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A Fox traz notícias do além

“Nosso Lar”, lançamento brasileiro da distribuidora Fox na última sexta-feira (03 de setembro), atraiu mais de 500 mil pessoas às salas de cinema entre sexta e domingo. Analistas do mercado estimam que o filme encerre a primeira semana em exibição com mais de 800 mil ingressos vendidos. É o maior lançamento do cinema brasileiro desde a retomada, lançado em 435 salas, recorde que só deve ser batido quando o comando do BOPE dominar o mercado brasileiro  com “Tropa de Elite 2”. Festejando os resultados do filme no fim de semana, Patricia Kamitsuji, Diretora da Fox no Brasil, conversou com a gente.

1. “Nosso Lar” desponta no mercado como o maior lançamento do cinema brasileiro desde a retomada. Por que a aposta arriscada? E qual a estratégia de lançamento adotada por vocês?

A aposta da Fox em “Nosso Lar” se deu há vários anos quando decidimos investir e distribuí-lo. O fato de se tornar o maior lançamento do cinema brasileiro é consequência da demanda do mercado por um filme que foi construído aos poucos. Antes de “Bezerra de Menezes”, não havia filmes brasileiros espiritualistas, mas havia no Brasil dados concretos e recentes de que o espiritualismo fazia sucesso; vide “Ghost” e “Sexto Sentido”, sucessos retumbantes no pais.

Após “Bezerra de Menezes”, lançado pela Fox em 2008, fazer mais de 500 mil pessoas com apenas 44 cópias, “Chico Xavier”, lançado pela Downtown-Sony, ser até o momento o filme brasileiro mais visto em 2010 com 3,4 milhões de espectadores, e “Nosso Lar” fazer mais de 500 mil espectadores no primeiro fim de semana, o “nicho” espiritualista virou gênero no Brasil.

A expectativa para “Nosso Lar” é de muito sucesso, e dependendo do segundo fim de semana e do boca a boca pode se tornar um blockbuster ou fenômeno.

2. “Nosso Lar” é o segundo lançamento “espiritualista” da Fox (antes foi lançado Bezerra de Menezes). Por que investir em filmes brasileiros desta temática? Aponta alguma tendência da empresa de distribuir filmes deste “subgênero”?

Um de nossos objetivos no Brasil tem sido “construir plateias”, ou seja, co-produzir filmes para crianças e jovens (tivemos recentemente “O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes”, vamos lançar “Eu e o Meu Guarda Chuva”, estamos na fase de produção de “Minhocas”) e também buscar nichos como aconteceu com “Bezerra” e “Nosso Lar” – trazer público que não frequenta cinema atualmente pode elevar o potencial cinematográfico do Brasil!

Em 2004, a Fox distribuiu em alguns países o filme “Paixão de Cristo”. No Brasil foi um grande sucesso. Foi visto por quase 7 milhões de espectadores e grande parte não frequentava os cinemas. Mais uma vez, aqui dados concretos! Desta forma, a grande motivação da gente é colocar nos cinemas os filmes que muita gente quer assistir, mas que ainda não tinham chegado ao mercado.

3. Os veículos de comunicação têm publicado que “Nosso Lar” foi feito sem incentivos fiscais, entretanto no site da ANCINE (http://bit.ly/a2tYwD) mostra captação de R$ 2,5 milhão. A co-produção da Fox se solidificou apenas via Art 3o (mecanismo de incentivo fiscal das empresas distribuidoras internacionais)?

Não apenas. Quando uma distribuidora co-produz um filme há um grande investimento antecipado de “P&A” (custos de comercialização para o lançamento). Já houve casos que não recuperamos este investimento pelo fato de a bilheteria não pagar sequer os investimentos em cópias e campanha de lançamento. Entretando, para mim, o principal investimento que fazemos é no capital humano. A Fox respira filme diariamente….em cada mesa há alguém trabalhando uma fase de cada filme, desde leitura de roteiro, definição de estratégias, levantamento de números, busca de novidades, programação, relatórios. Quando entramos numa co-produção é de “corpo e alma”! Colocamos toda nossa estrutura para batalhar pelo sucesso do filme nacional.

4. “Avatar” e “Alvim e os Esquilos 2” foram sucessos nas férias de verão. O resultado, principalmente nas exibições 3D, superaram as expectativas da empresa? Como foi “ganhar” o mercado das férias e emplacar estes títulos?

“Avatar” foi um fenômeno mundial. No Brasil só não fizemos mais porque não tínhamos mais salas 3-D.

“Alvim 2” foi um sucesso no Brasil, a segunda maior bilheteria da Fox Internacional (todos os mercados menos o norte americano) e possivelmente o maior público do mercado internacional! A estratégia para este gênero é sempre fazer de tudo, presença massiva.

5. No que tange ao cinema brasileiro, dentre as majors, a primeira década dos anos 2000 foi marcada pela hegemonia da Sony na co-produção e distribuição destes títulos. A partir de “Se eu fosse você”, a Fox vem assumindo liderança no share de público nacional. A que se dá este resultado e como a empresa vislumbra sua associação ao cinema brasileiro nos próximos anos?

Está vinculado a co-produzir e distribuir produtos que as pessoas queiram assistir!

Precisamos saber o que as pessoas querem assistir no Brasil. Há vários nichos que não são atendidos pelas produções internacionais e há outros gêneros consagrados por aqui, como comédia e o subgênero comédia romântica. Precisamos de bons roteiros para produzir bons filmes de todos os gêneros e desenvolver nossa plateia!!

Helena Sroulevich (indo ao Leblon 1 para a sessão de “Nosso Lar” às 16h30)

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O Bonequinho viu…

E eu também. Na página 6 do “Segundo Caderno” de “O Globo” de hoje, o espaço dedicado a “A saga Crepúsculo: Eclipse” assusta. Das 204 salas comerciais de cinema existentes no estado do Rio de Janeiro, os vampiros da Paris Filmes nos esperam em 78 delas, ocupando quase 40% do mercado.

Vampiros concentrados. Com a praia comprometida no inverno, o jeito é investir o domingão em algum shopping center espalhado pelo estado. Combinando segurança, praça de alimentação, estacionamento e supercinemas, torna-se A opção do carioca quando o assunto é diversão nas férias de julho. Raciocínio compartilhado pela Paris Filmes. A estratégia da distribuidora foi concentrar o lançamento do vampiresco “A saga Crepúsculo: Eclipse” mordendo a jugular de TODOS os Multiplex (complexo de cinemas) de shopping centers do estado.

Pescoço bom é pescoço mordido. No Cinemark Downtown, o título pode ser conferido em metade das salas disponíveis, ou seja, 6. No UCI New York City Center, o filme está em 8 das 18. Quatro é o número de salas ocupadas pela obra no Cinemark Carioca (Vicente de Carvalho), no Multiplex Caxias Shopping e no UCI Kinoplex (Del Castilho). No Shopping Iguatemi (Vila Isabel), no Cinesystem Bangu, no West Shopping (Campo Grande), no Via Parque da Barra da Tijuca, no Kinoplex Grande Rio (São João do Meriti),  no Cinemark Botafogo, no Kinoplex Nova América (Del Castilho) ou no Shopping Tijuca, a mordida compromete 3 salas de cada um destes complexos. Já o Madureira Shopping, o Rio Sul (Botafogo), o Cinemark Plaza Shopping (Niterói) e o Box Cinemas São Gonçalo Shopping contam com duas cópias da saga em cada.  Demais complexos de cinema em shoppings têm exibições em APENAS uma de suas salas.

Na próxima terça-feira, o jornal deve publicar o resultado de bilheteria do filme neste fim de semana de estreia. Alguém duvida do estouro que será?  Com estes ingredientes de mercado, não precisamos (alô, Carlinhos!) nem nos dar ao trabalho de escrever resenhas da obra. Se as férias de verão foram da Fox com “Avatar” e “Alvim e os Esquilos 2”, no Independence Day,  quem faz a festa é a Paris.

Helena Sroulevich

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Pergunta que não quer calar…

Quem foi o empata circuito que  fez de “Guerra ao Terror” um fiasco no mercado?

Olha a situação: segundo o site Filme B, o filme estreiou com 20 cópias, em 42 salas, figurou entre os vinte títulos mais assistidos no Brasil por apenas três semanas,  fez, no total, pouco menos de 70.000 espectadores até o momento, e, agora, é vencedor do Oscar 2010. Ironia do destino.

O que acontecerá com o circuito comercial na próxima sexta-feira?

(Ironia do destino. Eu já falei sobre isso… e a indignação é tanta que a gente repete. Vejam: https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/02/rapidinha-sobre-guerra-ao-terror/

Helena Sroulevich

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“Guerra ao Terror”: o novo velho pão do mercado.

Timidamente, me pronunciei sobre os porquês do mercado cinematográfico, a partir de perguntas ser ou não ser circuitão do Carlinhos (aqui do Blog). Hoje, instigada por uma troca de receitas de pão, via e-mail, detonarei “Guerra ao Terror”.

O distribuidor cinematográfico – Paramount, Universal, Sony, Imagem Filmes, Fox, Imovision, Europa, Downtown, e etc – é o responsável pela colocação dos filmes nas salas de cinema. Grosso modo, seu trabalho se parece ao de um comerciante de pães diferenciados. Distribui croissant, pão francês, ciabatta, pão de forma, australiano, integral, light e por aí vai. Cabe à ele ousar em novas formas de empacotá-los e o risco financeiro de colocá-los à prova dos mais variados gostos nas distintas padarias (salas de exibição/locadoras/grupos varejistas) existentes no país.

A partir de um exercício ecônomico, avalia o potencial de cada novo pão no mercado, combinando possibilidades de receitas futuras com resultados passados de pães semelhantes. Desta Matemática deriva a decisão de lançar novos títulos em salas de cinema (primeira janela de comercialização),  diretamente no mercado de DVD (segunda janela) ou primeiro em theatrical, depois em homevideo. Como em qualquer negócio, a regra é minimizar custos  e maximizar lucros.  De maneira simplificada, este é o business do nosso expert dos pães, perdão, distribuidor.

Lendo a primeira página do Segundo Caderno (O Globo) de  hoje, pensei: “Guerra ao Terror” – empatado com “Avatar” em indicações ao Oscar 2010 – só pode ter sido um fiasco no mercado de homevideo… O que justifica o filme ser lançado em cinema, depois de já ter saído em DVD desde o ano passado, contrariando o fluxo das janelas? Será que a conta do nosso pãozinho “Guerra ao Terror” não fechou? Ou a decisão de desensacá-lo na telona não se pauta na razão e é resposta (subjetiva) ao auê em torno da “mulher que bomba”?

Prezo a Ciência, mas a decisão de ser ou não o pão da semana pode ter um quê de feeling… Vamos às oferendas (afinal, hoje é dia de Iemanjá): (1) Bigelow é uma padeira e tanto. (2) Ao longo de sua cinebiografia, foram inúmeros os oba-obas, indicações e prêmios outorgados pelos sindicatos e associações de cinema à ela. (3) Questões em torno da relação entre americanos e iraquianos despertam curiosidade.  (4) Obama e McCain nos enfiaram “Guerra ao Terror”(*) goela abaixo, enquanto disputavam a sucessão presidencial nos EUA. (5) No Google, The Hurt Locker (título original do filme) e ramificações beiram 80 milhões de incidências. Quer sucesso maior?

O estimulante negócio da distribuição deixa refém até um profundo conhecedor de pães, como a Imagem Filmes. Sexta-feira chega aos cinemas o novo velho pão do mercado. Será que o empacotamento final contou com os mesmos ingredientes que deixam nossos pãezinhos tupiniquins menos competitivos?  Ou simplesmente não foi viável lançar o filme antes devido ao concentrado circuito de padarias (circuito exibidor), abarrotado por pães-de-férias-da-Fox-tamanho-família “Avatar” e “Alvim e os Esquilos 2”? Cálculos matemáticos e questões do mercado à parte, fica o recado: “Guerra ao Terror” (**) é a maior diversão.

Helena Sroulevich

(*) Licença poética: torres gêmeas, Afeganistão, Iraque e cia ilimitada estão no mesmo saco.

(**) O bagelow (bagel + bigelow = trocadilho infame) é  bem dirigido. Tem aquela câmera nervosa, que eu adoro, e qualidades de som e imagem para saborear no escurinho da padaria mais próxima! O grande crédito é mesmo da Direção da Kathryn Bigelow. O Directors’ Guild foi justíssimo. Quanto ao Oscar, seria lindo vê-la recebendo, mas, por outro lado, que outro Diretor no mundo seria tão metódico, paciente, refinado para fazer um “Avatar”, como o James Cameron? Esta dúvida tem me dado crises digestivas… mas só esta. “Avatar” é muito mais saboroso que “Guerra ao Terror”. Não entendo o alvoroço…

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