.

Não me considero esquizofrênico (posso estar enganado), mas, ultimamente, os deuses do cinema têm cochichado palpites nos meus ouvidos. Por isso, estou extremamente confiante com relação às minhas premonições. Como todos já estão cientes dos indicados, vamos às apostas nas principais categorias, acompanhados dos devidos comentários:

“Avatar” e “Guerra ao terror” disputam nove estatuetas. James Cameron vai enfrentar diretamente sua ex-Neytiri, a detonadora de emoções Kathryn Bigelow, em sete categorias: filme, direção, mixagem de som, edição de som, trilha sonora, montagem e fotografia. Farpas vão voar para todos os lados!

No quesito direção, Kathryn é barbada. A cineasta de 58 anos acaba de ser laureada como melhor diretora de 2009 pelo Directors Guild of America (DGA), o sindicato de cineastas dos EUA. Como se isso não bastasse, impulsionada pela explosão estética e psicológica de seu filme, a diretora de “Caçadores de emoção” (1991) vem arrematando prêmio atrás de prêmio. Entre eles estão os das associações de críticos de Los Angeles, Nova York e Washington. “Guerra”, negligenciado pelo circuito exibidor brasileiro e lançado diretamente em DVD no meio do ano passado, por força dos elogios da crítica especializada, garantiu um lugar ao sol: debuta tardiamente nos cinemas na próxima sexta.

Já comentei em um post anterior que “Guerra” também deverá levar para casa o prêmio de melhor filme. Avatar é uma produção impactante e inebriante, uma orgia sinestésica para os sentidos, mas não tem a profundidade do roteiro do principal concorrente.

Como melhor ator deve levar Jeff Bridges, no papel do cantor country Bad Blake – apesar da força de Morgan Freeman no papel de Mandela, pouco comentado até o momento por causa da estréia tardia de “Invictus” aqui no país. O resto corre por fora.

A estatueta de melhor atriz já é de Sandra Bullock em seu papel na trama “Um sonho possível”, podem escrever. A ex-queridinha de Hollywood deu a volta por cima e arrebatou a crítica com sua atuação nesta produção, que deverá alçá-la ao rol das principais atrizes do momento. O longa estréia por aqui em março.

Alguém acredita que deve haver zebra na premiação de melhor ator coadjuvante? A unanimidade Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”) provavelmente está, neste momento, em algum castelo na suíça estourando champagne cercado de modelos (bom, eu estaria fazendo isso se fosse ele).

Melhor atriz coadjuvante: o Oscar vai para Mo’Nique (“Preciosa”), fácil.

Infelizmente o Brasil ficou de fora da premiação de melhor filme estrangeiro. Minha aposta é na produção germânica “A fita branca”, do diretor Michael Haneke, que flanou por aqui no último Festival do Rio.

Na categoria roteiro adaptado, faço fé em Neill Blomkamp e Terri Tatchell (”Distrito 9”). Quentin Tarantino deverá colocar as mãos na estatueta de melhor roteiro original com seu violento – mas não menos maravilhoso – ”Bastardos inglórios”.

Vou resumir a limpa dos prêmios técnicos com uma só palavra: “Avatar” (com as exceções óbvias).

Fechando a conta, ”Up – altas aventuras” leva na categoria animação. Ninguém está imune ao simpático e ranzinza velhinho, dublado em português pelo humorista Chico Anysio.

A cerimônia ganhou um charme especial sob a batuta da atriz Anne Hathaway (absurdamente linda e charmosa… meu reino por cinco minutos com ela!!!), uma das queridinhas hollywoodianas do momento, que comandou a apresentação dos indicados.

Agora, me digam… Se Anne “entorta pescoços” Hathaway chegasse para vocês e pedisse alguma coisa, com uma carinha de cachorro abandonado e aqueles olhos expressivos e amendoados (parecem até riscados pela mãe natureza com traços de mangá), alguém diria não? Pois é… Alguém ainda duvida que as mulheres irão dominar o mundo?

Carlos Eduardo Bacellar

Deixe um comentário

Arquivado em Carlos Eduardo Bacellar