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Pergunta que não quer calar…

Quem foi o empata circuito que  fez de “Guerra ao Terror” um fiasco no mercado?

Olha a situação: segundo o site Filme B, o filme estreiou com 20 cópias, em 42 salas, figurou entre os vinte títulos mais assistidos no Brasil por apenas três semanas,  fez, no total, pouco menos de 70.000 espectadores até o momento, e, agora, é vencedor do Oscar 2010. Ironia do destino.

O que acontecerá com o circuito comercial na próxima sexta-feira?

(Ironia do destino. Eu já falei sobre isso… e a indignação é tanta que a gente repete. Vejam: https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/02/rapidinha-sobre-guerra-ao-terror/

Helena Sroulevich

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Conta do Oscar

A galera aqui do blog fez suas apostas no dia 14 de fevereiro.

Confira o post: https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/14/bolao-do-oscar/

Com dor tarantiniana e percebendo que em briga de marido e ex-mulher, só a Academia para meter a colher, anuncio as 16 categorias avaliadas, e o saldo da disputa interna:

Melhor filme:  “Guerra ao Terror” (ponto para CB – e há quem duvide do poder da boca de urna… Lamentável!)

Melhor direção: Kathryn Bigelow (ponto para CB)

Melhor ator: Jeff Bridges (ponto para CB e EV)

Melhor atriz:  Sandra Bullock (ponto para CB e EV)

Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz (ponto para CB, EV e HS)

Melhor atriz coadjuvante: Mo’nique (ponto para CB, EV e HS)

Melhor animação: Up (ponto para CB, EV e HS)

Melhor filme estrangeiro: O Segredo dos Seus Olhos (ninguém acertou, mas eu fiquei MEGAFELIZ. É bem mais filme que “A Fita Branca”!)

Melhor direção de arte: Avatar (ponto para CB, EVe HS)

Melhor cinematografia: Avatar (ponto para CB e HS)

Melhor montagem: Guerra ao Terror (ponto para EV e HS)

Melhor som: Guerra ao Terror (ponto para HS)

Melhor edição de som: Guerra ao Terror (ponto para HS)

Melhores efeitos visuais: Avatar (ponto para CB, EV e HS)

Melhor roteiro original: Guerra ao Terror (niguém levou e eu, sinceramente, quero saber onde os acadêmicos viram roteiro neste filme… sem falar nos escândalos que antecederam a cerimônia!)

Melhor roteiro adaptado: Preciosa (ninguém levou e, como diria meu amigo Carlinhos Mattos, depois de ver Truffault quem é que engole “Preciosa”?)

Carlos Eduardo Bacellar (CB): 10 acertos

Edu Valverde (EV): 8 acertos

Helena Sroulevich (HS) : 9 acertos

Bom, a responsabilidade de assistir a “O Mistério de Feiurinha” e criticá-lo, é do Edu. Como a gente tem que ser solidário com os amigos até no pior dos mundos, Edu, eu vou contigo. É só marcar. Mas faça isso antes que eu pegue o primeiro avião com destino a Los Angeles e dê na cara do Tom Hanks. Pela primeira vez, quis amassar aquele narigão.  Correndo em direção ao palco, mais parecia reencarnar o “Forrest Gump”. E protagonizou a apresentação de melhor filme mais desglamourosa da História da Academia. Pega pelo braço, Kathryn Bigelow não terminara de se refazer do primeiro susto, e já era lançada ao palco novamente. Ela tentou, mas o tico e o teco travaram e suas  sinapses não encontraram ressonância nas distintas árvores das almas espalhadas pela plateia. A bem da verdade é que nem ela, nem eu, nem ninguém, entendeu o grande prêmio. Wilker até que se virou bem na transmissão da Globo, afunilando as opções “acadêmicas” em dois grupos: os mega e os nano-orçamentos… mas, mesmo assim, chamar o bagelow (pão da Bigelow) de tendência da cinematografia independente é demais! B.O. hollywoodiano por B.O hollywoodiano, “Bastardos Inglórios” é muito mais filme. Muito caído “Guerra ao Terror” levar a estatueta-mor. No Rio, só está em cartaz no Laura Alvim (e é o que chamamos de fim de circuito!). Vamos aguardar a mexida/reprogramação (será?) nas salas exibidoras na sexta-feira!

P.S. A sequencia Tom Hanks & Kathryn Bigelow merece ser “apreciada”.

Helena Sroulevich

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“Guerra ao Terror”: o novo velho pão do mercado.

Timidamente, me pronunciei sobre os porquês do mercado cinematográfico, a partir de perguntas ser ou não ser circuitão do Carlinhos (aqui do Blog). Hoje, instigada por uma troca de receitas de pão, via e-mail, detonarei “Guerra ao Terror”.

O distribuidor cinematográfico – Paramount, Universal, Sony, Imagem Filmes, Fox, Imovision, Europa, Downtown, e etc – é o responsável pela colocação dos filmes nas salas de cinema. Grosso modo, seu trabalho se parece ao de um comerciante de pães diferenciados. Distribui croissant, pão francês, ciabatta, pão de forma, australiano, integral, light e por aí vai. Cabe à ele ousar em novas formas de empacotá-los e o risco financeiro de colocá-los à prova dos mais variados gostos nas distintas padarias (salas de exibição/locadoras/grupos varejistas) existentes no país.

A partir de um exercício ecônomico, avalia o potencial de cada novo pão no mercado, combinando possibilidades de receitas futuras com resultados passados de pães semelhantes. Desta Matemática deriva a decisão de lançar novos títulos em salas de cinema (primeira janela de comercialização),  diretamente no mercado de DVD (segunda janela) ou primeiro em theatrical, depois em homevideo. Como em qualquer negócio, a regra é minimizar custos  e maximizar lucros.  De maneira simplificada, este é o business do nosso expert dos pães, perdão, distribuidor.

Lendo a primeira página do Segundo Caderno (O Globo) de  hoje, pensei: “Guerra ao Terror” – empatado com “Avatar” em indicações ao Oscar 2010 – só pode ter sido um fiasco no mercado de homevideo… O que justifica o filme ser lançado em cinema, depois de já ter saído em DVD desde o ano passado, contrariando o fluxo das janelas? Será que a conta do nosso pãozinho “Guerra ao Terror” não fechou? Ou a decisão de desensacá-lo na telona não se pauta na razão e é resposta (subjetiva) ao auê em torno da “mulher que bomba”?

Prezo a Ciência, mas a decisão de ser ou não o pão da semana pode ter um quê de feeling… Vamos às oferendas (afinal, hoje é dia de Iemanjá): (1) Bigelow é uma padeira e tanto. (2) Ao longo de sua cinebiografia, foram inúmeros os oba-obas, indicações e prêmios outorgados pelos sindicatos e associações de cinema à ela. (3) Questões em torno da relação entre americanos e iraquianos despertam curiosidade.  (4) Obama e McCain nos enfiaram “Guerra ao Terror”(*) goela abaixo, enquanto disputavam a sucessão presidencial nos EUA. (5) No Google, The Hurt Locker (título original do filme) e ramificações beiram 80 milhões de incidências. Quer sucesso maior?

O estimulante negócio da distribuição deixa refém até um profundo conhecedor de pães, como a Imagem Filmes. Sexta-feira chega aos cinemas o novo velho pão do mercado. Será que o empacotamento final contou com os mesmos ingredientes que deixam nossos pãezinhos tupiniquins menos competitivos?  Ou simplesmente não foi viável lançar o filme antes devido ao concentrado circuito de padarias (circuito exibidor), abarrotado por pães-de-férias-da-Fox-tamanho-família “Avatar” e “Alvim e os Esquilos 2”? Cálculos matemáticos e questões do mercado à parte, fica o recado: “Guerra ao Terror” (**) é a maior diversão.

Helena Sroulevich

(*) Licença poética: torres gêmeas, Afeganistão, Iraque e cia ilimitada estão no mesmo saco.

(**) O bagelow (bagel + bigelow = trocadilho infame) é  bem dirigido. Tem aquela câmera nervosa, que eu adoro, e qualidades de som e imagem para saborear no escurinho da padaria mais próxima! O grande crédito é mesmo da Direção da Kathryn Bigelow. O Directors’ Guild foi justíssimo. Quanto ao Oscar, seria lindo vê-la recebendo, mas, por outro lado, que outro Diretor no mundo seria tão metódico, paciente, refinado para fazer um “Avatar”, como o James Cameron? Esta dúvida tem me dado crises digestivas… mas só esta. “Avatar” é muito mais saboroso que “Guerra ao Terror”. Não entendo o alvoroço…

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O final é um terror!

“Gostou do colar?”

Uma das produções cotadas ao Oscar deste ano é “Guerra ao terror” (lançado no Brasil diretamente em DVD), da diretora Kathryn Bigelow, ex-mulher de James Cameron. Pois é, caros leitores, um dia Kathryn entrelaçou-se a Cameron – como Neytiri fez com Jake Sully –  em alguma Árvore das Almas (fato que apimenta a premiação, concordam?). Quero que vocês me perdoem pelo excesso de avatarismo, mas não estou resistindo. Em minha opinião, “Guerra” deve levar a estatueta, repetindo o feito de “Crash”, do diretor Paul Haggis, em 2006, que também comia pelas bordas com sua verve mais autoral. Tenho a obrigação moral de adiantar aos leitores deste blog que estou prestes a postar um spoiler. Quem ainda não assistiu ao filme, pare por aqui. Digo isso só por desencargo de consciência, pois sei que a afirmação fará com que todos não resistam e leiam com voracidade.

Tal comentário foi reciclado de uma (das muitas) mensagem (ns) que enviei para o meu colega André Miranda, repórter e crítico de cinema do jornal O Globo. Aliás, o André é um santo, diga-se de passagem. A quantidade de besteiras que eu disparo para sua caixa de e-mail não está no gibi. Mas amigo é para essas coisas. Tem que aturar 🙂

“Guerra” retrata a suicida rotina de um esquadrão antibombas em missões nada recomendáveis no Iraque. Até aí, nada de sensacional. Filmes de guerra “bombam” por aí hehehehehehe. O que torna essa produção singular é o foco no aspecto humano, no que a guerra pode causar aos indivíduos. Além de desarmar explosivos, os militares têm de lidar com outros artefatos igualmente perigosos, que são os efeitos causados por situações extremas no psicológico de cada um. Palmas para o ator Jeremy Renner (que deverá concorrer a uma estatueta por sua atuação). Ele dá vida, com maestria, a um especialista em bombas do exército americano (SFC William James) que encara explosivos capazes de mandá-lo para Pandora (saiu de novo…) com a mesma picardia e ausência de espírito de autopreservação com que Dirty Harry enfrentava a choldra, munido de sua indefectível magnum 44. Bom, a crítica especializada já cansou de esmiuçar o filme.

Lá vem o spoiler… Só há um aspecto que me incomodou, e muito.

O final é completamente inverossímil para qualquer macho-alfa que se preze. Quem, em sã consciência, abandonaria a maravilhosa Evangeline Lilly, a eterna Kate de “Lost” – que faz a mulher da personagem de Renner -, e voltaria para o Iraque, arriscando a própria vida, com o intuito de desativar bombas? A personagem do ator Jeremy Renner está completamente lost (peço perdão pelo trocadilho infame). Ele estava tão acostumado aos horrores da guerra (aquilo o completava), que  ficou incomodado com o papel de marido provedor e pai de um bebê. Deve ser duro ser cobrado por Evangeline (Connie James no filme) e ter que comparecer toda noite. Vida dura…

Com todo respeito à senhora Bigelow, mas somente uma mente feminina para conceber tal final. James deveria ter continuado “furando os olhos” de Sawyer e Jack em vez de brincar de cowboy americano no inferno iraquiano.

Fica aqui também o meu pedido de desculpas ao André. Pouco tempo depois de receber esta mensagem (acredito que umas 2 semanas), ele publicou uma crítica do filme. Acredito que, na ocasião em que esse spoiler invadiu sua caixa, ele ainda não tinha visto “Guerra”. E como todo mundo que recebe uma mensagem com esse teor (proibido; não leia; segredos nunca revelados; você está adentrando os portões do inferno; passe essa mensagem para 20 pessoas, caso contrário sofrerá conseqüências graves; trago a pessoa amada em uma semana etc.), ele deve ter lido. Não sei se ele está fulo comigo… Pelo sim e pelo não, fica o registro. Foi mal, meu camarada!

Carlos Eduardo Bacellar

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Qual filme vai para o paredão? Melhor, não entra no circuitão?

Ao ler na rede sobre a lista com os maiores fracassos de bilheteria de Hollywood nos últimos cinco anos, publicada pela revista Forbes, percebi que alguns títulos que figuravam nesta relação maldita em que ninguém quer estar, foram lançados, no Brasil, diretamente em DVD.

Encabeçava a relação o filme “A Grande Ilusão” (“All the king´s men”), uma refilmagem do clássico homônimo produzido sob a batuta de Robert Rossen. Driblando as expectativas de público e crítica, o dito cujo foi parar direto nas prateleiras das locadoras. O mais curioso é que a nova roupagem, dirigida por Steven Zaillian, traz nos créditos um elenco estrelar, com nomes como Sean Penn, Jude Law, Anthony Hopkins e a eterna Kate “Rose” Winslet (eu, particularmente, prefiro a versão mulher-de-classe-média-inconformada-e-devassa-enrustida de “Foi apenas um sonho” – adoro quando um diretor esmiúça a rotina medíocre da classe média revelando sua hipocrisia). Com este recheio, a torta de Zaillian deveria ser exposta é na vitrine da confeitaria Kurt, ou seja, na tela grande.

O que inquieta minha alma pecadora é o fato de muitos filmes estarem no outro extremo do espectro, bem cotados pela crítica e aguardados ansiosamente pela galera, também estão aportando direto na versão em DVD. Exemplos bem recentes são “Tá rindo do quê?”, com Adam Sandler, dirigido por Judd Apatow (o novo Midas da comédia autoral americana), “O elo perdido”, com Will Ferrell, e o mais recente longa-metragem estrelado por Michael Douglas, o suspense jurídico “Acima de qualquer suspeita”, dirigido por Peter Hyams. Todos privados de um espaço no circuito exibidor nacional. Sem falar no laureado “Guerra ao terror”, da diretora Kathryn Bigelow. Como podem ocorrer tantos erros de julgamento como esses?

Como bom jornalista (o adjetivo é duvidoso), comecei a me questionar: o que faz com que uma produção padrão Hollywood seja lançada diretamente em DVD, pulando o circuitão? Qual é o crivo? Quem é o responsável? O que é levado em consideração? O potencial estimado de arrecadação? Agenda cheia do mercado exibidor? Falta do lobby necessário? Será que alguém deixou de dar pra alguém? O encarregado não tomou o seu remédio como deveria? Proposta estética que poderia ter apelos distintos em culturas diferentes? E a voz do povo? Ela não tem vez? Existe alguma teoria da conspiração por trás disso (eu adoro uma teoria conspiratória, por mais absurda que pareça)? Não poderia haver plebiscitos em casos de grande repercussão na seara cinéfila, como os citados acima? Onde vivem os monstros?

Já adianto que tenho mais perguntas do que respostas. Afinal, isto aqui é um blog, e não uma reportagem de jornal. Assim que tiver uma resposta satisfatória, comunicarei a todos. Tentei entrevistar um amigo meu realizador de filmes independentes. Bom… Na verdade, ele faz montagens com vídeos do circuito interno do prédio dele. Primeiro eu mirei em Pandora. O James Cameron não quis falar comigo. Agora que “Avatar” vai acabar de massacrar o transatlântico Titanic e assumir o posto de maior iceberg do mar do norte no quesito bilheteria, ele está um pouco cheio de si e não deu bola para este humilde blog. Voltando ao meu amigo, futuro diretor de sucesso –  o novo Matheus Souza -, o problema é pouca farinha para muito pirão. Completou dizendo que santo de casa não faz milagre e pau que nasce torto nunca se endireita. Não sei o que ele quis dizer com tudo isso, mas foi profundo. Cameron não diria nada melhor, nem em língua Na’vi, conectado com as forças da terra.

Duas coisas são certas (e aqui fica o grito de um apaixonado por cinema):

1) Se alguém me privasse de “Deixa ela entrar” na telona, eu ficaria muito indignado e faria xixi na porta da Ancine (não sei nem se a autarquia tem culpa no cartório, mas alguém tem de pagar), como uma forma de protesto desabrido (adorei essa palavra, desabrido). A produção sueca do diretor Tomas Alfredson mexeu com minha sensibilidade cinéfila e, na minha opinião, juntamente com “500 dias com ela” (Marc Webb), “À procura de Eric” (Ken Loach) e “Bastardos inglórios” (Tarantino), é um dos melhores filmes de 2009. Até hoje eu fecho os olhos e vejo aqueles olhos azuis expressivos e mortais, mas ao mesmo tempo ternos e inocentes, da personagem de Lina Leandersson, a vampirinha Eli. Taí… Tenho que escrever uma crítica sobre o filme. Alguém me lembre disso…

2) Quero ver quem é macho de vetar este que vos escreve dos corpos esculturais de Zoe Saldana (a minha Neytiri), Angelina Jolie, Katie Hudson e companhia limitada na tela grande (eu ainda não tenho tela de LCD 42’’ em casa, tenham dó, poxa vida…). Só se for por um motivo de saúde pública. O coração entra em descompasso e aí, malandro, já viu, né? Meu pai, com quase 80 anos, não pode ver um troço desses (minha mãe também é muito ciumenta).

Fica aqui este libelo contra quem a carapuça tenha servido. Inté!

Carlos Eduardo Bacellar

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