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Um homem especial, solteiro, único e singular

“Direito de Amar” infere uma questão amorosa. O título, entretanto, subestima o potencial de “A Single Man”. Apostaria em “Um homem especial”, “Um homem solteiro”, “Um homem único”, ou ainda, “Um homem singular”, e garanto: se o objetivo (como sempre) é atrair o maior número de mulheres ao cinema, Colin Firth ganha de qualquer idéia de dramalhão mexicano. Foi consagrado no coração feminino desde “Shakespeare Apaixonado” e “Bridget Jones”. E quando deu vida ao escritor inglês Jammie Bennet, de “Simplesmente Amor”, 2003, fez com que todas nós caíssemos de quatro e sem volta.

Em “A Single Man”, arrebata. Na pele do professor universitário, Colin Firth deve ter sido digno de um mano a mano pra lá de complicado na contagem final dos votos que oscarizaram Jeff Bridges (“Coração Louco”) . Com um arsenal de efeitos sensoriais – e apurado silêncio -, bombardeia a dor da perda do grande amor em todos nós – sem distinção de gênero, raça ou orientação sexual. E faz o filme roteirizado, dirigido e produzido por Tom Ford, grande revitalizador da marca Gucci a partir dos anos 90, ir além do rigor preciso – nada over – da direção de arte.

O senso estético contextualiza um dia na vida de George (Colin Firth), logo da perda de seu companheiro Jim (Matthew Goode), com quem manteve um casamento de 16 anos. Certo de seu suícidio, resgata memórias, sensações, dúvidas e amores, como Charley, a maravilhosa Julianne Moore. Generosidade mútua é o que se vê nas  cenas protagonizadas por ambos. Lindo de ver. Como em qualquer experiência extrema de reflexão, a morte mora a um gatilho. Mas, ao final, a sábia opção pela vida, sempre a vida, de um homem especial, solteiro, único e singular.

Helena Sroulevich

E todas merecemos suspirar pelo Colin Firth, pedindo Aurélia em casamento, em português, no fofo “Simplesmente Amor”.

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Pergunta que não quer calar…

Quem foi o empata circuito que  fez de “Guerra ao Terror” um fiasco no mercado?

Olha a situação: segundo o site Filme B, o filme estreiou com 20 cópias, em 42 salas, figurou entre os vinte títulos mais assistidos no Brasil por apenas três semanas,  fez, no total, pouco menos de 70.000 espectadores até o momento, e, agora, é vencedor do Oscar 2010. Ironia do destino.

O que acontecerá com o circuito comercial na próxima sexta-feira?

(Ironia do destino. Eu já falei sobre isso… e a indignação é tanta que a gente repete. Vejam: https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/02/rapidinha-sobre-guerra-ao-terror/

Helena Sroulevich

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Ode ao Tarantino

Agora, tudo faz sentido. A Academia prefere deslaurear o Tarantino a entendê-lo. Aqui, o brilho eterno da mente cheia de lembranças. E a homenagem vem em formato curta-metragem com Selton Mello e Seu Jorge, em conversa de bar, revelando as ligações (inusitadas) entre os personagens dos filmes de Quentin. Foi roteirizado e dirigido coletivamente pela 300ml em 2006, e, em tempos de Oscar (ainda não me refiz do baque!), está mais atual que nunca. Confiram:

Helena Sroulevich

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Emoção x Razão

A cerimônia do Oscar, realizada na noite de ontem, reservou algumas surpresas para as bancas de apostas do mundo todo. Minha colega de blog, Helena “cadê o roteiro de Guerra ao terror?” Sroulevich, já teceu alguns comentários acerca das premiações em seu último post.

De qualquer maneira, não posso deixar passar em branco a láurea que talvez tenha configurado a maior zebra da noite: Michael Haneke deve ter usado sua fita branca para se estrangular ao ver a estatueta de melhor filme estrangeiro ir dançando tango em direção às mãos do argentino Juan José Campanella, premiado pelo seu magnífico “O segredo dos seus olhos”.

Novamente me abstenho de maiores detalhes sobre a produção destacando uma crítica da Helena, que escreveu de forma inspirada sobre o filme de Campanella (vou começar a cobrar pela propaganda): https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/15/o-segredo-dos-seus-olhos/

O mais curioso é o fato de que, na hora de montar minhas apostas, minha caneta sempre hesitava em destacar “A fita branca” entre os indicados a melhor filme estrangeiro. Minhas mãos tremiam ante a indecisão. Não que a realização do diretor alemão não seja excelente. O prêmio teria ficado em ótimas mãos, e tudo indicava que seria assim. Mas cinema não é matemática.

Quando finalmente decidi em quem votar, meu sétimo sentido (o sentido cinéfilo) apitou, um alerta de que algo estava errado. Esse sentimento me acompanhou inquietante, até a chegada dos atores no tapete vermelho. Quando meus olhos bateram em Carey Mulligan, fui anestesiado e acabei esquecendo daquela gastura interna.

Acontece que o cinema argentino, quando quer, arrebenta a boca do balão. O talento de Campanella, aditivado pela atuação do brilhante ator Ricardo Darín, conseguiu estruturar uma história belíssima, de força incomparável. O charme e desenvoltura da encantadora Soledad Villamil eram a cereja do bolo de uma fábula castelhana que parece ter bebido do realismo mágico de Gabriel García Márquez para criar um roteiro que nos arranca da inércia, e desconstrói toda e qualquer expectativa.

Talvez avassalado pela torrente de elogios da crítica ao filme de Haneke, resolvi abafar a emoção e acreditar na razão − amparada na frieza e burocracia dos números. “A fita branca” flanava alto impulsionada pela brisa de diversos prêmios, e acabou caindo no colo receptivo da crítica especializada. O preto e branco do filme ampliaram áreas cinza que afetaram meu discernimento; encobriram o colorido e a riqueza da América do Sul.

Não prestei atenção quando os deuses da sétima arte sopraram no meu ouvido que eu deveria enxergar além da crítica, além da imprensa, além das premiações, além… Na cerimônia de ontem, US$ 500 milhões valeram menos que US$ 11 milhões, e a emoção suplantou a razão.

Aritmética nenhuma consegue resolver as equações que inebriam a alma. Campanella me ensinou essa lição.

Carlos Eduardo Bacellar

p.s. Como essa vida é curiosa… No dia em que assisti ao filme argentino, eu havia perdido uma sessão no Kinoplex Leblon de “Percy Jackson e o ladrão de raios”. O filme de Campanella era o plano B. Pois é, podem me gozar. Corri para o Unibanco Arteplex. Chegando lá esbaforido, encontrei, por acaso, a Helena e sua mãe, a historiadora e jornalista Claudia Furiati, e o repórter e crítico de cinema Rodrigo Fonseca. Com toda sua qualidade e argúcia, o Rodrigo, num rápido bate-papo, deu sinais − contrariando todas as apostas − de que Haneke poderia ver a estatueta escapar de suas mãos, como de fato aconteceu. Eu só não soube lê-los (o queixo caído da Helena após a sessão também era um prenúncio).

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Conta do Oscar

A galera aqui do blog fez suas apostas no dia 14 de fevereiro.

Confira o post: https://doidosporcinema.wordpress.com/2010/02/14/bolao-do-oscar/

Com dor tarantiniana e percebendo que em briga de marido e ex-mulher, só a Academia para meter a colher, anuncio as 16 categorias avaliadas, e o saldo da disputa interna:

Melhor filme:  “Guerra ao Terror” (ponto para CB – e há quem duvide do poder da boca de urna… Lamentável!)

Melhor direção: Kathryn Bigelow (ponto para CB)

Melhor ator: Jeff Bridges (ponto para CB e EV)

Melhor atriz:  Sandra Bullock (ponto para CB e EV)

Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz (ponto para CB, EV e HS)

Melhor atriz coadjuvante: Mo’nique (ponto para CB, EV e HS)

Melhor animação: Up (ponto para CB, EV e HS)

Melhor filme estrangeiro: O Segredo dos Seus Olhos (ninguém acertou, mas eu fiquei MEGAFELIZ. É bem mais filme que “A Fita Branca”!)

Melhor direção de arte: Avatar (ponto para CB, EVe HS)

Melhor cinematografia: Avatar (ponto para CB e HS)

Melhor montagem: Guerra ao Terror (ponto para EV e HS)

Melhor som: Guerra ao Terror (ponto para HS)

Melhor edição de som: Guerra ao Terror (ponto para HS)

Melhores efeitos visuais: Avatar (ponto para CB, EV e HS)

Melhor roteiro original: Guerra ao Terror (niguém levou e eu, sinceramente, quero saber onde os acadêmicos viram roteiro neste filme… sem falar nos escândalos que antecederam a cerimônia!)

Melhor roteiro adaptado: Preciosa (ninguém levou e, como diria meu amigo Carlinhos Mattos, depois de ver Truffault quem é que engole “Preciosa”?)

Carlos Eduardo Bacellar (CB): 10 acertos

Edu Valverde (EV): 8 acertos

Helena Sroulevich (HS) : 9 acertos

Bom, a responsabilidade de assistir a “O Mistério de Feiurinha” e criticá-lo, é do Edu. Como a gente tem que ser solidário com os amigos até no pior dos mundos, Edu, eu vou contigo. É só marcar. Mas faça isso antes que eu pegue o primeiro avião com destino a Los Angeles e dê na cara do Tom Hanks. Pela primeira vez, quis amassar aquele narigão.  Correndo em direção ao palco, mais parecia reencarnar o “Forrest Gump”. E protagonizou a apresentação de melhor filme mais desglamourosa da História da Academia. Pega pelo braço, Kathryn Bigelow não terminara de se refazer do primeiro susto, e já era lançada ao palco novamente. Ela tentou, mas o tico e o teco travaram e suas  sinapses não encontraram ressonância nas distintas árvores das almas espalhadas pela plateia. A bem da verdade é que nem ela, nem eu, nem ninguém, entendeu o grande prêmio. Wilker até que se virou bem na transmissão da Globo, afunilando as opções “acadêmicas” em dois grupos: os mega e os nano-orçamentos… mas, mesmo assim, chamar o bagelow (pão da Bigelow) de tendência da cinematografia independente é demais! B.O. hollywoodiano por B.O hollywoodiano, “Bastardos Inglórios” é muito mais filme. Muito caído “Guerra ao Terror” levar a estatueta-mor. No Rio, só está em cartaz no Laura Alvim (e é o que chamamos de fim de circuito!). Vamos aguardar a mexida/reprogramação (será?) nas salas exibidoras na sexta-feira!

P.S. A sequencia Tom Hanks & Kathryn Bigelow merece ser “apreciada”.

Helena Sroulevich

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